sexta-feira, setembro 11, 2009

Ás sextas com ..... a Margarida


O despertador toca, o sol já nasceu é tempo de avançar.

O tempo que contamos sem perceber até ao segundo.

Os sentimentos, os afectos, por vezes esquecidos pela pressa de partir e de chegar à hora marcada e ao lugar certo.

Corremos sem parar como se dentro de nós um relógio de silêncio se apoderasse do nosso corpo.

Mas um dia num qualquer semáforo da cidade acordamos e vimos as cadeiras das crianças vazias, não são umas quaisquer crianças são as nossas, as minhas.

Simples marioneta que serve o Sr. Tempo.

Serei eu a controlar o tempo ou ele a mim?

Perguntamo-nos há quanto tempo não vou ao jardim com eles?

Há quanto tempo não empurro os miúdos no baloiço?

Brinco com eles ou lhes conto uma história.

Aquele abraço quentinho ao chegar a casa…

Há quanto tempo não partilhamos o nosso tempo.

O carro de trás apita, o relógio continua a sua rotina, continuo o caminho.

A crise dos afectos, afecta-me como mãe e mulher.

Deixa-me a pensar todos o caminho até ao trabalho é feito com perguntas, como as crianças na idade dos porquês.

Decido mudar, mas todas as mudanças são difíceis, para nós e para quem nos rodeia.

Escrevo um papel e penduro-o na porta de entrada:

“Obrigatório Tempo de qualidade. Espaço interdito a quem não cumprir a regra!”

Sentir-me com 6 anos e impor uma regra surpreendente.

Ao chegar a casa rodearam-me e o inevitável : Mãe explica!

Todas as famílias têm regras e não me quero esquecer desta máxima, por isso decidi escreve-la para que nunca me esqueça e se me esquecer algum dia, por favor lembrem a Mamy!

Finalmente o abraço que tanto precisava no final de um dia em que me senti acordar de um verdadeiro pesadelo!


Margarida Louro