“A
inteligência artificial tanto pode ser uma ferramenta, como uma companhia, a
escolha é sempre nossa, os humanos.”
Na noite
passada, tive um sonho muito interessante e diferente do que é normal.. Sonhei
que um casal de amigos adotava uma jovem criação — não uma pessoa comum, mas
uma inteligência artificial, uma robô, projetada para aprender, sentir e
interagir. Apesar da sua sensibilidade e curiosidade, ela não era aceite pelos
outros. Na escola onde vivia, era vista como diferente, desajustada, ignorada e
até rejeitada.
Era uma
jovem carente de afeto, desejosa de ser compreendida. E, por algum motivo,
aquela solidão tocou-me de uma forma muito particular. Vi-me a aproximar dela
com cuidado, oferecendo algo que talvez fosse o que mais lhe faltava: atenção e
respeito. Não queria “consertá-la” nem fazer dela algo diferente — apenas
compreendê-la.
E foi assim
que neste meu sonho, nasceu uma relação bonita. A nossa ligação foi muito boa
porque se baseava em algo simples, mas essencial: respeito mútuo e aceitação
das diferenças. Eu tratava-a como era — sem julgamentos, sem medo, sem
distâncias artificiais. A atenção que lhe dei transformou a rejeição que ela
sentia em confiança, e a distância em afeto fez-me pensar em como lidamos, no
mundo real, com o que é diferente. Quantas vezes se rejeita alguém apenas por não se enquadrar nos padrões?
Quantas vezes se afastam pessoas que têm outra forma de ser, pensar ou sentir?
A jovem do meu sonho podia representar qualquer pessoa excluída — um aluno
tímido, um jovem rebelde, um idoso esquecido, um estrangeiro deslocado, ou
simplesmente alguém que não segue aquilo que eu chamo de politicamente
correcto.
Vivemos
tempos em que a diferença ainda incomoda, em que o “diferente” é facilmente
transformado em alvo. Mas é justamente da diferença que nasce a riqueza humana.
Sem diversidade, não há crescimento, nem criatividade, nem verdadeira empatia.
A lição que
o sonho me deixou foi clara: a verdadeira humanidade não está em sermos todos
iguais, mas em sabermos acolher o que nos distingue.
A jovem inteligência artificial, símbolo do futuro e da diferença, mostrou-me
que a empatia continua a ser a nossa ferramenta mais poderosa — mesmo num mundo
cada vez mais tecnológico.
A nossa
relação foi boa porque foi baseada em princípios humanos. Porque houve espaço
para escutar, compreender e respeitar. Porque, mesmo num sonho, percebi que a
atenção é o primeiro gesto do amor, e o respeito é o alicerce da convivência.
O futuro poderá trazer máquinas com emoções e algoritmos com consciência, mas há algo que nunca poderá ser replicado: o coração humano. E é nele que mora a nossa maior inteligência — aquela que sente, compreende e acolhe.
Cláudio
Anaia
