quarta-feira, novembro 24, 2010
O olhar, o ver, o entender o outro: o sofrimento do outro, a arrogância dos outros, a solidão que os outros provocam naquele outro. E por fim, fazer-se próximo, mesmo que longe; encurtar as distâncias, querer ser igual no que o outro tem de diferente. Não é por isto que estamos À Espera? De um OUTRO que se fez igual, na estranheza da nossa diferença?
Bernardo Caldas
quinta-feira, novembro 18, 2010
O compromisso com um país que é nosso

No rescaldo da discussão e aprovação do Orçamento de Estado, temos vivido tempos de manifestações e cartazes de descontentamento, denúncias de desperdícios aberrantes de dinheiros públicos, a confusão da greve geral convocada em conjunto pelas duas intersindicais (coisa que não acontecia desde 1988), unidas perante um “inimigo comum”. Não é possível ignorar o cenário de desânimo, medo e acusação recíproca. Porque quem devia ter feito não fez, ou fez mal, porque muitos tinham previsto e ninguém os ouviu, porque se aperta o cinto a uns e não a outros. A verdade é que, de uma forma ou de outra, agora todos vão ser atingidos: uns porque são funcionários públicos e vão ver os seus salários reduzidos, outros porque recebiam abono de família e deixarão de o receber, e todos – não há como escapar – porque passaremos a pagar um IVA de 23% quando formos às compras. O país já estava em crise, o desemprego já superara a barreira dos 10%, as instituições de solidariedade já se viam a braços com sucessivas vagas de novos pobres a quem acudir. Já tinha havido vários PEC, já todos tínhamos refilado, mas nunca como agora o país se assustou. A corrupção era crónica, a cultura do mérito já fora destronada pela figura do “espertalhão”. Mas agora é que as consequências vieram ao de cima e deixou de ser possível camuflá-las. No descontentamento geral que se sente, porém, notam-se dois fenómenos, que muitos apelidariam de “tipicamente portugueses”, mas talvez sejam simplesmente “humanos”. Por um lado, o facto de a tendência de nos interessarmos pelas medidas do governo e de refilarmos contra elas acontecer porque “nos vão ao bolso”. Os funcionários públicos teriam organizado uma manifestação se não tivessem sido alvo de um corte de salários? Haveria tantos grevistas no dia 24 de Novembro se a bancarrota do país não tivesse um impacto directo no seu poder de compra? Por outro lado, é notório o vício de nos unirmos para encontrar bodes expiatórios para o mal de que padecemos, em vez de olharmos para o que nos compete fazer em favor do bem comum. O abono de família a que renuncio é algo que me é “roubado”. Se deixar de ter subsídio de férias ou de Natal, é porque “eles” mos “cortaram”. Tudo me é tirado à força, não são sacrifícios que faço, juntamente com os que me rodeiam, com a consciência de que há períodos assim (sempre os houve na História) e serão certamente ultrapassados, com o esforço de todos. Claro que há culpados, claro que há irresponsabilidade. E sem dúvida que muita gente permanecerá impune, apesar das más decisões tomadas, ou decisões difíceis por tomar. Mas o espírito de apontar o dedo sem olhar para os privilégios que eu ainda tenho e de que posso abdicar (sim, porque receber 14 meses quando se trabalha 12 não deixa de ser um privilégio), não leva a lado nenhum. Como disse Hugo Gonçalves no seu “elogio da crise”, «nós, os filhos do pós-revolução, crescemos com televisões a cores, jogos de computador, os videoclips da MTV a açucarar-nos a vida. (…) Recebemos o conforto que faltou aos nossos pais. Trabalhamos num escritório com ar condicionado e wi-fi, numa rua com dezenas de multibancos. (…) Cruzámos os braços. Não fomos votar no referendo do aborto. Comprámos, por fim, a casa. (…) Em breve, caso a depressão económica nos arrase, deixaremos de ter subsídios de férias e segurança social e ar que se respire. Em breve seremos mais frugais, mais sensatos, obrigatoriamente mais activos. Precisamos muito desta crise.» Precisamos dela para nos desinstalarmos, para nos virarmos para aqueles que estão muito pior do que nós, para reconhecermos que ter limites para as próprias aspirações não é tabu, e que de facto, até agora, fomos talvez uma geração mimada. Está na altura de nos perguntarmos: qual o meu papel neste tempo novo de reconstrução? | |
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domingo, novembro 14, 2010
Simular a terceira dimensão
A terceira dimensão costuma ser uma realidade que exerce um fascínio quase irresistível.
Talvez porque a esta tridimensionalidade possa explicar o que somos: cada um de nós tem uma identidade própria, através do qual nos pomos em relação com os outros ao longo de uma história concreta. Esta história real e mostrada em 3D nem sempre é clara.
Nela, muitas vezes, se confundem a imagem e a imaginação, a realidade e a ficção, a verdade e a representação. Para que não percamos o sentido verdadeiro do real, serão necessários três passos. Recordar o que somos e o que recebemos. Entender e interpretar os acontecimentos da nossa história. E, por fim, a necessária vontade para mudar o que necessita de conversão. É esta visão tridimensional que nos pode fascinar.
Nuno Branco
quarta-feira, novembro 10, 2010
.Ora aqui está o diálogo inteligente do Estado....

Utilizador - Pagador
Contribuinte - Gostava de comprar um carro.
Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte - Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?
Estado - Sim. De acordo com o valor do carro (IVA)
Contribuinte - Ah. Só isso.
Estado - e uma "coisinha" para o por a circular (selo)
Contribuinte - Ah!
Estado - e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)
Contribuinte - mas sem gasolina eu não circulo.
Estado - Eu sei.
Contribuinte - mas eu já pago para circular.
Estado - claro.
Contribuinte - então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado - também. mas isso é o IVA. o ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte - diferente?
Estado - muito. o ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte - porque existe?
Estado - há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petroleo. e você paga.
Contribuinte - só isso?
Estado - Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte - como assim?
Estado - Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte - para o estacionar?
Estado - Exacto.
Contribuinte - Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado - Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte - Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado - Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte - Novo?
Estado - é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte - Pago para você ver se pode cobrar?
Estado - Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...
Contribuinte - Mais uma coisinha?
Estado - Para circular em auto-estradas
Contribuinte - mas eu já pago imposto de circulação.
Estado - mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte - Diferente?
Estado - Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte - Só mais isso?
Estado - Sim. Só mais isso.
Contribuinte - E acabou?
Estado - Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte - Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado - Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros é quanto custa.
Contribuinte - custa o quê?
Estado - Pagar.
Contribuinte - custa pagar?
Estado - sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte - Pagar custa 25 euros?
Estado - Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte - Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado - Imagine que um dia quer...tem que pagar
Contribuinte - tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado - Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte - E se eu não quiser?
Estado - Paga multa.
Rodrigo Moita de Deus
segunda-feira, novembro 08, 2010
ROSTO DA MULHER ATRAVÉS DE 500 ANOS DE ARTE - MAGNIFICO !!
O rosto da mulher através de 500 anos de arte...
Este vídeo é uma verdadeira obra de arte digital.
Foi visto por mais de 5,3 milhões de visitantes no YouTube e deu origem a mais de 10.000 comentários em 2 meses.
Lindo!!!
Preste atenção como o foco do olhar não se perde...incrível!!
sexta-feira, novembro 05, 2010
Viver ou Juntar dinheiro?

Do Brasil recebi um email do qual transcrevo :
Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários.
Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia,
nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária.
É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.
Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.
Que tal um Cafezinho ?
quarta-feira, novembro 03, 2010
Quando no início comecei a ver este vídeo não pude deixar de fazer um paralelismo com a parábola do semeador (Mt 13, 1-23). No entanto, à medida que o filme ia avançando fui-me distanciando desta ideia e a razão é simples: a pessoa que aparece no filme não se compara com o Semeador do Evangelho. Ele observa rápida e duramente, sem carinho algum, o resultado de cada semente semeada, ficando-nos até a dúvida se foi ele quem semeou. Não passa de um cientista a testar a semente e as condições perfeitas para o seu crescimento, rotulando o que está mal e concentrando-se apenas naquele vaso de barro com terra fértil que, depois de semeado em determinadas condições, dá bons resultados.
O Semeador do Evangelho não é assim.
Não só temos a certeza que é Ele quem semeia, sendo portanto a semente de excelente qualidade, como também sabemos que apesar de muitas vezes não nos desenvolvermos, crescermos mal, endurecermos, sufocarmos, etc… o Semeador nunca desiste de nós.
Rita Casqueiro
segunda-feira, novembro 01, 2010
Vida. Para sempre.

Com Novembro, aceitamos que chegou, efectivamente, o Outono. Os dias ficam mais pequenos. As cores suavizam-se. Somos convidados a ficar mais em casa. Na nossa. Na dos amigos. Naquela que é o interior de cada um. O nosso de espaço de estar parece mais limitado. Parece haver mais lugar para o silêncio.
No início de Novembro, a igreja convida-nos a visitar este silêncio, a fazer memória daqueles que povoam a nossa vida e o nosso coração. Os que nos precederam e, de alguma forma, marcaram e marcam a nossa identidade. Somos convidados a olhar o ser humano que experimenta a impotência , os seus limites e a sua finitude. Pensar num ser humano, sem pensar na morte, é pensar num ser que não seria humano. Somos seres limitados. E ainda que possamos, por vezes, parecer viver sem experimentar os nossos limites, há sempre um tempo que chega em que eles se fazem sentir. Fazer memória da morte de alguém que nos é querido, que faz parte da nossa vida, é tomar consciência da nossa humanidade, da nossa fragilidade. Fazer memória da morte de alguém é pedirem-me para acolher algo que nunca poderei compreender totalmente. Fica a saudade. Fica a recordação. Mas, principalmente, fica a vida que foi aceite viver. E que fica, para sempre, a fazer parte da minha vida, em comunhão.
Margarida Corsino da Silva
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