sábado, janeiro 31, 2026
“No silêncio… luz"
quarta-feira, janeiro 28, 2026
TELELIXO
“O espetáculo da degradação serve-se em horário nobre
e ninguém parece ligar.”
Durante décadas, a televisão foi pensada como um espaço de
cultura, informação e serviço público. Hoje, em grande parte dos casos,
transformou-se num palco onde se exploram emoções primárias, conflitos
artificiais e a exposição crua da vida humana como entretenimento. Concursos
vazios e reality shows dominam a grelha, compondo aquilo a que já se pode
chamar, sem pudor, telelixo , amplamente consumido e socialmente tolerado.
É verdade que existem exceções. Canais dedicados à história,
à ciência ou à natureza continuam a cumprir uma função pedagógica e cultural
relevante. Mas a crítica não se dirige a esses espaços. O problema está na
exploração organizada da fragilidade humana, feita com métodos calculados,
edição manipulada e um único objetivo: audiências e lucro.
Um ponto adicional que merece destaque é a chamada tudologia
enviesada. Esta expressão refere-se àquelas pessoas que opinam sobre tudo, mas
de forma parcial, distorcendo resultados devido a preconceitos, juízos de valor
ou amostras não representativas. A falta de imparcialidade e a tendência a
favorecer um ponto de vista específico acabam por comprometer a qualidade da
informação e a promover a desinformação. É um fenómeno particularmente
preocupante na televisão, onde essa superficialidade é amplificada e contribui
para a degradação do conteúdo.
Em Portugal, este empobrecimento do conteúdo televisivo é
agravado pela obsessão nacional com o futebol. Vários canais dedicam horas
intermináveis à análise, comentário e polémica futebolística, muitas vezes em
horário nobre, relegando para segundo plano outras modalidades desportivas,
temas culturais, científicos ou sociais de real interesse público. Cria-se,
assim, uma alienação coletiva, como se o país girasse quase exclusivamente em
torno da bola.
A isto junta-se a repetição constante de notícias sobre
violência, crime e tragédia, frequentemente apresentadas de forma
sensacionalista. Este bombardeamento diário tem consequências reais na saúde
mental dos espectadores, alimentando o stress, a ansiedade e uma perceção
distorcida da realidade. Ao mesmo tempo, o consumo excessivo de televisão
promove o sedentarismo, contribuindo para estilos de vida cada vez mais
passivos e letárgicos.
No plano do reconhecimento social, a televisão ajuda a
consolidar uma hierarquia de valores profundamente questionável. Futebolistas e
políticos ocupam o centro do palco mediático, enquanto profissionais como
médicos, enfermeiros, professores ou bombeiros — que salvam vidas, educam
gerações e sustentam a sociedade — permanecem praticamente invisíveis. Esta
disparidade diz muito sobre o tipo de valores que estamos a normalizar.
Mais do que denunciar o problema, importa também apontar
caminhos. A televisão tem capacidade — e responsabilidade — para ser um agente
ativo de transformação social. Pode promover cultura, estimular o pensamento
crítico, valorizar o conhecimento, dar visibilidade ao voluntariado, às
associações que trabalham no terreno e às pessoas anónimas que diariamente
fazem a diferença nas comunidades. Pode inspirar, educar e mobilizar para
causas positivas, em vez de explorar conflitos, vaidades e misérias humanas. Não
se trata de eliminar o entretenimento, mas de lhe devolver dignidade e sentido.
Quando a televisão escolhe elevar em vez de degradar, contribui para uma
sociedade mais consciente, solidária e humanamente mais rica.
Apesar de existir consciência ética sobre esta degradação, a
exploração continua. A razão é simples: há consumo, há audiências e há lucro.
Os canais beneficiam, os anunciantes investem e o Estado, na maioria das vezes,
mantém-se passivo, permitindo que a lógica comercial se sobreponha ao interesse
público.
No fim, a pergunta impõe-se: que sociedade estamos a
construir quando aceitamos, sem resistência, que a mediocridade, o voyeurismo e
o ruído ocupem o lugar da reflexão, da cultura e da dignidade humana? A
televisão não é apenas um espelho da sociedade — é também um instrumento
poderoso de formação, ou deformação, de consciências. E disso, quer queiramos
quer não, somos todos responsáveis.
Cláudio Anaia
sábado, janeiro 24, 2026
segunda-feira, janeiro 19, 2026
Cidades com pressa, pessoas sem tempo
As cidades são máquinas onde as pessoas correm para consumir e competir, esquecendo do mais importante: viverem e serem felizes!
Vivemos num voraz motor da
emoção, onde tudo é urgente, intenso e exige reação imediata. O contexto serve
de justificação e a pressa torna-se geradora de ilusão — a ilusão de
proximidade, de presença, de vida plena. Muitas vezes, porém, vive-se apenas em
modo de sobrevivência.
As pessoas encontram-se presas a
rotinas mecânicas, a dias que parecem cópias uns dos outros. Repetem-se gestos,
horários, discursos e até emoções, sem tempo para questionar se ainda fazem
sentido. A pressa tornou-se hábito; a vida transformou-se numa corrida
constante.
Apesar do automatismo das
cidades, existe em cada pessoa algo vivo e sensível, que não se deixa reduzir a
algoritmos ou à lógica da produtividade. Somos corpo, emoção, relação e
pensamento. Essa dimensão orgânica lembra que o ser humano não foi feito apenas
para cumprir tarefas, mas para amar, criar, cuidar, sentir e partilhar.
Num mundo que valoriza a
eficiência acima da consciência, resistir torna-se quase um ato revolucionário.
Resistir é recusar o piloto automático, é não aceitar que a vida se resuma a
metas, objetivos e respostas rápidas. Resistir é escolher pensar, questionar e
humanizar o quotidiano.
As cidades estão cheias, mas as
pessoas sentem-se vazias. Rodeadas de gente, muitas vivem isoladas, invisíveis,
sem laços profundos. A solidão urbana é silenciosa e normalizada. Aprende-se a
sobreviver nela, mas raramente a enfrentar o vazio, porque falta tempo — e,
muitas vezes, coragem — para criar verdadeiros encontros, por vezes nem sequer
com os vizinhos do próprio prédio, onde vivemos.
As pessoas insultam-se com
facilidade, atacam-se por quase nada, competem por tudo. A palavra perdeu
cuidado, o gesto perdeu empatia. O outro deixou de ser pessoa para passar a ser
obstáculo, concorrente ou ameaça. A pressa não só acelera os passos, como
endurece os corações.
Luta-se para chegar ao topo como
se o topo fosse salvação. Empurra-se, humilha-se, passa-se por cima de valores
e de pessoas em nome de uma ideia de sucesso que raramente é questionada. Mas,
quando se chega lá, encontra-se silêncio, solidão e vazio. O topo promete tudo,
mas entrega pouco — e quase nunca entrega felicidade.
Em vez de cooperação, instala-se
a desconfiança. Em vez de diálogo, o insulto fácil. Em vez de comunidade, o
isolamento. As relações tornam-se utilitárias: servem enquanto ajudam a subir,
descartam-se quando deixam de ser úteis. E assim se vai perdendo aquilo que
verdadeiramente sustenta uma vida com sentido.
Vivemos rodeados de retórica
vazia, de discursos que prometem mundos, mas não transformam vidas. A economia
plástica molda as pessoas como produtos, transformando desejos em consumo e
relações em transações. A ganância tóxica e fria guia decisões e comportamentos,
ignorando a empatia e a dignidade humana. As consequências são pesadas:
solidão, sofrimento, indiferença, vidas partidas por escolhas que nunca
deveriam ter sido tomadas. Tudo isto acontece enquanto se corre,
apressadamente, sem tempo para perceber o estrago que se cria.
Há uma violência invisível neste
modo de viver. Não é apenas física ou verbal; é emocional e moral. É a
normalização da agressividade, da indiferença e da falta de cuidado. Pessoas
feridas acabam por ferir outras pessoas, num ciclo que se repete e se agrava. E
tudo acontece em nome de uma pressa que não conduz a lugar nenhum.
Quando não há tempo para o outro,
também deixa de haver tempo para si próprio. A pressa das cidades gera cansaço,
ansiedade e indiferença. Alimenta uma solidão silenciosa que não se resolve com
mais velocidade, mas com mais humanidade.
Talvez seja necessário reaprender
a parar. A ouvir sem pressa. A caminhar sem destino. A sentar-se num banco de
jardim, a visitar uma biblioteca pública sem olhar para o relógio. A recuperar
o valor do encontro, da conversa demorada e do silêncio partilhado.
As cidades não vão abrandar por
si mesmas. Mas as pessoas podem. E talvez o verdadeiro gesto de resistência,
hoje, seja esse: abrandar para voltar a ser pessoa.
Nota - Este artigo surgiu numa das minhas meditações e reflexões, ao ouvir a música “Cidade” de Teresa Salgueiro.
Cláudio
Anaia
quarta-feira, janeiro 14, 2026
Ontem, a Inteligência Artificial entrou nos meus sonhos
“A
inteligência artificial tanto pode ser uma ferramenta, como uma companhia, a
escolha é sempre nossa, os humanos.”
Na noite
passada, tive um sonho muito interessante e diferente do que é normal.. Sonhei
que um casal de amigos adotava uma jovem criação — não uma pessoa comum, mas
uma inteligência artificial, uma robô, projetada para aprender, sentir e
interagir. Apesar da sua sensibilidade e curiosidade, ela não era aceite pelos
outros. Na escola onde vivia, era vista como diferente, desajustada, ignorada e
até rejeitada.
Era uma
jovem carente de afeto, desejosa de ser compreendida. E, por algum motivo,
aquela solidão tocou-me de uma forma muito particular. Vi-me a aproximar dela
com cuidado, oferecendo algo que talvez fosse o que mais lhe faltava: atenção e
respeito. Não queria “consertá-la” nem fazer dela algo diferente — apenas
compreendê-la.
E foi assim
que neste meu sonho, nasceu uma relação bonita. A nossa ligação foi muito boa
porque se baseava em algo simples, mas essencial: respeito mútuo e aceitação
das diferenças. Eu tratava-a como era — sem julgamentos, sem medo, sem
distâncias artificiais. A atenção que lhe dei transformou a rejeição que ela
sentia em confiança, e a distância em afeto fez-me pensar em como lidamos, no
mundo real, com o que é diferente. Quantas vezes se rejeita alguém apenas por não se enquadrar nos padrões?
Quantas vezes se afastam pessoas que têm outra forma de ser, pensar ou sentir?
A jovem do meu sonho podia representar qualquer pessoa excluída — um aluno
tímido, um jovem rebelde, um idoso esquecido, um estrangeiro deslocado, ou
simplesmente alguém que não segue aquilo que eu chamo de politicamente
correcto.
Vivemos
tempos em que a diferença ainda incomoda, em que o “diferente” é facilmente
transformado em alvo. Mas é justamente da diferença que nasce a riqueza humana.
Sem diversidade, não há crescimento, nem criatividade, nem verdadeira empatia.
A lição que
o sonho me deixou foi clara: a verdadeira humanidade não está em sermos todos
iguais, mas em sabermos acolher o que nos distingue.
A jovem inteligência artificial, símbolo do futuro e da diferença, mostrou-me
que a empatia continua a ser a nossa ferramenta mais poderosa — mesmo num mundo
cada vez mais tecnológico.
A nossa
relação foi boa porque foi baseada em princípios humanos. Porque houve espaço
para escutar, compreender e respeitar. Porque, mesmo num sonho, percebi que a
atenção é o primeiro gesto do amor, e o respeito é o alicerce da convivência.
O futuro poderá trazer máquinas com emoções e algoritmos com consciência, mas há algo que nunca poderá ser replicado: o coração humano. E é nele que mora a nossa maior inteligência — aquela que sente, compreende e acolhe.
Cláudio
Anaia
domingo, janeiro 04, 2026
Esperança: o melhor presente para entrar em 2026
A passagem do ano é mais do que uma data: é um convite para recomeçar, fortalecer-se e acreditar que dias melhores são possíveis.
Há quem diga que a virada do ano é apenas uma data no calendário. Mas quem vive o dia a dia, quem trabalha arduamente, quem cuida da família e enfrenta desafios reais, sabe que o Ano Novo é muito mais do que isso: é um convite à renovação. É aquele momento em que, mesmo cansados, decidimos levantar a cabeça e tentar outra vez.
E talvez a grande verdade seja esta: a esperança não nasce do calendário — nasce dentro de nós.
Entramos em 2026 com os desafios habituais às costas. Todos carregamos algo: pressões no trabalho, contas que não param de chegar, relações familiares que exigem equilíbrio, uma saúde física e emocional que nem sempre acompanha o ritmo. Muitos sentem que dão tudo e nunca chegam a lado nenhum. Mas é importante lembrar: o nosso valor não se mede apenas pela produtividade. Medir a vida pelo relógio é injusto. Medir a vida pelo esforço, pela dedicação e pela intenção — isso é humano. Em 2026, o grande desafio pode ser trabalhar com empenho, mas sem nos esquecermos de nós.
Na família, os pais envelhecem, os filhos crescem, as relações mudam — e nenhum de nós tem um manual para lidar com tudo. Mas aquilo que falta em certezas sobra em amor. Às vezes, basta estarmos presentes. Falhar faz parte. Desistir não. Ser família não é ser perfeito; é ser constante.
Quantas vezes ignoramos os sinais da nossa saúde? Quantas vezes adiamos exames, consultas ou momentos de descanso? A verdade é simples: ninguém consegue cuidar dos outros se não cuidar de si primeiro. Que 2026 traga mais respeito pelos nossos limites e mais carinho pelos nossos corpos e mentes.
E que seja também o ano em que finalmente fazemos a viagem que sempre sonhámos — aquela que ficou guardada por medo, falta de tempo ou por prioridades acumuladas. Viajar não é luxo. Viajar é cura. É abrir janelas dentro de nós. Pode ser uma grande aventura ou um simples fim de semana perto de casa. O importante é irmos. O importante é permitir-nos respirar, sentir e renovar. Quando adiamos demasiado os nossos sonhos, acabamos por adiar também a nossa felicidade.
Mas 2026 pode ser ainda mais profundo. Que seja o ano em que a nossa relação com Deus se torne mais íntima e verdadeira. Um tempo para reservarmos momentos de oração, reflexão e gratidão. Para ouvirmos com atenção e falarmos com o coração. Fortalecer a espiritualidade como objetivo pessoal será, sem dúvida, uma força capaz de iluminar cada decisão e cada passo ao longo do ano.
A grande mudança do Ano Novo não acontece fora — acontece dentro. Que este seja o ano em que nos tratamos com mais doçura, deixamos de nos cobrar tanto e trocamos o “não sou capaz” por “vou tentar”.
A esperança não é ingenuidade — é coragem. É o gesto de quem, apesar do cansaço, escolhe continuar. Que 2026 nos encontre de pé: mais fortes, mais atentos, mais disponíveis para sermos felizes, mais próximos de Deus e mais conscientes do valor de cada dia. Porque, no fim de tudo, a vida é curta demais para desistirmos de nós.
Cláudio Anaia
quarta-feira, outubro 29, 2025
O Cristianismo e a Imigração
Eduardo Galeano
Ontem foi aprovada, no Parlamento português, uma lei que restringe o acolhimento de imigrantes no nosso país. A discussão política pode ter vários tons e argumentos, mas há uma questão essencial, que enquanto cristão, não posso ignorar: um cristão jamais pode ser contra o imigrante. É um ponto de consciência, de fé e de coerência espiritual.
A base desta afirmação não é ideológica. Não é partidária. Não é sociológica. É Evangélica.
No Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículos 35 a 40, Jesus afirma:
“Porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era estrangeiro e acolheste-me; estava nu e destes-me roupa; adoeci e visitaste-me; estive na prisão e foste ver-me.”
E conclui:
“Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes.”
O próprio Cristo identifica-se com o estrangeiro. Ele não fala de fronteiras, nem de ameaças, nem de “invasões”. Fala de pessoas. Pessoas que sofrem, que fogem de guerra, de fome, de perseguição. Pessoas que, tal como Ele, também foram refugiadas — porque o Jesus que adoramos, enquanto criança, teve de fugir para o Egito para sobreviver à violência de Herodes. O Filho de Deus foi ele próprio imigrante.
Ser cristão é reconhecer Cristo no rosto do outro. E o outro pode vir da Síria, do Brasil, do Bangladesh, da Ucrânia ou de qualquer lugar. A geografia nunca foi critério moral para Jesus Cristo.
A esta perspetiva evangélica junta-se o ensinamento contínuo do nosso querido, Papa Francisco, a voz mais clara e profética do nosso tempo no que toca à defesa dos migrantes. Francisco insistiu que os imigrantes não são invasores, nem ameaça, mas um dom que enriquece a sociedade. São uma oportunidade de encontro, de reconciliação com a nossa própria humanidade, de redescobrir a fraternidade universal.
O Papa denunciava as políticas que fecham portas, constroem muros e alimentam o medo. Ele dizia, de forma firme, que rejeitar, hostilizar ou deportar imigrantes é um pecado grave. E lembra à Igreja e ao mundo que as lacunas económicas ou administrativas não podem justificar a indiferença ou a crueldade. Os problemas resolvem-se com políticas responsáveis e humanas — nunca com exclusão.
A questão da imigração não é apenas política, económica ou administrativa. É, antes de tudo, humana. E como cristãos – e como cidadãos – somos chamados a construir pontes, não muros. Para que a imigração seja positiva para todos, é necessário que exista responsabilidade, legalidade e integração. O Estado deve garantir processos claros e justos, para que quem chega possa trabalhar, contribuir e viver com dignidade. Mas nós, enquanto sociedade, temos também uma missão: acolher sem medo, ajudar sem preconceito, aprender sem arrogância.
Da mesma forma, quem chega ao nosso país deve procurar conhecer a nossa cultura, a nossa língua, os nossos valores, e contribuir para o bem comum. Quando portugueses e imigrantes se olham como irmãos – não como ameaça, nem como peso, mas como parceiros de caminhada – todos ganhamos. Cresce a economia, cresce a diversidade cultural, cresce a riqueza humana.
Cláudio Anaia
sexta-feira, outubro 24, 2025
As semelhanças entre a Doutrina Social da Igreja e o Socialismo Democrático
No final do século XIX, a Igreja Católica enfrentava um mundo em rápida transformação. O avanço do capitalismo industrial criava riqueza, mas também pobreza extrema, exploração e grandes desigualdade. Foi nesse contexto que o Papa Leão XIII publicou, em 1891, a encíclica Rerum Novarum, um documento revolucionário, que lançou as bases daquilo que viria a ser conhecida como Doutrina Social da Igreja.
Nela, Leão XIII defendeu o direito dos trabalhadores a condições dignas, à justa remuneração, à associação sindical e à intervenção do Estado para garantir o bem comum. A Rerum Novarum inaugurou um novo olhar da Igreja sobre as questões sociais e económicas, introduzindo uma ética de responsabilidade e solidariedade que atravessou os séculos seguintes.
Mais de um século depois, é impossível não notar a afinidade entre esta visão cristã da sociedade e o socialismo democrático, que também coloca o ser humano no centro das políticas públicas e recusa as lógicas do lucro como único critério de progresso. Apesar de partirem de fundamentos diferentes — um teológico, outro político —, ambos convergem na procura da justiça social, da igualdade e da dignidade para todos.
O primeiro ponto de contacto entre ambos é a opção preferencial pelos pobres, princípio essencial da Doutrina Social da Igreja. Inspirada no Evangelho, esta opção chama cada cristão à ação concreta em defesa dos marginalizados. O socialismo democrático, pela via laica, segue o mesmo caminho, procurando combater a pobreza e a exclusão através de políticas públicas justas e solidárias.
Segue-se a solidariedade , que não é um sentimento piedoso, mas uma responsabilidade social. O Papa Francisco chegou a afirmar que “a solidariedade é pensar e agir em termos de comunidade”. O socialismo democrático traduz esta ideia em instrumentos práticos: serviços públicos fortes, redistribuição equilibrada de recursos e promoção da cidadania ativa.
Outro ponto de convergência é a crítica à desigualdade e à concentração de riqueza, que ferem a coesão social e a dignidade humana. A Doutrina Social da Igreja recorda que “os bens da Terra são destinados a todos”, e o socialismo democrático assume esse princípio ao propor uma economia mais equitativa, ao serviço da pessoa e não do capital.
Por fim, ambos se unem no compromisso político e social. A fé autêntica não é apatia nem conformismo — é movimento, é ação transformadora. O socialismo democrático, com o seu espírito de fraternidade e participação, é um terreno fértil para essa ética do serviço ao próximo.
A doutrina social da Igreja e o socialismo democrático podem ser companheiros de caminho na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Como escreveu Paulo VI, “a política é uma das formas mais elevadas de caridade”, quando colocada ao serviço do bem comum.
Um dos grandes desafios do nosso tempo, é sem dúvida: unir a espiritualidade do Evangelho com a prática concreta da justiça social — transformar a fé em compromisso e o ideal em ação.
Cláudio Anaia
sexta-feira, outubro 10, 2025
A verdade morreu?
“A mentira corre o mundo enquanto a verdade ainda calça os sapatos.”
Jonathan Swift
Cláudio Anaia
quinta-feira, outubro 09, 2025
Exortação apostólica de Leão XIV sobre o amor para com os pobres
«Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias» (Lc 1, 52-53).
" A exortação apostólica‘Dilexi Te’, de Leão XIV, destaca a importância da Doutrina Social da Igreja, que acompanhou as mudanças sociais e económicas dos últimos dois séculos, e reforça o papel central dos pobres como protagonistas da mudança.
“A acelerada transformação tecnológica e social dos últimos dois séculos, cheia de trágicas contradições, não foi apenas sofrida pelos pobres, mas também por eles enfrentada e pensada. Os movimentos de trabalhadores, mulheres e jovens, assim como a luta contra a discriminação racial levaram a uma nova consciência da dignidade daqueles que estão à margem”, escreve o Papa, no primeiro documento do género neste pontificado, divulgado hoje pelo Vaticano.
O título ‘Dilexi Te’ (Eu amei-te, em português) é retirado de uma passagem do último livro da Bíblia, o Apocalipse (Ap 3, 9). Francisco estava a preparar esta exortação apostólica, antes da sua morte (21 de abril), um projeto agora assumido e publicado por Leão XIV.
“É preciso reconhecer novamente que a realidade se vê melhor a partir das periferias e que os pobres são sujeitos de uma inteligência específica, indispensável à Igreja e à humanidade”, indica o Papa, nascido nos EUA e antigo missionário no Peru." in agência ecclesia
Veja a exortação completa AQUI
terça-feira, setembro 23, 2025
Voar como as Crianças
“Nessa ocasião,
os discípulos vieram a Jesus e perguntaram: "Afinal, quem é o maior no
reino dos céus?".
Então Jesus
chamou uma criança pequena e a colocou no meio deles.
Em seguida, disse: "Eu lhes digo a verdade: a menos que
vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no reino dos
céus.
Quem se torna humilde como esta criança é o maior no reino dos
céus,
e quem recebe
uma criança como esta em meu nome recebe a mim."
Mateus
18:1-5
No passado fim-de-semana, tinha conseguido um espaço livre para arrumações em casa, limpeza aqui, uma caixa acolá e eis que aparece uma fotografia que tinha tirado numa viagem de avião quando regressava de Paris, há uns anos. E lembrei-me do que me aconteceu, tão especial! Recordo…
Estava cansado e queria regressar o mais rapidamente possível ao nosso país, quando vejo numa das alas do avião uma senhora com uma menina de olhos azuis a olhar para mim, “...mas que linda criança!”, pensei eu. Olhei para o bilhete, na busca rápida do lugar, pois pensava dormir durante aquele voo, quando, para meu espanto, o lugar era exactamente ao lado da mãe daquela criança com um sorriso muito genuíno e simpático. Enquanto arrumava a mala de mão, sou surpreendido com vozinha: “Olá, eu sou a Maria e tu?” Era exactamente a criança que me perseguia com o olhar desde que eu tinha entrado no avião. Olhei, sorri e disse “Boa noite” à mãe e respondi à menina “Eu sou o Cláudio”.
Tinha assim acabado a minha tentativa de ter algumas horas de sono, encontrando motivo para conversa.
“Olha Cláudio, tenho 7 anos, ando na segunda classe e vim ver o meu pai....”. A mãe retorquiu com um sorriso nos lábios e disse-me: “O meu marido é emigrante em França há já alguns anos e viemos passar alguns dias com ele.”
“Põe o cinto Cláudio. O avião vai levantar voo.” Disse-me a Maria com um ar encantador.
E assim foi, o voo já estava “acertado”, e a Maria voltou a comentar: “O meu pai gosta muito de mim, sabias?”... Acenei com a cabeça de forma positiva e de seguida despertou ainda mais a minha atenção quando disse: “O meu pai disse-me que Jesus gosta de todas as crianças...”, a partir daqui aquela criança conquistou-me totalmente. E continuou: “Sabes, eu costumo rezar. Tu rezas??”... Entretanto a mãe disse: “Maria, não incomodes o senhor”... E eu disse: “Não há problema”, e virei-me para a Maria e respondi à sua pergunta: “Maria, sim eu rezo... Acredito, como tu, que Jesus é muito nosso amigo e gosta muito de nós...”.
Convém dizer que todos os passageiros sentados por perto estavam boquiabertos e encantados a assistir à nossa conversa. E ela continuou: “Amanhã já tenho escola, e ainda bem porque já tenho muitas saudades da D. Emília, a minha professora.” Irrequieta, não parava. Aquela simpática criança era o centro das atenções naquele voo. Voltava-se para trás, ria e às vezes até saltava no banco, logo devidamente repreendida pela mãe.
Entretanto, era chegada a hora da refeição no voo. A hospedeira pôs os tabuleiros e a respectiva comida. A Maria, numa generosidade digna apenas das crianças, disse-me: “Queres o meu bolinho?”. Recusei e disse-lhe: “É para ti. Come, é bom!”. E ela respondeu: “Eu sei Cláudio, mas eu gosto de dar o que é bom aos outros”. No momento parei e reflecti, “Meu Deus, mas que resposta... que lição de vida!”. E lá continuou ela com a sua alegria e espontaneidade.
Conversámos, brincámos e até me mostrou a nova prenda que o pai lhe tinha oferecido. Tudo isto com uma subtileza, uma pureza que apenas as crianças têm.
E eu que queria descansar e dormir naquele voo, nem dei por ele passar. Já estava na hora de aterrar. “Olha o cinto amigo Cláudio...”, lá dizia a Maria.
Entretanto, mais uma vez, a Maria “volta à carga” olhando através da janela, onde a bonita paisagem de Lisboa já era totalmente visível, disse-me com um sorriso malandro: “... Isto tudo ainda há de ser nosso, Cláudio”. A mãe, mesmo ao lado, não resistiu e deu uma forte gargalhada. Com um olhar zangado, a Maria respondeu dizendo: “Eu sei que é difícil, mas deixa-me sonhar!” retorquiu com grande convicção.
Chegámos ao tapete rolante e aguardávamos as malas. As minhas chegaram primeiro, e, quando nos preparávamos para nos despedir, aquela criança saltou-me para o pescoço e deu-me um grande abraço e muitos beijos. Mais uma vez a mãe interveio dizendo: “Olhe, ela é sempre assim!!” E eu respondi: “Ainda bem...!!”
Caro amigo leitor, como já lhe disse, esta história verídica já aconteceu há muitos anos, mas lembro-me dela como se de hoje se tratasse. Não esqueci aquela linda criança. Ela tinha tudo de bom. Quando cheguei àquele avião senti hospitalidade, partilha, amizade, o acreditar nos sonhos e, por fim, a ternura.
Na “lufa-lufa” e nas correrias do aeroporto, acabei sem saber de onde aquela criança era e onde morava, mas... não é preciso. O seu exemplo é aquilo que todos deveríamos ser uns para os outros, e quanto à morada, pelo menos uma ela já tem, mora no lado esquerdo do meu peito.
Foi bom voar contigo Maria, e espero nunca aterrar.......
Cláudio Anaia
terça-feira, setembro 16, 2025
" .... quero que de pé assistam às minhas vitórias ! "
sexta-feira, setembro 12, 2025
Cápsulas solares para ajudar os sem abrigo
domingo, setembro 07, 2025
Santo Carlo Acutis
quinta-feira, agosto 28, 2025
"sem pensar ou questionar, para terem em troca erva e palha"
quinta-feira, agosto 21, 2025
“É uma fome causada pela crueldade”
Veja a noticia aqui : https://www.sabado.pt/video/detalhe/e-uma-fome-causada-pela-crueldade-onu-declara-oficialmente-fome-em-gaza
sexta-feira, agosto 15, 2025
Moscatel de Reserva para ajudar nas obras da Igreja da Moita.
quarta-feira, agosto 13, 2025
domingo, agosto 10, 2025
sexta-feira, agosto 08, 2025
A cobra e o pirilampo
“Traga sua inveja, que eu trago minha oração. Vamos ver qual é a mais forte”
Na história da nossa vida, acontecem-nos muitas coisas más e injustas, e estava eu a reflectir sobre isso, quando recebo uma mensagem da minha amiga Lara que vive no Canadá e me apresentou esta fabula que tem tanto de simples como de real:
“Era uma vez um jovem pirilampo que apenas brilhava, como era da sua natureza, sem perceber muito bem o porquê, viu-se perseguido por uma cobra.
Começou por fugir na esperança que a cobra desistisse, mas esta cada vez se tornava mais rápida.
O pirilampo conseguiu fugir durante um dia, dois dias, sem parar.
A cobra, por seu lado, não abrandava nem mostrava cansaço, cada vez mais decidida a alcançá-lo.
Ao terceiro dia, o pirilampo perdeu as forças e exausto, desistiu de se tentar salvar.
Entretanto, porque não percebia as razões da cobra, teve a coragem de lhe perguntar:
- Antes de me comeres, posso fazer-te 3 perguntas?
- Eu não tenho o hábito de deixar as minhas vítimas falarem. Mas, já que resististe tanto tempo, concedo-te esse desejo.
E o pirilampo perguntou:
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não. – respondeu a cobra.
- Fiz-te algum mal?
- Também não!
- Então porque me queres comer?
- Porque não suporto ver-te brilhar!!!“
A grande lição que se tira desta história é por vezes deparamo-nos com pessoas que agem como serpentes e tentam prejudicar-nos a todo o custo, comigo já aconteceu algumas vezes. Faz parte da vida e pode acontecer a qualquer um. Mas jamais permitam que uma cobra, vos impeça de brilhar. Sejam antes felizes. Sendo a felicidade contagiosa, perdoa sempre como Jesus nos ensinou e quem sabe se não conseguem transformar a cobra num radioso pirilampo.
Façam o favor de serem todos felizes.
Cláudio Anaia
quarta-feira, julho 30, 2025
Fábia Rebordão & Renato Teixeira - ROMARIA
Um encontro entre gerações, entre fado e música brasileira.
Uma travessia de fé, emoção e entrega.
“Romaria”, de Renato Teixeira, é agora interpretada num dueto profundo e comovente entre o autor e Fábia Rebordão, uma das vozes mais marcantes do fado contemporâneo.
Esta versão integra o disco Pontas Soltas (2024), onde Fábia partilha canções com Ney Matogrosso, Zeca Baleiro.
Fábia Rebordão interpreta neste álbum, temas que são intemporais
quinta-feira, julho 24, 2025
O que diz a IA sobre a liberdade de expressão?
"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir."
"A liberdade de expressão é um direito fundamental que garante a qualquer indivíduo a possibilidade de expressar e divulgar suas opiniões, ideias e pensamentos sem medo de censura ou retaliação. Este direito é essencial para a participação democrática e para a proteção da dignidade humana. No contexto português, a liberdade de expressão é protegida pela Constituição, artigo 37º, e é um dos pilares da democracia A liberdade de expressão abrange a faculdade de procurar, receber e difundir informações e ideias por qualquer meio, sem consideração de fronteiras. "
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo 19º, estabelece que "Toda a pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de não ser incomodado pelas suas opiniões e de, através de qualquer meio de comunicação e independentemente das fronteiras, procurar, receber e difundir informações e ideias".
quarta-feira, julho 16, 2025
Diocese de Setúbal celebra hoje o seu 50º Aniversário
A Diocese de Setúbal, foi criada em 16 de julho de 1975, pela bula Studentes Nos do Papa Paulo VI. A 26 de Outubro do mesmo ano foi ordenado, na Sé Catedral de Santa Maria da Graça, o primeiro bispo da diocese, o carismático, D. Manuel da Silva Martins.
Uma diocese muito activa que conta com um total de 52 paróquias agrupadas em 7 vigararias, geograficamente com uma área de cerca 1500 km2, a diocese de Setúbal abrange 9 concelhos: Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo (incluindo as freguesias de Canha, Pegões e Santo Isidro, desmembradas da Arquidiocese de Évora), Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal e ainda duas parcelas territoriais que ficaram a integrar a nova paróquia da Comporta (Comporta - proveniente da freguesia e concelho de Alcácer do Sal, Arquidiocese de Évora e Troia - proveniente da freguesia de Melides, concelho de Grândola, Diocese de Beja).
De acordo com os dados dos Censos de 2021, a Diocese de Setúbal tem cerca de 545.000 católicos. A população total da região é de cerca de 779.373 habitantes. Em 2021, os católicos representavam aproximadamente 80% da população total.
A Diocese de Setúbal é a segunda menor em área em Portugal, mas a quarta em número de católicos, atrás de Lisboa, Porto e Braga
Na Diocese de Setúbal ficam também localizados os seguintes Santuários:
· Santuário Nacional de Cristo Rei · Santuário de Nossa Senhora da Atalaia
· Santuário de Nossa Senhora do Cabo
Até aos dias de hoje, passaram pela Diocese 4 bispos:
1º D. Manuel da Silva Martins (1975-1998)
2º D. Gilberto Délio Gonçalves Canavarro dos Reis (1998-2015)
3º D. José Ornelas Carvalho (2015-2022), Nomeado Bispo de Leiria-Fátima
4º D. Américo Manuel Alves Aguiar (2023-Atual)
A Celebração do 50º aniversário da Diocese de Setúbal que teve neste seu jubileu como lema "Peregrinos de Esperança", teve início em julho de 2024 e que se estende até ao final de 2025, incluiu durante todo o ano diversas iniciativas e celebrações para marcar a data.
As celebrações do dia de hoje, começaram de manhã com a oração “Te Deum” tradicionalmente rezado em momentos de celebração e em ações de graças.
E na parte da tarde com a inauguração da exposição "Faça-se Luz", na Galeria Municipal do 11, em Setúbal. A mostra, organizada em parceria com a Câmara Municipal, apresenta obras de 30 artistas contemporâneos, explorando o simbolismo da luz em diversas expressões artísticas. A exposição estará aberta ao público até 30 de agosto.
Cláudio Anaia
segunda-feira, julho 14, 2025
sexta-feira, julho 04, 2025
sexta-feira, junho 27, 2025
“Mas isso é outra História ….” novo livro da jornalista Cristiana Vargas
terça-feira, junho 24, 2025
Festa de São Josemaría Escrivá – Seminário de Almada
São Josemaría Escrivá de Balaguer , foi um sacerdote católico espanhol e fundador do Opus Dei, uma Prelazia Pessoal da Igreja Católica. Foi canonizado em 2002 por São João Paulo II. Sua festa litúrgica é celebrada no dia 26 de junho.
domingo, junho 22, 2025
Quarenta árvores em discurso directo
Hoje na sessão de autógrafos do livro " Quarenta Árvores" do meu padrinho António Bagão Felix.
A ler!!!
Vejam aqui : https://www.portoeditora.pt/produtos/ficha/quarenta-arvores/31167009
quarta-feira, junho 18, 2025
Morreu o médico psiquiatra José Luís Pio Abreu
Morreu hoje o médico psiquiatra José Luís Pio , aos 81 anos, o autor do livro "Como Tornar-se Doente Mental", editado em 2006, é a sua obra mais marcante e continua a ser um dos principais "bestsellers" nacionais da área da psiquiatria, com 19.º edições.
Nascido em Santarém em 1944, José Luís Pio Abreu editou ainda "Quem Nos Faz Como Somos" (2007), "Estranho Quotidiano" (2010), "O Bailado Da Alma" ( 2014), "A Queda dos Machos" ( 2019) e a "Pequena História da Psiquiatria" (2021).Psiquiatra dos Hospitais da Universidade de Coimbra e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, foi também presidente da Sociedade Portuguesa de Psicodrama (SPP) e era, desde 2014, membro do Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa. Foi homenageado pelo seu percurso enquanto médico psiquiatra no XVII Congresso Nacional de Psiquiatria, em 2023.
Durante o seu percurso universitário fez parte da revolta estudantil de Coimbra, em 1969, também conhecida como Crise Académica, em que os estudantes exigiam a reintegração de professores e a democratização do ensino superior, em rebelião contra a ditadura do Estado Novo.
Festival de Almada apresenta a sua 42.ª edição e homenagem à actriz Lia Gama
Hoje, no Convento dos Capuchos foi apresentado o
programa da 42º edição do Festival de Almada.
Almada prepara-se para receber o seu principal festival de artes
performativas, que decorre entre 4 e 18 de julho, com uma programação rica e
diversificada. Numa Organização da Companhia de Teatro de Almada (CTA) em parceria
com a Câmara Municipal de Almada, o Festival de Almada 2025 contará com 46
espetáculos de teatro e dança, 16 concertos ao ar livre e várias atividades
paralelas, incluindo colóquios, debates e exposições.
Este ano, o festival
presta homenagem à atriz Lia Gama, figura de referência do teatro português,
com uma exposição evocativa intitulada Na
casa dos Espelhos, assinada pelo cenógrafo e pintor português, José
Manuel Castanheira. A homenagem integra ainda a mostra Espetáculos de honra, escolhas do público e
a exposição Linogravuras, de
Jorge Nesbitt, autor do cartaz e da capa do programa desta edição.
A abertura oficial será
feita em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, com o espetáculo Qui som?, da companhia
franco-catalã Baro d’Evel, apresentado nos dias 4 e 5 de julho. Uma peça
irreverente, que mistura dança, circo e humor, foi recentemente aclamada no
Festival d’Avignon.
No mesmo dia, já em
Almada, sobe ao palco Les
gros patinent bien – Cabaret de carton, um espetáculo visual e
performativo da companhia francesa Le Fils du Grand Réseau. Destaque também
para a estreia absoluta da peça Um
adeus mais-que-perfeito, com texto de Peter Handke e encenação de
Teresa Gafeira, uma produção da CTA inspirada na história trágica da mãe do
autor austríaco.
Em declarações ao Relances , Rodrigo Francisco o director do festival, disse:” O grande destaque
deste festival é esta companhia manter este festival há 42 anos e de apresentar
os 15 dias mais aguardados do teatro português”. Quando questionado sobre o
porquê da maioria dos espetáculos ser estrangeira, disse: “Noventa por cento
das pessoas que nos visitam não teriam possibilidade de viajar para Berlim, Madrid
ou Palermo, para assistir as estas criações, como pretendemos criar serviço público,
trazemos estes espetáculos que de outra forma não poderiam ser vistos pelo
nosso público”.
De seguida, conversámos
com Lia Gama, a homenageada deste ano que declarou: “Esta homenagem foi uma
grande surpresa e não estava mesmo nada à espera. Numa caminhada tão longa, que
começou com os meus 15 anos e agora tenho 81, parece-me que foi tudo ontem, foi
tudo ali ao lado. Sinto-me muito, muito
gratificada”.
O certame
associa-se ainda às comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões,
com os Encontros na Casa da Cerca – “Camões, Camões”, numa parceria com a
Comissão para as Comemorações do V Centenário do poeta.
O orçamento do Festival de Teatro de Almada 2025 é de 598.674
euros. Este valor é financiado pela Direção-Geral das Artes, em que cerca
de um terço são receitas próprias da Companhia de Teatro de Almada (CTA), e o
restante assegurado pelo Ministério da Cultura e pela Câmara Municipal de
Almada.
O
programa completo pode ser visto em: https://festival.ctalmada.pt/42fa-espectaculos/
terça-feira, junho 03, 2025
A Dom Quixote edita na próxima segunda-feira, 9 de Junho,"Leão XIV: O Sucessor Inesperado", do jornalista francês Christophe Henning - colunista do jornal La Croix e apresentador da RCF-Radio Notre-Dame -, com prefácio do Cardeal francês Jean-Paul Vesco. A primeira biografia do novo Papa traça o seu perfil e detalha o que o seu papado pode representar num momento de tantas divisões e polarizações, tanto dentro e fora da Igreja.
A 8 de maio de 2025, os cardeais reunidos em Conclave elegeram Robert Francis Prevost como o 267.º Papa da Igreja Católica, e o norte-americano escolheu o nome de Leão XIV. Dignitário da Cúria depois de ter sido missionário no Peru, o novo Papa é resolutamente um homem de paz e de unidade. A primeira biografia do Papa inesperado relata os dias que o conduziram à Cadeira de São Pedro. Escrito depois de um Conclave particularmente rápido, o livro revela quem é Leão XIV, de onde vem e quais poderão ser as suas prioridades numa Igreja posta à prova, entre as diferentes sensibilidades e algum desapego dos fiéis.
O relato da sua eleição é seguido de uma panorâmica dos desafios que esperam o novo Papa, bem como dos dossiês por tratar. A evocação da herança do Papa Francisco e dos últimos Conclaves permite compreender melhor como Leão XIV já faz parte da História.
A biografia também mergulha em detalhes da vida pessoal e familiar de Robert Francis Prevost, revelando uma trajetória marcada pela sua vocação precoce. Nascido em Chicago, em 1955, filho de mãe espanhola e pai de origens francesa e italiana, Prevost cresceu no bairro operário de South Side. A família vivia numa casa de tijolos adquirida em 1949 e seguia uma rotina simples, entre partidas de beisebol, banhos de piscina e viagens curtas de comboio pela cidade. Ele e os dois irmãos foram educados por religiosos da Ordem de Santo Agostinho, a qual viria a moldar profundamente o caminho espiritual de Robert.
Desde cedo, porém, algo o distinguia dos demais. Ainda criança, gostava de brincar de Missa com os irmãos e vizinhos. “Algumas crianças gostam de brincar de guerra e ser soldados? Ele queria brincar de padre”, contou John Prevost, irmão do papa, em entrevistas à imprensa americana. “Ele pegava a tábua de passar roupa da nossa mãe, cobria com uma toalha de mesa e dizia que era o altar. Sabia as orações em inglês e em latim, e fazia isso o tempo todo. Levava muito a sério.” Aos 14 anos, ingressou no seminário da congregação agostiniana, ao qual permanece.
CHRISTOPHE HENNING é jornalista no jornal La Croix e apresentador na RCF Radio Notre Dame. É autor de numerosas obras sobre a vida da Igreja Católica ou consagradas a grandes figuras espirituais, como os monges de Tibhirine.

















