Sinto‑me feliz por ter nascido em Portugal e na Europa.
Durante muitos anos desenvolvi a minha investigação com a UE, através de variados projetos científicos.
Fui Delegado Nacional em iniciativas de cooperação científica envolvendo vários países europeus.
Por isso, visitar os edifícios institucionais da União Europeia em Bruxelas era algo habitual.
Hoje, ao visitar o Parlamento Europeu em Luxemburgo, percebi que a minha pequena contribuição — no meio de tantos milhares de pessoas que fizeram e fazem muito mais do que eu — não foi em vão.
Vivemos um tempo em que uma das maiores democracias do mundo está em colapso.
A Europa tornou‑se a única referência global.
E precisa da colaboração de todos para que não desapareça.
A democracia não é perfeita.
Mas é talvez o melhor que conseguimos construir para garantir voz, liberdade, paz, justiça, igualdade e combate à pobreza.
Fiquei satisfeito ao ver que a UE defende estes valores — e que Portugal continua a ser um dos países mais pacíficos e seguros do mundo, como mostra uma foto.
Se o sistema não é perfeito, é porque nós, humanos, também não somos.
Precisamos de nos sintonizar com Aquele que nos criou.
Sem Ele, andamos à deriva.
Dou graças a Deus por ser crente, cristão e católico.
Muitas pessoas têm uma ideia vaga — e muitas vezes errada — sobre a religião e sobre o catolicismo.
E se vos disser que todos estes valores que mencionei derivam do cristianismo?
Antes que “atirem pedras”, deixo claro: a Inquisição ou os abusos de alguns sacerdotes não beliscam o projeto de Deus nem os valores do Evangelho.
A Igreja é feita de pessoas normais, não de santos.
É um hospital onde todos procuram cura.
Se escutarmos Deus — o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, seguido por cristãos, judeus, ortodoxos e muçulmanos — chegamos a estes valores universais que tiveram a sua expressão máxima em Jesus Cristo.
Durante anos ouvi a mentira de que a maioria das pessoas não acredita em Deus.
Na verdade, é preciso ignorar quem somos e o universo que nos rodeia para não reconhecer que existe um ser superior que criou tudo.
O ser humano, sozinho, não chega a Deus.
Por isso, a revelação só poderia vir d’Ele.
E veio lentamente: começou com Abraão, continuou através dos crentes, e culminou na plenitude dos tempos com Jesus Cristo.
Basta ler qualquer um dos quatro Evangelhos para conhecer Deus na Sua expressão máxima.
Sem aprofundar estes conhecimentos, nunca saberemos quem somos, qual o sentido da vida ou como contribuir para um mundo mais justo e feliz.
Mas para dar este passo é preciso humildade.
É preciso abrir o coração à revelação que nos foi deixada.
Estamos disponíveis para conhecer para além dos sentidos?
Ou achamos que basta o que vemos?
Cada um saberá de si.
Não há maior liberdade do que a dada pelo cristianismo.
Deus deu‑nos o livre‑arbítrio para O aceitarmos ou rejeitarmos.
Um dia saberemos o que isso significa.
Francisco Cercas
