1 deMaio.LUZ
Um desafio, uma escolha, a resposta
Jovens para um Mundo Unido
Cidadela Arco-íris – Alenquer
11.00h – 17.30h

'Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!'
João Pereira Coutinho, Jornalista


Segundo o relatório, o total de abortos em 2010, independentemente dos motivos, foi de 19 436. Desses, 97 por cento (18 911) foram realizados a pedido da mulher.
Duarte Vilar, da Associação Portuguesa de Planeamento Familiar, afirmou ao CM que "a repetição dos abortos aconteceu de forma clandestina". Nessas circunstâncias, diz, "não há técnicos a encaminhar as mulheres para as unidades de consultas de planeamento familiar". Segundo o sociólogo, 13% das mulheres não usam contraceptivo e "importa perceber porquê e porque repetem os abortos". A associação está a ultimar um estudo, a divulgar dentro de dois meses, sobre "o problema das repetições de aborto".
Já o obstetra e coordenador do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira Silva, defende que as mulheres que abortam nos hospitais públicos e faltam à posterior consulta de planeamento deveriam pagar a intervenção.
"Não devemos pagar com os nossos impostos um segundo aborto a uma pessoa que, irresponsavelmente após o primeiro, falta à consulta", disse.
Lisa Vicente, da DGS, considera "fundamental que o Estado proporcione consultas de planeamento e contraceptivos gratuitos".
MAIS DE 100 ADOLESCENTES ABORTARAM
A maioria dos abortos foram feitos por mulheres entre os 20 e os 34 anos. Porém, foram realizadas 101 interrupções por raparigas com menos de 15 anos. Dos 15 aos 19 anos abortaram 2214 jovens, revela o relatório da Direcção-Geral da Saúde. Quase 40 por cento das mulheres (7494) que abortaram em 2010 não tinham filhos, 5492 tinham um, 4321 dois e 1176 três filhos. A maioria das interrupções foi feita nos hospitais públicos (12 946). O método cirúrgico com anestesia geral foi o mais escolhido no sector privado (5651 das 6061 interrupções), enquanto no público a opção recai sobre o medicamentoso (12 404 das 12 535 efectuadas). Lisboa é a cidade com maior número de interrupções da gravidez (6842).