quarta-feira, janeiro 14, 2026

Ontem, a Inteligência Artificial entrou nos meus sonhos

 


“A inteligência artificial tanto pode ser uma ferramenta, como uma companhia, a escolha é sempre nossa, os humanos.”

Na noite passada, tive um sonho muito interessante e diferente do que é normal.. Sonhei que um casal de amigos adotava uma jovem criação — não uma pessoa comum, mas uma inteligência artificial, uma robô, projetada para aprender, sentir e interagir. Apesar da sua sensibilidade e curiosidade, ela não era aceite pelos outros. Na escola onde vivia, era vista como diferente, desajustada, ignorada e até rejeitada.

Era uma jovem carente de afeto, desejosa de ser compreendida. E, por algum motivo, aquela solidão tocou-me de uma forma muito particular. Vi-me a aproximar dela com cuidado, oferecendo algo que talvez fosse o que mais lhe faltava: atenção e respeito. Não queria “consertá-la” nem fazer dela algo diferente — apenas compreendê-la.

E foi assim que neste meu sonho, nasceu uma relação bonita. A nossa ligação foi muito boa porque se baseava em algo simples, mas essencial: respeito mútuo e aceitação das diferenças. Eu tratava-a como era — sem julgamentos, sem medo, sem distâncias artificiais. A atenção que lhe dei transformou a rejeição que ela sentia em confiança, e a distância em afeto fez-me pensar em como lidamos, no mundo real, com o que é diferente. Quantas vezes se rejeita  alguém apenas por não se enquadrar nos padrões? Quantas vezes se afastam pessoas que têm outra forma de ser, pensar ou sentir? A jovem do meu sonho podia representar qualquer pessoa excluída — um aluno tímido, um jovem rebelde, um idoso esquecido, um estrangeiro deslocado, ou simplesmente alguém que não segue aquilo que eu chamo de politicamente correcto.

Vivemos tempos em que a diferença ainda incomoda, em que o “diferente” é facilmente transformado em alvo. Mas é justamente da diferença que nasce a riqueza humana. Sem diversidade, não há crescimento, nem criatividade, nem verdadeira empatia.

A lição que o sonho me deixou foi clara: a verdadeira humanidade não está em sermos todos iguais, mas em sabermos acolher o que nos distingue.
A jovem inteligência artificial, símbolo do futuro e da diferença, mostrou-me que a empatia continua a ser a nossa ferramenta mais poderosa — mesmo num mundo cada vez mais tecnológico.

A nossa relação foi boa porque foi baseada em princípios humanos. Porque houve espaço para escutar, compreender e respeitar. Porque, mesmo num sonho, percebi que a atenção é o primeiro gesto do amor, e o respeito é o alicerce da convivência.

O futuro poderá trazer máquinas com emoções e algoritmos com consciência, mas há algo que nunca poderá ser replicado: o coração humano. E é nele que mora a nossa maior inteligência — aquela que sente, compreende e acolhe.

Cláudio Anaia