terça-feira, julho 30, 2013

Entrevista exclusiva do Papa Francisco ao Programa Fantástico - Globo




Em entrevista exclusiva ao programa Fantástico, o Papa Francisco pediu maior proximidade entre as pessoas e o fim da "globalização da indiferença". O Papa lamentou que existam "descartados" nas "extremidades" da sociedade actual: os idosos, considerados improdutivos, e os jovens, que padecem no desemprego. A ideia se somou ao discurso do Papa contra a "política mundial muito impregnada pelo dinheiro". Uma entrevista que não pode perder.

sábado, julho 27, 2013

Viagem




Na imensidão de linhas, nem sempre sabemos o rumo a tomar... Mas haverá um ponto de chegada.

Pedro Grandão

terça-feira, julho 23, 2013

O filme dos primeiros minutos do papa no Brasil


O papa Francisco chegou às 19h45 de Lisboa desta segunda-feira ao Rio de Janeiro (16h45, hora local), naquela que é a sua primeira viagem apostólica fora de Itália.

Após 12 horas de voo desde Roma, Francisco saiu às 20h00 do avião, saudando em primeiro lugar a presidente da República, Dilma Rousseff, seguindo-se os cumprimentos a responsáveis civis e eclesiásticos.

O papa entrou depois num carro de gama média para fazer o percurso entre o aeroporto e o centro da Cidade Maravilhosa.

Francisco saudou as milhares de pessoas que o esperavam ao longo do percurso. O cortejo foi bloqueado durante vários minutos por um engarrafamento de autocarros. Sempre com o vidro aberto, o papa saudou várias pessoas, que mais do que uma vez, cercaram a sua viatura.

Junto à catedral, Francisco saiu do automóvel e passou para um jipe aberto, onde percorreu mais alguns quilómetros (excertos deste percurso no vídeo abaixo).

De seguida, entrou num helicóptero, que o transportou ao Palácio Guanabara, onde Dilma Rousseff o recebeu, antes da cerimónia de boas vindas, que começou com uma hora de atraso em relação ao programa anunciado.

Veja a noticia e o video completo,  clique AQUI

domingo, julho 21, 2013

Tour de france





Termina este domingo a 100.ª Volta a França em Bicicleta, o "Tour de France". Nesta imagem, religiosas das Irmãzinhas da Consolação aplaudem, à porta do mosteiro, o então camisola amarela.

 Foto: Reuters

quarta-feira, julho 17, 2013

A Vida e a Sorte




"Temos uma grande relutância em admitir que grande parte da vida depende da sorte . É assustador pensar que tanta coisa escapa ao nosso controlo !
Há momentos num jogo de tenis  em que a bola bate na orla da rede.
E por uma fracção de segundo  a bola pode seguir...ou cair.
Com alguma sorte segue em frente...e ganhamos  ou talvez não siga...e perdemos !"

Woody Allen in Match Point

domingo, julho 14, 2013

Faltam crianças




Um artigo recente do Washington Post dedicou-se a Portugal, que nos últimos 4 anos sofreu uma queda de nascimentos de 14%.

Uma tendência que é uma constante em todos os países europeus desde o fim dos anos 60. Segundo as projecções dos economistas, por volta de 2030 em Portugal 27,4% da população estará reformada, com mais de 1 cidadão em cada 4 a ter mais de 65 anos.

sexta-feira, julho 12, 2013

A coerência ou a falta dela têm destas coisas....‏



Assunção Esteves , Presidente da Assembleia da Republica :  
 Facto 1 :
eleição ao cargo de presidente da assembleia da república com a unanimidade dos deputados a ovacionarem-na de pé, a comentarem elogiosamente o seu percurso político, o seu elevado sentido de estado, o seu empenho aguerrido e obstinado a favor da liberalização do aborto, nos dois referendos sobre o mesmo, demonstrando assim estar ao lado do futuro."
 Os deputados Bloquistas não aplaudiram Assunção Esteves e criticaram o berreiro desta ontem contra os manifestantes

Facto 2 :
 "elevado sentido de estado"  para comandar a Assembleia da nação,
Segundo as contas do SOL, a Presidente da Assembleia ganha 7.255EUR de reforma mais 2.133EUR de ajudas de custo, o que num mês é quase o dobro do ordenado mínimo nacional de um cidadão num ano inteiro! Além de poder reformar-se aos 42 anos (!)
Segundo também o SOL a Presidente da AR tinha a opção de abdicar da reforma e ficar a ganhar 5.219,15EUR mais as ajudas de custo de 2.135EUR mas escolheu o caminho do dinheiro fácil.

Facto 3 :
“com a unanimidade dos deputados a ovacionarem-na de pé, a comentarem elogiosamente o seu percurso político”
Comparou os manifestantes ontem da Assembleia da Republica a carrascos da  opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial ao citar Beauvoir 
Ler aqui : http://expresso.sapo.pt/os-carrascos-de-assuncao-esteves=f819726#ixzz2Yl4nUcf7

E agora os meus amigos que tirem as conclusões que entenderem….
Viva a Vida ! E a luta continua….

Cláudio Anaia

domingo, julho 07, 2013

Férias : Vá para fora cá por dentro!



Tempo de férias, tempo de paragem. Tempo de passear, de ler, de fazer o que se quiser. Ir à praia, fazer uma viagem, ir visitar os amigos, encontrar alguém da família. Também pode ser um tempo para ficar simplesmente em casa, de arrumar tudo o que se foi acumulando ao longo do ano, de fazer limpezas a fundo, de pôr as coisas de novo em ordem. Talvez este ano seja mesmo um tempo em que muitos ficarão mais por casa.

“Vá para fora cá dentro!”, ouvimos nos anúncios de promoção do turismo em Portugal. Em tempo de crise, esta é capaz de ser mesmo uma grande oportunidade de passear mais no nosso país, de descobrir toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas.

Férias são sobretudo um tempo de descanso, de reparação, de ganhar forças. Por isso, talvez fosse bom encarar estes dias não com a urgência de conseguir encaixar tudo o que se ansiou e sonhou ao longo do ano de trabalho, mas com a expectativa do que nos pode trazer cada dia, deixando-nos levar sem pressas. Em que é que descansamos? O que é que nos descansa de verdade? Pensava como por vezes estamos tão cansados interiormente, tão dispersos, com tanto ruído, com tantas preocupações que nos consomem e tiram ânimo, liberdade, lucidez. Nada que uns dias na praia não resolvam, pensamos nós. Sim, é verdade, os dias na praia com certeza que ajudam a acalmar. Mas o verdadeiro descanso precisa também de uma paragem e de um reencontro interior.

“Vá para fora por dentro!”, este poderia ser o mote para umas férias de fundo, em que a paragem exterior é acompanhada por uma renovação interior. Fazer silêncio e ir abrandando os motores, deixando a poeira assentar, deixando vir ao de cima tudo o que vai ficando abafado com o imediato do dia a dia. Ordenar a vida, arrumar “a casa”, perceber o que me tem vindo a cansar ao longo do ano, perceber onde me encontro, onde descanso, onde me sinto em paz, e onde me sinto dividido. Dar tempo às limpezas internas, deixando o sol entrar bem por todos os poros. Isto sim, é descansar.

Atrevermo-nos a reservar uns dias das nossas férias para pararmos por dentro e descansarmos em Deus, é sem dúvida uma aposta ganha. Não se trata apenas de trazer Deus para as férias, trata-se de reservar um tempo para estar de férias sobretudo com Ele. Nem sempre a vida permite “este tempo”, mas cada um, segundo a sua realidade e as suas possibilidades, pode procurar como pôr este plano em prática, na certeza de que o “vá de férias por dentro” se pode sempre concretizar, por mais magro que seja o nosso orçamento de férias e por menos tempo que tenhamos apenas por nossa conta. Fazer um retiro de fim de semana em algum centro de espiritualidade? Fazer uma peregrinação? Fazer um retiro de silêncio de uma semana? Procurar uma abadia com hospedaria onde possa ter um tempo mais forte de oração e contemplação da natureza? Várias e diversas são as ofertas neste “nicho de mercado”, cada um deverá descobrir o “pacote turístico” que mais lhe convier. Trata-se de pôr a criatividade a funcionar e “partir” para um tempo e espaço tendo como principal bagagem nós próprios.

Encarar as férias como tempo para voltar ao essencial faz com que a nossa atenção fique mais desperta, a nossa sensibilidade mais apurada. Tudo passa a ocupar o lugar que lhe é devido e ficamos mais preparados para viver cada dia agradecidos, enfrentando com mais força as dificuldades que vão surgindo. O regresso ao dia a dia e ao trabalho será mais suave e com mais sentido.

Com estes dias pelo meio, as férias por fora ganham então outra dimensão: o mar na praia envolve-nos na sua imensidão, as montanhas onde fazemos caminhadas falam-nos do mistério da Criação; os jantares e petiscos com os amigos tornam-se espaços de partilha de vida; os dias passados na nossa terra trazem-nos à memória a nossa história; os dias de descanso passados em casa são de facto reparadores. E esta paz de fundo vai-se prolongando no regresso à vida do dia a dia, deixando a marca que nos faz ir percebendo quando devemos parar no meio das correrias, nos curtos espaços de tempo possíveis.

É o Senhor que nos diz “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt 11, 25-30). Pois é isso mesmo, aqui está um bom convite para estas férias!

Margarida Alvim

domingo, junho 30, 2013

Agricultura Biológica - Seattle planta floresta urbana comestível e gratuita




Em Seattle, um dos mais importantes centros culturais e financeiros dos Estados Unidos, cresce um dos mais interessantes projectos de sustentabilidade urbana do mundo. A metrópole norte-americana está a investir numa floresta urbana comestível e gratuita, situada em pleno bairro de Beacon Hill, centro da cidade, e onde estão a ser plantados frutos, leguminosas e tubérculos.
Com sete hectares disponíveis para cultivo, o Beacon Food Forest pode ser um dos maiores jardins comunitários do mundo. O projecto foi aprovado no ano passado e começa agora a fase de plantio. Serão plantas centenas de espécies diferentes, todas seleccionadas pelos membros da comunidade.
Um dos objectivos do projecto é levar os cidadãos locais – ou outros – a visitar o jardim e, caso seja possível, colherem os seus próprios frutos ou vegetais. Já foram plantados mirtilos, framboesas, macieiras, pereiras, nogueiras e castanheiras. Há também abacaxi e citrinos, goiabas e caqui. Tudo crescerá livremente.
O projecto foi concebido pelo Harrison Design, um estúdio de arquitectura e paisagismo, e poderia ser exportado para qualquer grande cidade do mundo. Paralelamente, o jardim contará com actividades culturais e de lazer.

quinta-feira, junho 27, 2013

Silêncio Fecundo




Senta-te aí um pouco e “fala” Comigo. Criei este momento para nós. Abre-Me o teu coração e recebe o meu afeto, a minha atenção, o meu amor. Descansa, enquanto eu te renovo, encho a tua alma e te restabeleço. Ficamos em silêncio, enquanto tudo acontece. Juntos, até estares cheio. Depois partirás e contarás ao mundo o segredo da tua Fonte.

Com amizade

José Luís Artur sj

segunda-feira, junho 24, 2013

Alentejo Tempo para ser Feliz - Alentejo Time To Be Happy



"Alentejo, tempo para ser feliz", o spot mostra, em cerca de seis minutos, as emoções que os turistas podem viver no Alentejo, através dos protagonistas de uma aventura que tem como ponto de partida a busca da felicidade. O filme foi produzido pela Flavour Productions, tem direcção de fotografia e realização de Eduardo Sousa e co-realização de Tito Costa, e banda sonora de Nuno Maló, é protagonizado por Ela Clark e conta com a participação de muitos habitantes do Alentejo.

Vale a pena ver...

sexta-feira, junho 21, 2013

Vulgar ?


Habituei-me a esperar que simplesmente as coisas se tornem mais brilhantes, mais espalhafatosas, menos comuns, menos vulgares, como se o “tempo favorável” estivesse ainda por vir e até lá tudo fosse vulgar e pouco merecedor de atenção ou de admiração.

Vulgar? Mas como vulgar? O que é que é vulgar? O que é que há de vulgar numa árvore, ou numa flor ou no sabor da maçã?
Pela repetição uma coisa torna-se vulgar?
O que é que há de vulgar no facto de acordar de manhã (ou até no simples facto de haver manhã)? Há alguma coisa de vulgar em estar vivo?

Talvez a única coisa vulgar seja a minha forma de olhar e a maneira como dou por garantido aquilo que é verdadeiramente espantoso todos os dias.

Deus também é o Deus do vulgar, do banal, do comum, dos dias da semana, dos dias de chuva e das coisas que doem… tanto quanto o é dos foguetes. E o grande perigo é fazer da minha vida uma busca incessante do deus dos foguetes quando Ele habita no que é real, ainda que o real pareça vulgar e pobre.

É vulgar? É. Mas é incrível.

Duarte Rosado, sj

terça-feira, junho 18, 2013

MUDA BRASIL - FAZ SENTIDO




Não é pelos 20 centavos! É pelos 2.2 trilhões acumulados só nos últimos 17 meses! Cadê o nosso dinheiro?

sexta-feira, junho 14, 2013

Quem ousa sonhar?




Quem se atreve a sonhar nos dias de hoje?! Quem acredita no futuro? Quem sonha com uma família? Ou com aquele trabalho que tem tudo a ver connosco? Ou com poder passar bons momentos com os amigos? Quem é que se despede do seu trabalho que detesta em busca de algo que o realize? Quem se desacomoda?!

A vida não pára nem espera por nós. Começa e termina, isso é certo; o que se passa nesse intervalo é connosco!

Apercebi-me, quando penso nos meus actos diariamente, que todos os nossos actos podem muito abruptamente ser divididos em dois grandes grupos. Aquelelibers que são motivados pelo MEDO e os que são motivados pelo AMOR. Antes de me aperceber disso, às vezes não me era fácil entender se determinada atitude tinha sido a melhor para mim, analisava mais as consequências que a origem, a motivação.

O que fazemos motivados por medo prende-nos, castra-nos, paralisa-nos. O que fazemos por amor liberta-nos e realiza-nos, leva-nos mais longe! O caminho de Jesus não foi ausente de medo, mas os seus actos foram sem dúvida motivados pelo Amor.

Cecília Mendonça

terça-feira, junho 11, 2013

"As gerações futuras censurarão a nossa pelos erros grosseiros contra a vida e a família"



Tenho sido abordado por amigos e alguma comunicação social para me pronunciar publicamente sobre a nova lei de co-adopção por “casais” homossexuais. Não tenho feito, porque abracei recentemente alguns projectos sociais de combate a pobreza e de formação, que acho muito mais importante e prioritário e também porque constato , infelizmente e com muito tristeza , que aquilo que disse aquando a discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, era uma realidade : o objectivo é adopção. No entanto, hoje em silêncio e nas minhas reflexões estive a pensar no assunto.

Quem me conhece sabe bem, que respeito todas as pessoas e orientações sexuais, agora "laranjas são laranjas, limões são limões", quero dizer, uma mãe e um pai tem um papel fundamental e insubstituível no crescimento equilibrado numa criança , basta fazer uma pequena retrospectiva do que foi a nossa vida para entender esta realidade . Não esquecendo os maus exemplos nos países onde existe casamento gay com adopção.

Sou um optimista por natureza própria , mas a última década da nossa historia têm sido cometidos erros e disparates enormes : Desde a legalização do aborto com o Estado em três anos e meio a gastar mais de 100 milhões de euros, permitindo a morte de milhares de inocentes, passando pelas experiências com fetos e embriões humanos até a legalização do casamento gay que agora se caminha para a livre adopção. E no fim da minha reflexão, mais uma vez me recordei desta frase "As gerações futuras censurarão a nossa pelos erros grosseiros contra a vida e a família"

Cláudio Anaia

sexta-feira, junho 07, 2013

O elo mais fraco (2)





O que se está a passar em Portugal com o debate sobre a coadoção revela a anomia cívica da nossa sociedade e, sobretudo, a degradação a que chegou o nosso regime democrático. Um setor ultraminoritário da sociedade, que age como uma seita, impõe arrogantemente a suas certezas e insulta e escarnece dos que exprimem opiniões diferentes. O fanatismo heterofóbico dos seus prosélitos leva-os a apelidar de "ignorantes", "trogloditas" ou "homens das cavernas" todos os que ousam pôr em causa as suas certezas.

O que se viu no programa Prós e Contras da RTP, na semana passada, foi a atuação de um grupo bem organizado de pessoas lideradas por um fanático que, no intervalo do programa, subiu ao palco e se dirigiu a mim para me dizer que eu estava a usar no debate os mesmos métodos que os nazis tinham usado contra os judeus (!!!). Esse delírio injurioso foi depois retomado em alguns órgãos de comunicação social, blogues e redes sociais, por outras pessoas imbuídas do mesmo fanatismo e da mesma desonestidade intelectual. Já, em tempos, uma das próceres da seita, a dra. Isabel Moreira, me chamara PIDE, para assim "vingar" a atual ministra da Justiça das críticas certeiras que eu lhe dirigia.

Afinal, parece que é nazi dizer que o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) atua como um lobby que influencia os centros de decisão política devido à preponderância que muitos dos seus elementos têm no Governo, no Parlamento, na Comunicação Social, nas empresas e nos partidos políticos. Sublinhe-se que os partidos de Esquerda aprovaram a lei sobre a coadoção exatamente no momento em que o povo mais preocupado (distraído) está com a austeridade que lhe é imposta pelo Governo e pelo presidente da República. Foi, portanto, assim, à sorrelfa, com a ajuda cirúrgica da Direita, que se aprovou uma lei que ofende a consciência da esmagadora maioria da população.

O que se viu naquele programa da RTP foram exercícios de manipulação, de intolerância e de vitimização por parte dos defensores dessa lei e quem manifestou opiniões contrárias foi sumariamente apelidado de "ignorante" ou então brindado com estridentes risadas de escárnio. Eu próprio fui, no final do programa, veementemente apelidado de ignorante pelo líder da seita e por algumas histéricas seguidoras que o rodeavam.

O casal de lésbicas que ali foi exibir triunfantemente a gravidez de uma delas e proclamar o seu orgulho por a futura criança ser órfão de pai é bem o exemplo da heterofobia que domina a seita. Que direito tem uma mulher de gerar, deliberadamente, por fanatismo heterofóbico, uma criança duplamente órfã de pai (sem pai e sem nunca poderem vir a saber sequer a identidade dele)? Com que fundamento o Estado se prepara para entregar a essas pessoas crianças que, por tragédias familiares, perderam os seus verdadeiros pais? É para que sejam destruídas (ou impedidas de nascer), no imaginário dessas crianças, todas as representações que elas têm (ou possam fazer) do pai ou da mãe que perderam?

Esse fanatismo mostra bem o que essas pessoas são capazes de fazer em matéria de manipulação genética com fins reprodutivos - como, aliás, uma das lésbicas deixou subtilmente anunciado no Prós e Contras. Mas isso será mais tarde. Para já o que importa é garantir que, em nome da felicidade onanística de alguns adultos, se possam entregar crianças a "casais" em que o lugar e o papel da mãe são desempenhados por um homem e os do pai por uma mulher. Seguidamente, para não discriminar os gays e as lésbicas, substituir-se-ão nos documentos oficiais as palavras "mãe" e "pai" pelo termo "progenitores" tal como já se substituíram as palavras "paternidade" e "maternidade" pela neutra "parentalidade".

E quando estiver concluído o processo de "engenharia social" em curso, então passar-se-á à engenharia reprodutiva com vista a permitir que duas mulheres possam gerar filhos sem o repugnante contributo de um homem ou então que dois homens o possam fazer também sem a horrorosa participação de uma mulher. Estarão, então, finalmente, corrigidos dois "erros grosseiros" da evolução: o de ter dividido os seres humanos em dois géneros e o de exigir o contributo de ambos para a fecundação e para a criação dos seus filhos.

Veja também as declarações de Marinho Pinto , AQUI

terça-feira, junho 04, 2013

O Direito a um Pai e a uma Mãe





Foi aprovado na generalidade um projeto de lei que permite a coadoção por pares homossexuais, ou seja, a adoção por uma pessoa casada com outra do mesmo sexo (ou a ela unida de facto) quando em relação a esta já esteja estabelecida a filiação, natural ou adotiva. O que significará que por esta via se poderá tornear facilmente a atual proibição da adoção conjunta por pares do mesmo sexo, deixando-se «entrar pela janela aquilo a que se fechou a porta»: basta que uma das pessoas adote singularmente, ou que uma mulher recorra à procriação artificial num país que não a proíba (os casos mais frequentes na prática), e depois o seu cônjuge, companheira ou companheiro, solicite a coadoção. Dizem os apoiantes do projeto que se trata apenas de proteger situações já existentes. Mas função de uma qualquer lei não é reconhecer factos consumados ou regular situações já existentes, ela vigora para o futuro e abre (ou não) as portas a novas situações. Aqui, trata-se da possibilidade de alcançar, pela via indicada, alguns dos resultados a que chegaria através da legalização da adoção conjunta. É bom ter presente este facto para não cair na ilusão de que o projeto aprovado difere substancialmente dos que foram rejeitados e que admitiam a adoção conjunta por pares do mesmo sexo. Trata-se de uma opção estratégica de alcançar o mesmo resultado de forma gradual e menos ostensiva.

            Corresponde a uma intuição do bem senso, e sempre tal foi afirmado pelos manuais de psicologia do desenvolvimento infantil, que o bem da criança e o seu crescimento harmonioso reclamam a presença de uma figura materna e de uma figura paterna, sendo de todo lamentável a ausência de qualquer delas. Nenhum pai substitui uma mãe, tal como nenhuma mãe substitui um pai. Como afirma o filósofo e teólogo Xavier Lacroix, todos crescemos num duplo jogo de identificação e diferenciação, todos recebemos o amor segundo estas duas cores e estas duas vozes, masculina e feminina, pois nenhuma delas esgota a riqueza do humano. Assumir legalmente a filiação por duas pessoas do mesmo sexo é, de acordo com a filósofa Sylviane Agacinsky, negar violentamente a incompletude e finitude de cada um do sexos em relação ao outro, é simbolizar, aos olhos dos visados e de toda a sociedade, a negação da limitação de cada um dos sexos e, consequentemente, a negação da riqueza da dualidade sexual.

            Não é por acaso que a filiação envolve dois progenitores, não só um, mas também não três ou quatro: porque cada um deles, na sua unicidade, é portador de uma especificidade (a que é própria do seu sexo) que completa e enriquece a do outro.

            O pedopsiquiatra Christian Flavigny, por seu turno, salienta (em Je veux papa et maman – «père- et- mère» congédiés par la loi; Salvator, 2013) como a identidade da criança se constrói a partir da noção de que foi gerada pela união entre o pai e a mãe. Isso é possível quando ela é adotada por um homem e uma mulher, que sempre poderiam ser seus pais biológicos, mas nunca quando é adotada por duas pessoas do mesmo sexo (ou coadotada por uma delas), que nunca poderiam ser seus pais biológicos, como ela sabe. Neste caso, a adoção serve de ficção legal falsificadora e geradora de uma confusão prejudicial à construção dessa identidade. Convenhamos que será difícil explicar a essa criança (numa nova versão da “história da cegonha”) como é que na sua origem pode estar uma relação entre pessoas do mesmo sexo…

            É por estas razões que sempre o regime da adoção foi concebido no sentido de a aproximar da filiação natural, para que a criança adotada se sinta o mais possível semelhante à que é criada pelos pais biológicos. E também para que a criança adotada não se sinta diferente das que o não são, muitos pais adotantes procuram ocultar de outras crianças o facto de ela ser adotada, o que nunca será possível quando é adotada por um par do mesmo sexo.

            Ao contrário do que muitas vezes se diz, não há “consenso científico” a respeito da ausência de malefícios da educação de crianças por pares do mesmo sexo. O estudo mais extenso até hoje realizado, do professor da Universidade do Texas Mark Regnerous, publicado na revista Social Science Research, demonstra o contrário.

            Também foi aprovada recentemente em França a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, associada à possibilidade de adoção. Mas o que a todos surpreendeu e ultrapassou todas as expectativas, foi a mobilização popular de oposição a esse projeto, que continua e não dá sinais de cessar. Realizaram-se, por várias vezes, manifestações das mais numerosas dos últimos anos. Juntaram-se pessoas de sensibilidades muito diferentes: católicos, mas também fieis de outras denominações religiosas e intelectuais laicos e de esquerda. Essa mobilização provocou, de acordo com as sondagens, a inversão da opinião geral a respeito do projeto: de uma aceitação claramente maioritária a uma oposição.

            Um sinal de que não estamos perante “conquistas irreversíveis” contra as quais nada pode fazer-se.

Pedro Vaz Patto