"Ninguém pode sonhar por ti"
Outrora tinha umas asas, eram, longas e brancas.
Voava sempre que podia, era a magia do olhar de uma criança.
Os olhos que alcançavam os sonhos as mãos que agarravam a vontade.
Naquele tempo o mundo sorria.
Havia pássaros nas árvores, pessoas nas janelas ao fim de tarde e crianças que brincavam na rua.
As laranjas eram grandes e doces…
Sentava-se debaixo da árvore e fechava os olhos.
O aroma das ervas de cheiro misturada com as rosas amarelas que abriam por completo, era único …pelo caminho de volta a casa um tapete de pétalas coloria as suas canções.
Outrora o céu era azul e os verões eram longos e cálidos.
Os risos das crianças ecoavam pelo espaço.
Os gatos estendiam-se ao sol nos telhados de zinco e nos estendais lençóis brancos.
Outrora tinha asas e voava por muitos sítios, espaços e civilizações, sempre que abria um livro iniciava uma nova viagem.
O brilho do olhar iluminava a noite…
Imaginava que falava com a lua e que ela lhe sorria.
Flor de Lua …sentia falta falta da mãe lua quando nas noites teimava em se esconder.
Chorava entre os vidros da janela e pedia baixinho: Lua conta-me uma história.
Hoje é uma mulher e perdeu as asas, hoje já não consegue voar porque tem os pés assentes na terra que agora é sua.
No entanto sonha e quando a magia, acontece um brilho intenso surge nos seus olhos … e mesmo sem asas consegue viajar.
Traz o coração nas mãos e o sonho como estandarte.