sexta-feira, setembro 18, 2009

Ás sextas com ..... a Margarida



Teatro


Olhei-te nos olhos e vi um brilho,

Olhas-te como se visses o mundo a derreter.

Envergonhada virei a cara para o canto da sala, fingido não perceber.

Fugi enquanto pude do teu olhar .

No entanto no virar da esquina do corredor esbarraste comigo.

Entornei um pouco de champanhe no vestido…sorri e tu tiraste o lenço do bolso de forma atrapalhada…

Desculpe! – Disseste -Vou até à varanda, quer-me acompanhar?

A noite estava quente e a rua cheia de gente.

Gente que gritava euforicamente após um concerto de musica alternativa.

Sorri discrepâncias de espaços…no mesmo tempo.

As t-shirt´s contrastavam com os fato e com os vestidos compridos.

O teatro é lindo os veludos, a madeira do chão…

Charme e sedução.

Entre nós o silêncio e sorrisos cúmplices de uma noite de verão.

Os nossos olhos fugiram, assim como as nossas palavras.

Felizmente que a Maria chegou quebrando o gelo:

Vamos abrir bolo.

E nós fugimos cada um para seu lado.

As máquinas fotografias registavam o momento com sede de movimento.

Os pares da moda mostravam-se alegres e sorridentes…

Sentei-me no sofá de veludo vermelho e sentaste-te ao meu lado.

Tirei o leque e abanei tentando disfarçar o quanto pude as faces rubras e o sorriso.

Guardei o leque e pensei: Maria salva-me.

Mas a Maria não veio.

E nesse instante viraste-te para mim.

Nos teus olhos o desejo era maior que as palavras.

Tentas –te balbuciar algo…

Tapei-te a boca

-Não digas nada…!

Descemos as escadas e abandonamos o Teatro de luz, misturamo-nos com as pessoas na rua e riamos, como crianças.

Apetece-me a andar…!

Eu de saltos altos e vestido comprido…deite o braço ansiando algum conforto.

Descemos as ruas antigas, até chegarmos aos Tejo.

O silêncio voltou…não me largaste o braço.

Ficamos ali a olhar a lua.

Deste-me a mão.

Pegas-te a outra mão, ficamos ali em frente um ao outro sem espaço para palavras.

Os teus olhos reflexo dos meus, faiscavam.

E aos poucos, devagar os nossos lábios tocaram-se.

A magia aconteceu.