sexta-feira, junho 21, 2013

Vulgar ?


Habituei-me a esperar que simplesmente as coisas se tornem mais brilhantes, mais espalhafatosas, menos comuns, menos vulgares, como se o “tempo favorável” estivesse ainda por vir e até lá tudo fosse vulgar e pouco merecedor de atenção ou de admiração.

Vulgar? Mas como vulgar? O que é que é vulgar? O que é que há de vulgar numa árvore, ou numa flor ou no sabor da maçã?
Pela repetição uma coisa torna-se vulgar?
O que é que há de vulgar no facto de acordar de manhã (ou até no simples facto de haver manhã)? Há alguma coisa de vulgar em estar vivo?

Talvez a única coisa vulgar seja a minha forma de olhar e a maneira como dou por garantido aquilo que é verdadeiramente espantoso todos os dias.

Deus também é o Deus do vulgar, do banal, do comum, dos dias da semana, dos dias de chuva e das coisas que doem… tanto quanto o é dos foguetes. E o grande perigo é fazer da minha vida uma busca incessante do deus dos foguetes quando Ele habita no que é real, ainda que o real pareça vulgar e pobre.

É vulgar? É. Mas é incrível.

Duarte Rosado, sj