Relance 246 A causa do aborto «O aborto é uma prática muito traumatizante para a mulher.» POR obscuras razões, o aborto tornou-se para muita gente uma bandeira. As mulheres que abortam - e o assumem - são elevadas à condição de heroínas. As declarações dos políticos favoráveis ao aborto têm imenso destaque na comunicação social.
Há uma febre, uma excitação, uma pressão enorme para se liberalizar o aborto.
Ora o caso é tanto mais estranho quanto é sabido que o aborto é uma prática muito traumatizante para a mulher.
Um aborto deixa quase sempre marcas fundas para toda a vida.
ATÉ por isso, a invocação de «razões psicológicas» por parte de muitas mulheres que pretendem abortar não faz nenhum sentido.
Analisando centenas de casos de mulheres que ficaram grávidas sem o desejarem, verifica-se que têm hoje muito mais problemas as que fizeram abortos do que as que decidiram levar a gravidez até ao fim.
As primeiras carregam frequentemente um sentimento de culpa e arrependimento - enquanto as segundas raramente se mostram arrependidas e, pelo contrário, congratulam-se por terem tomado a decisão de ter o filho.
MAS, independentemente das consequências, outras razões aconselham a uma enorme cautela no tratamento do tema do aborto.
Primeiro, porque é uma prática bárbara - que só por equívoco pode ter sido erigida à condição de «sinal de progresso».
Eliminar uma semente de vida (ou mesmo uma vida) não poderá nunca ser um sintoma de civilização.
Depois, porque todos os passos no sentido da despenalização do aborto são sinais errados dados à sociedade.
Sendo o aborto reconhecidamente indesejável, facilitar o aborto, dar-lhe melhores condições, é dizer implicitamente: «Agora já se pode abortar sem risco, portanto ninguém hesite».
A verdade é que em todos os países que despenalizaram o aborto, o número de abortos aumentou.
E com o aumento do número de abortos aumentou também, exponencialmente, o número de mulheres que carregam problemas psicológicos e traumatismos graves pelo facto de terem tomado a decisão de abortar. Edotorial do Jornal Expresso do dia 15 de Janeiro de 2005 |