quinta-feira, outubro 30, 2014

Vaticano: «Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos»




O Papa Francisco apelou hoje à defesa dos direitos dos trabalhadores e das suas famílias, durante um encontro com os participantes no primeiro encontro mundial de Movimentos Populares.

“Digamos juntos, de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”, declarou, perante trabalhadores precários e da economia informal, migrantes, indígenas, sem-terra e pessoas que perderam a sua habitação.

O encontro é promovido até quarta-feira pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz (Santa Sé), em colaboração com a Academia Pontifícia das Ciências Sociais.

“Não existe pior pobreza material do que aquela que não permite ganhar o pão e priva da dignidade do trabalho. O desemprego juvenil, a informalidade e a falta de direitos laborais não são inevitáveis, são o resultado de opção social prévia, de um sistema económico que coloca os lucros acima do homem”, defendeu o Papa.

A intervenção alertou para o “escândalo da fome” e as consequências da “cultura do descartável”, condenando os “eufemismos” que se utilizam para falar do “mundo das injustiças”.

“Este sistema já não se consegue aguentar. Temos de mudá-lo, temos de voltar a levar a dignidade humana para o centro: que sobre esse pilar se construam as estruturas sociais alternativas de que precisamos”, explicou.

Francisco criticou o “império do dinheiro” que exige a “guerra”, o comércio de armamentos, para a sobrevivência de “sistemas económicos”.

O Papa agradeceu aos participantes pela sua presença no Vaticano para “debater tantos graves problemas sociais que afetam o mundo de hoje” desde a perspetiva de quem sofre a desigualdade e a exclusão “na sua própria carne”.

“Terra, teto e trabalho. É estranho, mas se falar disto, para alguns parece que o Papa é comunista”, começou por referir, antes de recordar que “o amor pelos pobres está no centro do Evangelho”.

"Terra, teto e trabalho, aquilo por que lutam, são direitos sagrados. Reclamar isso não é nada de estranho, é a Doutrina Social da Igreja", assinalou.

O Papa pediu que se mantenha viva a vontade de construir um mundo melhor, “porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai, ficou órfão porque deixou Deus de lado”.

Num discurso de cerca de meia hora, Francisco referiu que a presença dos Movimentos Populares é um “grande sinal”, porque estão no Vaticano para “pôr na presença de Deus, da Igreja, uma realidade muitas vezes silenciada”.

“Os pobres não só sofrem a injustiça mas também lutam contra ela”, precisou.

Jesus, acrescentou, chamaria “hipócritas” aos que abordam o “escândalo da pobreza promovendo estratégias de contenção” para procurar fazer dos pobres “seres domesticados e inofensivos”.

O discurso papal abordou ainda os temas da paz e da ecologia, para além das questões centrais do emprego e da habitação.

“São respostas a um anseio muito concreto, algo que qualquer pai, qualquer mãe quer para os seus filhos. Um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos com tristeza que está cada vez mais longe da maioria”, sublinhou Francisco.

O Papa convidou os participantes a prosseguirem com a sua luta, “que faz bem a todos”, e deu-lhes como presente uns terços fabricados por artesãos, ‘cartoneros’ e trabalhadores da economia popular na América Latina.

sábado, outubro 25, 2014

"Big Bang" não é obra do caos, mas mostra "intervenção criadora divina"




Francisco rejeitou que o relato bíblico do Génesis implique a imagem de Deus com "uma varinha mágica", a criar todas as coisas.

O Papa Francisco afirmou no Vaticano que os conceitos de evolução e de criação são compatíveis com a fé num Deus criador. "O Big Bang, que hoje se coloca na origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas exige-a", declarou esta segunda-feira, numa audiência aos membros da Academia Pontifícia das Ciências.

Francisco declarou que o início do universo "não é obra do caos", mas "deriva directamente de um princípio supremo que cria por amor".

"A evolução na natureza não está em contraste com a noção de Criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que evoluem", acrescentou.

A Academia Pontifícia das Ciências da Santa Sé está a analisar, em assembleia plenária, o tema da "evolução do conceito de natureza".

Francisco rejeitou que o relato bíblico do Génesis implique a imagem de Deus com "uma varinha mágica", a criar todas as coisas.

"Ele criou os seres e deixou-os desenvolver segundo as leis internas que deu a cada um, para que se desenvolvessem, para que chegassem à sua própria plenitude", precisou. "Assim a criação prosseguiu durante séculos e séculos, milénios e milénios, até que chegou ao que hoje conhecemos, precisamente porque Deus não é um demiurgo ou um mago, mas o Criador que dá ser a todos os entes", acrescentou.

A "autonomia" dos seres do universo, realçou Francisco, é diferente da "liberdade" dos seres humanos, que implica uma responsabilidade particular "no futuro da humanidade e da terra".

O Papa convidou os cientistas a terem "esperança e confiança em Deus, autor da natureza" e na capacidade do ser humano.

A Academia Pontifícia das Ciências, fundada em Roma no ano de 1603 com o nome de Academia dos Linces, é composta por 80 investigadores nomeados vitaliciamente pelo Papa, a partir da proposta do corpo académico.

sexta-feira, outubro 17, 2014

A fotógrafa brasileira Gao Maiolino expõe em Portugal


Convidada pelos organizadores da Semana Cultural da Bahia em Lisboa, a fotógrafa e jornalista Gao Maiolino inaugura sua exposição “Irmãs” que estará na Casa do Alentejo, até ao próximo Domingo dia 19 de outubro de 2014.

Em seguida, a exposição entra em nova temporada, de 21 de outubro a 21 de novembro, na Associação Internacional Luso Brasileira, situada na cidade de Santarém.

IRMÃS

Ensaio fotográfico que retrata as cidades de Belmonte brasileira, na Bahia, e a de Belmonte portuguesa, no Distrito de Castelo Branco, “Irmãs” apresenta quinze fotografias em preto e branco, com interferências coloridas em cada uma delas, com tamanhos variando entre 65 x 125 e 60 x 155cm.

O passeio pelas ruas dessas cidades, através de suas arquiteturas, seus hábitos culturais e suas curiosidades, gerou capturas dos mais variados ângulos: fechados, abertos, suaves, duros e iconoclastas.

Na historicamente primeira Belmonte, a brasileira, foi avistando a diferença de cor nas águas navegadas, onde Pedro Álvares Cabral percebeu um rio, o Jequitinhonha, que caudalosamente rompia o mar, trazendo consigo ilhas inteiras de árvores e majestosas baronesas, levando-o a concluir que a terra firme estaria muito próxima (“Traço”, “Encontro”, “À sombra”). Essa cidade hoje sobrevive basicamente da pesca (“Cais”), do artesanato de argila (“Fadas”) e do turismo ecológico, a partir de seus vastos manguezais (“Caminho” e “Braço”), guardando muito pouco do seu passado (“Fim” e “Derradeira”).

A Belmonte portuguesa, terra onde Cabral nasceu e viveu com sua família, revela o inevitável passado de nosso descobridor (“Circular”, “Luminosa”). Medieval, histórica, religiosa (“Santificado”), Belmonte sobrevive de seu intenso fluxo turístico, marcado por visitas a museus famosos, como o Museu de Descobrimento, que dispõe de acervo com multimídias de alta tecnologia, e ainda

o Museu Judaico, Museu Eco Zêzere, Museu do Azeite, dentre outros (“Voando”). A cidade também se destaca no cultivo de cerejeiras, pereiras e oliveiras (“Jardim das Oliveiras”).

O ensaio fotográfico realizado por Gao Maiolino acaba por estimular o público, a partir da descoberta de afinidades entre as cidades brasileira e portuguesa, a descobrir diferenças (onde em verdade reside a maior riqueza entre povos, culturas, patrimônios) e, uma vez que, por mais que uma cidade – como tudo o mais na vida – tenha considerável similitude com outra, guarda em si a “cor local” – para não fugir a uma expressão que remete à imagem –, intransferível e, por isso mesmo, merecedora de ser “transferida”, transportada virtualmente, a fim de que o público, enquanto não se mobiliza a visitar a cidade, seja visitado por ela.






Biografia :

Gao Maiolino estudou na Associação Brasileira de Arte Fotográfica, no Rio de Janeiro, e no New York Institute of Art, em Nova York. Estudou Jornalismo, Publicidade e Propaganda nas Faculdades Integradas Hélio Alonso, e se especializou em Meio Ambiente, pela Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Colaborou para as publicações NYI Photo World Magazine, em Nova York, Jornal do Brasil e jornal O Globo, no Rio de Janeiro. Entre seus trabalhos como fotógrafa destacam-se campanhas publicitárias do Banco do Brasil, Bradesco Seguros, Michelin, Prudential Japão e outras. Teve trabalhos inseridos em livros didáticos do CCAA e investiu em expedições pela Amazônia, Pantanal Matogrossense, Chapada Diamantina e dos Guimarães. Atualmente dedicas-se a projetos autorais e fotografias-design no mercado nacional e internacional.

terça-feira, outubro 14, 2014

Casa do Alentejo de Lisboa recebe "A Semana Cultural da Bahia"



A Semana Cultural da Bahia em Lisboa  de 16 a 19 de de Outubro 2014 vai estar na casa do Alentejo,  nas suas mais variadas expressões culturais, nomeadamente na musica, artes plasticas, artesanato, cinema, capoeira e gastronomia.  As entradas são livres

 Destaques da programação:

16 de outubro
20h - Inauguração da exposição de Gao Maiolino Irmãs, uma mostra fotográfica sobre as cidades Belmonte na Bahia e Belmonte portuguesa, no distrito de Castelo Branco

17 de outubro
17h - Acarajé  ao Vivo com a degustação e a história do quitute.
19h - Exibição de vídeos institucionais turísticos do estado da Bahia cedidos pela Bahiatursa.-“Você já foi a Bahia?”
20h - Exibição do documentário O Nó do cineasta baiano Dílson Araújo
21h - Concerto da cantora baiana Anacris Gil

18 de outubro
18h - Roda de Capoeira  com o mestre Marcos Fernandes
18h30 - Viagem através do artesanato baiano – Maragogipinho e Nazaré das Farinhas como mais um destino turístico
21h - Concerto de Willy Haendel

19 de outubro
21h -Concerto da cantora Nonna Beck acompanhada do músico  Menotti Bolinelli
22h - Jantar temático a ser definido pela Casa do Alentejo e encerramento do evento

sexta-feira, outubro 03, 2014

Lançamento de Tiologias, do Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada.



O lançamento do livro é no próximo dia 15 de Outubro pelas 18,30 no Grémio Literário em Lisboa

O Padre Gonçalo Nuno Ary Portocarrero de Almada nasceu em Haia, Holanda, a 1 de Maio de 1958. Licenciou-se em Direito na Universidade de Madrid (Complutense) e, posteriormente, doutorou-se em Filosofia pela Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma. Ordenado sacerdote em 1986, exerce desde então o respectivo ministério no âmbito da prelatura do Opus Dei.
Além de escrever regularmente na imprensa periódica, é autor, entre outras obras, de Histórias e Morais (Alêtheia, 2011) e co-autor de Auto-de-Fé, a Igreja na inquisição da opinião pública.

quarta-feira, outubro 01, 2014

Autarcas do PS e PCP vao participar na caminhada Pró Vida - Contra o aborto‏




Um grupo de políticos ligados aos quatro maiores partidos com assento na Assembleia da República associa-se a vários movimentos pro-vida no lançamento de um projecto-lei sobre a “protecção da maternidade e paternidade e do direito a nascer”.

A iniciativa vai ser apresentada este sábado em Lisboa, no final da caminhada que a Federação Portuguesa pela Vida (FPV) vai promover a partir das 15h00, entre o Largo de Camões (no Chiado) e o Largo de São Bento, em defesa de uma reavaliação das atuais políticas relativas ao aborto.

Veja mais aqui : https://www.facebook.com/caminhada.pelavida?fref=ts