Queridos amigos e familiares!!
Como sabem, a situação em Timor não é das melhores, de momento… Há já cerca de um mês que grupos de civis armados têm estado a queimar casas, matar pessoas e saquear tudo o que seja possível, pertença do Governo ou privada. Não interessa quem é, o que é ou o que fazer com as coisas – interessa, sim, espalhar o terror, o medo, o pânico. Por isso, as pessoas têm fugido para campos de refugiados dentro da cidade ou nos arredores. Alguns foram tentar abrigar-se nas casas de familiares, nas montanhas fora de Díli, com a dificuldade de não haver nem espaço, nem comida para eles. A situação destes refugiados é muito complicada: 1º- o medo em que vivem, muito fruto dos medos ressuscitados agora, de feridas reabertas, de sofrimentos mal sarados; 2º- a fome, frio, más condições de higiene, falta de privacidade… etc!
A verdade é que o Governo, juntamente com a ONU e ONGs nacionais e internacionais, tem tentado distribuir comida pelos campos (essencialmente arroz), mas o stock está a chegar ao fim e há poucas possibilidades de conseguir repô-lo a tempo. Estamos preocupados! Muitas destas famílias endividaram-se para poderem alugar "anggunas" (camiões) para fugir e, agora, não têm com que comprar géneros para sobreviver. Mesmo já havendo mercados e lojas abertas, como há pouca gente a trabalhar, há pouca gente a receber, logo, não há poder de compra. Isto leva a problemas gravíssimos que dificilmente terão solução a curto prazo. De momento, nós (Sebastião e Filipa) estamos a trabalhar juntamente com a HOPE (uma ONG local dedicada às crianças) e a UNHCR (United Nations High Comission for Refugees).
Hoje, disseram-nos desta última que já não nos podiam ajudar mais, pois têm escassez de produtos! Vamos tentar a UNICEF, o Ministério do trabalho, a OXFAM (higiene) e o WFP (World Food Program) a partir de amanhã. De qualquer modo, pensamos que a ajuda dispensada ficará sempre aquém das verdadeiras necessidades! Parece que, por aqui, todos se preocupam muito em ter reuniões e almoços de negócios em sítios com ar condicionado e esquecem-se facilmente que há gente à chuva, a viver em condições degradantes e a morrer de doenças e fome! É incrível o pouco que se faz e o tanto que se parece fazer… É muito triste e deixa-nos muito desiludidos Até agora, fomos conseguindo arranjar algum dinheiro… Uma amiga nossa levantou 10.000 Dólares da sua própria conta e ontem já só tinha 800! Contudo, continua a não ser suficiente!! E nós só estamos a ajudar num campo de refugiados, em Metinaro, com cerca de 3000 pessoas e o orfanato desta nossa amiga, em Gleno, que tem cerca de 30 crianças e alguns adultos, mas que alimentam vários refugiados das redondezas. Não tem sido fácil lidar com tantos sentimentos, especialmente com a impotência! Por isso este e-mail! Gostaríamos de pedir a vossa ajuda e contribuição. 1Euro, 2, 3, 5, 10, 20, 50… o que puderem! De modo a que nós possamos comprar alimentos (leite em pó, água potável, vegetais, massas, óleo de cozinha e arroz – muito arroz!) e levar a estes dois locais, de modo a poder chegar mais longe, a mais gente. Se pudermos ajudar pelo menos uma família, já estamos a ajudar muito! Não sabemos se em Portugal há alguma organização a recolher alimentos e outros bens primários para enviar para Timor. Caso saibam de alguma coisa, podem também sempre contribuir com géneros. Porém, estes bens, enviados agora por barco, demorariam 3 meses a chegar cá e a situação é urgente! Por isso pedirmos dinheiro por ser mais imediato.
A mãe da Filipa forneceu o número de conta dela, de modo a que possam depositar directamente, sem ter que estar com contactos e mais contactos. Então, aqui vai: nib: 0036 0036 991003428 55 – Maria Luísa Vasconcelos Abreu Oliveira Martins.
Depois ela deposita numa conta aqui de Timor, nós levantamos e fazemos o resto. Desde já, MUITO OBRIGADO por tudo! Pela ajuda, apoio, oração!
Obrigada por nos ajudarem na nossa missão aqui! Se quiserem passar a palavra a amigos, óptimo! Quantos mais souberem, melhor! Um abraço muito amigo, saudoso,
Filipa e Sebastião
(Leigos Para o Desenvolvimento)