quarta-feira, fevereiro 25, 2026

O Triunfo do Coração


"Não é o quanto fazemos, mas o quanto amor colocamos no que fazemos que realmente importa." — Madre Teresa de Calcutá

A inspiração para este artigo surge do comentário do meu amigo, o padre Ricardo Figueiredo, a um filme chamado "O Triunfo do Coração", de Anthony D’Ambrosio. Este filme, mais do que narrar um episódio histórico, coloca uma das perguntas mais desafiadoras do século XX: o que resta do homem quando a ele tudo é retirado? Esta questão ressoa profundamente quando recordamos as vítimas do Holocausto. E é a partir desta reflexão que percebo o poder do coração.

Vivemos numa sociedade dominada pelo materialismo, onde o interesse próprio e a agressividade tomam o lugar do altruísmo. Mas conheci, no Brasil, missionários que, abandonando vidas estruturadas na Alemanha, com conforto e carreira, se entregaram às favelas, ao serviço dos mais pobres. Como eles, os irmãos de São João de Deus, na casa de saúde do Telhal, deixaram tudo para cuidar de doentes mentais, dedicando-se a eles com a fé como guia. E, tal como nas irmãs da Madre Teresa de Calcutá, vi, em Setúbal, o coração triunfar, pois elas deixaram tudo nos seus países para acolher crianças pobres, doentes, com deficiências. A felicidade delas, na entrega, mostra que o coração, ao se abrir ao serviço, é a verdadeira fonte da felicidade e da esperança.

E não podemos esquecer que, além dos missionários conhecidos, há incontáveis pessoas que, no silêncio, fazem o bem. São aquelas que, sem busca por reconhecimento, estendem a mão ao próximo, acolhem um estranho, confortam um idoso esquecido. No anonimato, elas são o verdadeiro triunfo do coração, provando que o bem não precisa de aplausos; ele se sustenta na pureza do gesto.

O triunfo do coração, sobre o materialismo, é o caminho certo. Porque, embora o materialismo possa oferecer resultados imediatos na sociedade de consumo, onde tudo é rápido e efémero, a nossa felicidade não se constrói na espuma dos dias. Esquecemos, tantas vezes, o que é essencial: o amor a todos. E esse amor, como nos mostram os missionários, os irmãos e as irmãs, passa sempre pelo coração.

Mas o triunfo do coração não é exclusivo de quem assume uma vida religiosa. Cada um de nós pode deixar o coração triunfar na nossa vida. Não precisamos ser consagrados. O coração triunfa no dia a dia, quando estendemos a mão ao vizinho que precisa, ao carenciado que bate à porta, ao desconhecido na rua a quem oferecemos um sorriso.

Especialmente aos mais pobre, muitas vezes abandonados, que só precisam de um gesto, de uma palavra, para se sentirem valorizados. Assim, deixamos que o coração triunfe, marcando a diferença, vivendo com propósito e construindo um mundo onde o essencial, o amor, nunca se perde.

Cláudio Anaia