
Olhas-te como se visses o mundo a derreter.
Envergonhada virei a cara para o canto da sala, fingido não perceber.
Fugi enquanto pude do teu olhar .
No entanto no virar da esquina do corredor esbarraste comigo.
Entornei um pouco de champanhe no vestido…sorri e tu tiraste o lenço do bolso de forma atrapalhada…
Desculpe! – Disseste -Vou até à varanda, quer-me acompanhar?
A noite estava quente e a rua cheia de gente.
Gente que gritava euforicamente após um concerto de musica alternativa.
Sorri discrepâncias de espaços…no mesmo tempo.
As t-shirt´s contrastavam com os fato e com os vestidos compridos.
O teatro é lindo os veludos, a madeira do chão…
Charme e sedução.
Entre nós o silêncio e sorrisos cúmplices de uma noite de verão.
Os nossos olhos fugiram, assim como as nossas palavras.
Felizmente que a Maria chegou quebrando o gelo:
Vamos abrir bolo.
E nós fugimos cada um para seu lado.
As máquinas fotografias registavam o momento com sede de movimento.
Os pares da moda mostravam-se alegres e sorridentes…
Sentei-me no sofá de veludo vermelho e sentaste-te ao meu lado.
Tirei o leque e abanei tentando disfarçar o quanto pude as faces rubras e o sorriso.
Guardei o leque e pensei: Maria salva-me.
Mas a Maria não veio.
E nesse instante viraste-te para mim.
Nos teus olhos o desejo era maior que as palavras.
Tentas –te balbuciar algo…
Tapei-te a boca
-Não digas nada…!
Descemos as escadas e abandonamos o Teatro de luz, misturamo-nos com as pessoas na rua e riamos, como crianças.
Apetece-me a andar…!
Eu de saltos altos e vestido comprido…deite o braço ansiando algum conforto.
Descemos as ruas antigas, até chegarmos aos Tejo.
O silêncio voltou…não me largaste o braço.
Ficamos ali a olhar a lua.
Deste-me a mão.
Pegas-te a outra mão, ficamos ali em frente um ao outro sem espaço para palavras.
Os teus olhos reflexo dos meus, faiscavam.
E aos poucos, devagar os nossos lábios tocaram-se.
A magia aconteceu.