sexta-feira, outubro 02, 2009

Ás sextas .... com a Margarida


"Ninguém pode sonhar por ti"

Outrora tinha umas asas, eram, longas e brancas.

Voava sempre que podia, era a magia do olhar de uma criança.

Os olhos que alcançavam os sonhos as mãos que agarravam a vontade.

Naquele tempo o mundo sorria.

Havia pássaros nas árvores, pessoas nas janelas ao fim de tarde e crianças que brincavam na rua.

As laranjas eram grandes e doces…

Sentava-se debaixo da árvore e fechava os olhos.

O aroma das ervas de cheiro misturada com as rosas amarelas que abriam por completo, era único …pelo caminho de volta a casa um tapete de pétalas coloria as suas canções.

Outrora o céu era azul e os verões eram longos e cálidos.

Os risos das crianças ecoavam pelo espaço.

Os gatos estendiam-se ao sol nos telhados de zinco e nos estendais lençóis brancos.

Outrora tinha asas e voava por muitos sítios, espaços e civilizações, sempre que abria um livro iniciava uma nova viagem.

O brilho do olhar iluminava a noite…

Imaginava que falava com a lua e que ela lhe sorria.

Flor de Lua …sentia falta falta da mãe lua quando nas noites teimava em se esconder.

Chorava entre os vidros da janela e pedia baixinho: Lua conta-me uma história.

Hoje é uma mulher e perdeu as asas, hoje já não consegue voar porque tem os pés assentes na terra que agora é sua.

No entanto sonha e quando a magia, acontece um brilho intenso surge nos seus olhos … e mesmo sem asas consegue viajar.

Traz o coração nas mãos e o sonho como estandarte.