sábado, janeiro 01, 2011

Um ano de simplicidade


Chegamos ao início deste novo ano com a sensação de que estão para começar tantas coisas importantes, entre sonhos e desejos, entre compromissos já marcados. Um novo ano é sempre um tempo de energia e motivação, uma espécie de “agora é que vai ser” ou “chegou a altura de…”.

Porém, um olhar mais atento ao ano que começa leva-nos a colocar algumas questões que, por muito que queiramos, não podemos evitar. Vivemos um tempo em que a palavra do dia é a crise. E temos a certeza que este ano que começa será um ano em que não deixaremos de sentir os seus efeitos. Percebemos a instabilidade que nos pode trazer e àqueles que conhecemos, para além do sentimento de insegurança, desencanto, sensação de que o país vai de mal a pior, etc. É fácil que a desmotivação e a crítica sejam um dos temas principais das nossas conversas de café.

Se, por um lado, é importante ter consciência de que não estamos a viver tempos fáceis, por outro, somos desafiados a tentar criar, desde nós mesmos, um modo diferente de nos colocarmos perante a vida e os seus desafios: a capacidade de olhar uma crise como oportunidade de desenvolver o que está ao meu alcance, de aprender com a experiência, de ser mais atento às consequências do que fazemos quando não pensamos muito nos seus efeitos. A crise acaba por se instalar devido aos pequenos consentimentos que todos vamos fazendo às injustiças e desequilíbrios já estabelecidos, sem tomar uma opção clara por algo que seja contra-corrente.

Este ano poderia ser uma oportunidade de sermos mais nós mesmos, de vivermos de forma mais simples, despojada, sem grandes preocupações em ter tudo, mas muito mais centrados em ser mais, em estar de forma mais inteira. Sobretudo em agradecer os mínimos detalhes e dons de cada dia, não fazer tantas contas de dinheiro mas muitas mais contas de relações positivas, simples e abertas a quem precisa de atitudes de esperança e compromisso.

Pe. António Valério sj

terça-feira, dezembro 28, 2010

Jesus de Plastico




Num tempo virado para a imagem, num mundo que vive de imagens, ocupamo-nos afincadamente com o exterior. A árvore de Natal está montada, os enfeites espalhados pelas ruas, as músicas inundam o ar, o presépio colocado à entrada de casa. Por fora, tudo pronto.

E por dentro? Quando nos viramos do avesso, subtil, mas não menos intenso, está este Jesus a chamar-nos a uma relação diária com Ele, a não o tratarmos todo o ano como se Ele não fosse “Deus connosco”.

Um desafio para este Natal: que não O troquemos por um Jesus de plástico, mas que O deixemos nascer, de uma vez para sempre, nas nossas vidas!

Bernardo Caldas

sábado, dezembro 25, 2010

O Natal de Jesus


Normalmente não gosto desta altura festiva do Natal.

Barulho por todo lado, compras, créditos e esbanjamento de dinheiro para as prendas e mais prendas. As pessoas esquecem que o Natal existe porque Jesus nasceu….Vimos um Natal travestido de Pai Natal, mais uma época que continua a lógica do Ter sobre o Ser…. E lembrar que Jesus nasceu num estábulo na pobreza!

Milhões de pessoas comemoram o Natal. Os pinheiros são enfeitados, as casas e ruas ficam cheias de luzes, ceias familiares são realizadas e muitos presentes são trocados. Mas, será que pode existir uma comemoração real sem a presença d´Aquele por causa de quem o Natal é festejado?
Vivemos uma época de decadência desenfreada rumo à capitalização e marketing desse dia 25 de Dezembro. Com o real significado do Natal cada vez mais esquecido….Vejo pelas crianças que já tem inteligência suficiente para saber que Pai Natal não existe, e que o Rudolph e os gnomos ajudantes são só uma continuação dessa mentira. E elas sabem quem é Jesus? Obviamente que não.


Mas coitadas das crianças! A culpa não é delas: a sociedade e principalmente os pais é que fazem essa “lavagem cerebral” ensinando aos filhos que o Pai Natal veio do Pólo Norte, que tem um trenó e tal, e simplesmente ignoram o nascimento do menino Jesus. Com o avançar da idade, os pequenos enganados descobrem que o velhote das barbas brancas não existe, e com isso, não fica nenhuma imagem de Cristo.

Para ajudar a esta situação, as lojas, mercados e indústrias aproveitam-se da data para vender, vender, vender. Vendem brinquedos, roupas, penduricalhos, comida para a ceia e principalmente os presentes, por que afinal, na cabeça das pessoas o que é o Natal sem compras? O Natal é justamente isso prendas e mais prendas!Sinto-me tantas vezes angustiado, numa época que deveria ser de comemoração do nascimento d`Aquele que mais amo, transformado no lixo consumista que se tornou esta sociedade que vivemos.
Temos um Natal transformado em dia de presentes e da ceia. E tantas vezes nem a ceia as pessoas sabem qual o seu verdadeiro significado.


Amigo Leitor, a verdade é que:Há 2000 anos, Jesus Cristo, o Nazareno nasceu em Belém. Agora ele quer passar o Natal com aqueles que O amam! No dia 25 de Dezembro o que se comemora é uma mensagem de Paz e Amor para todos.Realmente, sem Ele, o Natal perde o sentido! Sem um relacionamento vivo com o Redentor eterno, com Jesus Cristo, a vida é muitas vezes uma sequência de preocupações e aflições sem sentido.

Por isso, amigo leitor, neste Natal abra o seu coração. Deixe Jesus entrar na sua vida!!

Cláudio Anaia

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Lugares de beleza

"Pôr a mesa, e em particular a mesa de Natal, pode constituir uma forma gráfica de criar um lugar de beleza"

Ao estender a toalha recém engomada e ao recontar novamente os convivas, ressoam na minha memória umas palavras de Bento XVI, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém: “Fazei coisas belas, mas sobretudo fazei das vossas vidas lugares de beleza”.

Pôr a mesa, e em particular a mesa de Natal, pode constituir uma forma gráfica de criar um lugar de beleza, um acto de cultura, uma forma de arte. Efémeros, é certo; mas não são efémeras a maioria das obras de arte mais surpreendentes e imprescindíveis? Uma gota de chuva, um pôr-do-sol, uma flor?

Conjugo as cores da toalha, dos guardanapos, dos pratos, do centro de mesa. Coloco cada prato pensando na pessoa da família que se vai sentar nesse lugar. Tem que ter espaço, embora a família seja grande e ficar onde possa conversar. As crianças, o mais juntas possível, para ser mais fácil servi-las e ver o que comem.

O centro de mesa é uma coroa do Advento cujas 4 velas a criança mais nova foi acendendo, uma a uma, nos almoços dos 4 domingos anteriores ao Natal.

Acto de cultura é a disposição dos talheres. Não é indiferente. Não é preciso colher de sopa, porque na noite de consoada não se come sopa. (Aleluia!!! Dirão aqueles que não gostam deste prato da dieta mediterrânica.) Talheres de peixe, porque hoje é bacalhau.

Antigamente, na véspera das festas fazia-se abstinência – esse sacrifício de não comer carne. Comer peixe continua a ser coisa difícil para muita gente, em especial com os talheres específicos. Bacalhau não constitui uma refeição pobre, mas os sinais de contenção, de sobriedade, vão aparecendo no meio da festa: batatas e couves, doces feitos de pão duro disfarçado com mel e frutos secos, os restos aproveitados para a “roupa velha”… Apontamentos semi-ocultos que vão recordando que o Menino também nasceu em circunstâncias de crise.

Encontro lugar para os copos e todos os talheres de sobremesa. Primeiro a colher, pois virão mexidos vários, porque cada casa tem a sua variante e a aletria da tia é sempre melhor e mais amarelinha. Depois, o garfo e faca virados um para o outro, para as rabanadas ou a fruta. O aroma a mel e canela rescende das travessas antigas, herdadas dos avós. Dos avós herdámos também todas as receitas, os sabores, os rituais, a fé num Deus que nasceu numa família como a nossa.

Não significa isso que na nossa mesa não haja Coca-Cola e gomas ao lado dos pinhões e das nozes. Importa sim que cada um note e saboreie que é festa, que lhe entre por todos os sentidos o passado e o futuro, as tradições e o carinho de família, a alegria de ver encarnado, tangível nos olhos dos outros, o Deus-Amor que dorme no presépio.

Maria Amélia Freitas

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Legalização : 53 Abortos / dia



Especialistas entendem que três anos e meio depois da legalização, os números já deveriam ter começado a decrescer

Este ano, por cada dia que passou, foram feitos 53 abortos legais. Em 2007, os números não ultrapassaram os 36. O número de interrupções voluntárias da gravidez tem crescido sucessivamente desde que a prática foi despenalizada há três anos. Em 2009, houve 19 572 contra os 18 607 abortos praticados em 2008 (mais 965). E, até Agosto de 2010, os casos já atingiram o patamar dos 13 mil. Ou seja, a manter-se a média actual, 2010 vai fechar ligeiramente acima do ano anterior, o que contraria a tendência decrescente noutros países europeus que optaram pela legalização.

Apesar de os números se aproximarem das estimativas iniciais - previa-se, com base na experiência de outros países europeus, que pudessem vir a praticar-se 20 mil abortos por ano -, especialistas entendem que três anos e meio depois da legalização do aborto, por opção da mulher, até às dez semanas já se deveria ter entrado numa lógica decrescente.

"A tendência no Norte da Europa é para uma estabilização passado dois ou três anos. E depois um decréscimo: na Dinamarca, por exemplo, ao fim de dois ou três anos os números começaram a baixar. Se cá não baixam é preocupante: legislou-se, mas não se iniciou um programa a sério de prevenção da gravidez", critica Luís Graça, director do serviço de obstetrícia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

O especialista, que foi um dos maiores defensores da aprovação da lei em 2007, está desiludido com os resultados. "Tomam-se medidas pontuais, mas não se tomam medidas de acompanhamento. Não há políticas preventivas e, assim, o aborto vai continuar a ser usado como um método de não concepção."

E, mais do que com os resultados, está desiludido com as mulheres: 354 foram reincidentes e fizeram mais do que um aborto em 2008 e 2009. "Fui ingénuo. Tenho pena que não tenham estimado uma lei feita para salvaguardar a sua saúde: era para protegê-las das complicações dos abortos clandestinos, não para fazerem dois ou três em dois anos."

O obstetra entende que a única bandeira que os defensores da despenalização ainda podem levantar é a da diminuição das complicações associadas a abortos ilegais "Antes tinha 20 a 22 consultas por mês devido a complicações decorrentes de abortos clandestinos. Agora, são duas ou três."

Crise ou conhecimento da lei? O agravamento do desemprego e da situação económica pode pesar na decisão de ter um filho, mas a maioria dos profissionais de saúde acredita não ser a razão principal para os números da interrupção voluntária da gravidez continuarem a não diminuir. As dificuldades decorrentes da crise económica são apenas parte da história: o maior conhecimento da lei pode explicar o resto.

"Este aumento não me surpreende. É natural que ao início os números não fossem tão altos. A prática tinha acabado de ser instituída: as pessoas não tinham ainda tanta informação", afirma Duarte Vilar, director-executivo da Associação para o Planeamento da Família.

Também Jorge Branco, coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, entende que "o aumento da confiança nos estabelecimentos de saúde onde é possível realizar um aborto" explica a tendência crescente dos números dos abortos praticados por via legal. A influência da crise, por contraste, "será muito residual, porque quando a lei foi criada já se sentiam estas dificuldades", recorda, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva

Mulheres reincidentes Para Daniel Serrão, não há qualquer razão que justifique o aumento dos abortos praticados no país, já que "é uma intervenção completamente desnecessária, que, independentemente de ser feita de forma legal, só traz riscos para a mulher". Dos 13 033 abortos registados nos primeiros oito meses do ano, 12 676 foram feitos por opção da mulher: só em 357 casos, o aborto foi provocado por perigo de morte ou de saúde da grávida ou malformação do feto.

"A lei do aborto não foi acompanhada por medidas que educam para a sexualidade. Se os métodos contraceptivos são gratuitos, não há nenhuma razão para as mulheres não terem uma vida sexual sem necessidade de abortar", lamenta o médico e especialista em ética da vida.

Além das falhas no planeamento familiar, o especialista aponta para a necessidade de controlo das repetições de abortos. "Na maior parte dos países, as mulheres só podem fazer um aborto. Aqui é a la carte", acusa. O registo dos motivos que levam as mulheres a abortar seria, na opinião do especialista, o primeiro passo para perceber "se o fazem por fome ou miséria, por falta de companheiro ou só porque sim".

Jorge Branco, presidente do conselho de administração da Maternidade Alfredo da Costa, explica que na impossibilidade de recusar fazer um aborto a uma mulher que seja reincidente, resta aos profissionais de saúde apostar nos casos mais problemáticos e "dar a essas mulheres métodos contraceptivos menos falíveis e mais duradouros, como os implantes".

Ler a notícia aqui

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Os incríveis estádios do Qatar para 2022. Não deixem de ver !



Os incríveis estádios do Qatar para 2022

Os cinco projectos de estádios de futebol apresentados pela candidatura do Qatar, vencedora da organização do Mundial de 2022, estão a dar que falar. Inspirados na história e paisagem do país, com alusão às tradições do Golfo Pérsico, os estádios, construídos em módulos, têm a possibilidade de serem readaptados após o evento, tornando-se mais pequenos.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Bem vindos a Dezembro. Abram as agendas.


1 de Dezembro, dia da Restauração. Festejamos o facto de não sermos espanhóis.

Festejamos o nosso País. E este ano, parece-me, precisamos muito deste feriado. Não para tecer considerações sobre nuestros hermanos (estou convencida que nos faz bem a todos uma saudável picardia), mas para ter consciência de que temos, ou de que somos um País. Este País. Claro que somos muito modernos e globalizados e cidadãos do mundo e da era digital e tratamos por tu muitas cidades da Europa e do mundo etc. Mas a nossa raíz, o nosso poiso é este cantinho de fronteiras orgulhosamente mantidas durante tantos séculos. Este País. E este País, como todos estamos fartos de saber, já teve melhores dias. E diz-se que estamos cansados dos políticos, que a conjuntura isto, que a situção aquilo. Mas cansados de quê? De que lutas? De que esforços?

Anda no ar um cansaço de todos e de ninguém, que muitas vezes nos anestesia e nos serve de desculpa para não nos responsabilizarmos . E é este o grande desafio que temos pela frente: a responsabilidade – assumir o nosso papel neste país que teima em não funcionar. E assumi-lo com brio e com amor , mesmo nas coisas pequenas. Mesmo se parece que não chega . Não é altura para cansaços, há muito para fazer. Também nós na nossa vida concreta deste ano, vamos ser confrontados pela realidade do país à nossa volta, com uma opção fundamental: segurança & conforto ou simplicidade & comunhão?

Começou o Advento . Este ano, o nosso País pede-nos com muita urgência que o preparemos a também a ele para a vinda de Jesus.

Joana Cardoso

quarta-feira, novembro 24, 2010




O olhar, o ver, o entender o outro: o sofrimento do outro, a arrogância dos outros, a solidão que os outros provocam naquele outro. E por fim, fazer-se próximo, mesmo que longe; encurtar as distâncias, querer ser igual no que o outro tem de diferente. Não é por isto que estamos À Espera? De um OUTRO que se fez igual, na estranheza da nossa diferença?

Bernardo Caldas

quinta-feira, novembro 18, 2010

O compromisso com um país que é nosso


No rescaldo da discussão e aprovação do Orçamento de Estado, temos vivido tempos de manifestações e cartazes de descontentamento, denúncias de desperdícios aberrantes de dinheiros públicos, a confusão da greve geral convocada em conjunto pelas duas intersindicais (coisa que não acontecia desde 1988), unidas perante um “inimigo comum”. Não é possível ignorar o cenário de desânimo, medo e acusação recíproca. Porque quem devia ter feito não fez, ou fez mal, porque muitos tinham previsto e ninguém os ouviu, porque se aperta o cinto a uns e não a outros.

A verdade é que, de uma forma ou de outra, agora todos vão ser atingidos: uns porque são funcionários públicos e vão ver os seus salários reduzidos, outros porque recebiam abono de família e deixarão de o receber, e todos – não há como escapar – porque passaremos a pagar um IVA de 23% quando formos às compras.

O país já estava em crise, o desemprego já superara a barreira dos 10%, as instituições de solidariedade já se viam a braços com sucessivas vagas de novos pobres a quem acudir. Já tinha havido vários PEC, já todos tínhamos refilado, mas nunca como agora o país se assustou. A corrupção era crónica, a cultura do mérito já fora destronada pela figura do “espertalhão”. Mas agora é que as consequências vieram ao de cima e deixou de ser possível camuflá-las.

No descontentamento geral que se sente, porém, notam-se dois fenómenos, que muitos apelidariam de “tipicamente portugueses”, mas talvez sejam simplesmente “humanos”. Por um lado, o facto de a tendência de nos interessarmos pelas medidas do governo e de refilarmos contra elas acontecer porque “nos vão ao bolso”. Os funcionários públicos teriam organizado uma manifestação se não tivessem sido alvo de um corte de salários? Haveria tantos grevistas no dia 24 de Novembro se a bancarrota do país não tivesse um impacto directo no seu poder de compra?

Por outro lado, é notório o vício de nos unirmos para encontrar bodes expiatórios para o mal de que padecemos, em vez de olharmos para o que nos compete fazer em favor do bem comum. O abono de família a que renuncio é algo que me é “roubado”. Se deixar de ter subsídio de férias ou de Natal, é porque “eles” mos “cortaram”. Tudo me é tirado à força, não são sacrifícios que faço, juntamente com os que me rodeiam, com a consciência de que há períodos assim (sempre os houve na História) e serão certamente ultrapassados, com o esforço de todos.

Claro que há culpados, claro que há irresponsabilidade. E sem dúvida que muita gente permanecerá impune, apesar das más decisões tomadas, ou decisões difíceis por tomar. Mas o espírito de apontar o dedo sem olhar para os privilégios que eu ainda tenho e de que posso abdicar (sim, porque receber 14 meses quando se trabalha 12 não deixa de ser um privilégio), não leva a lado nenhum.

Como disse Hugo Gonçalves no seu “elogio da crise”, «nós, os filhos do pós-revolução, crescemos com televisões a cores, jogos de computador, os videoclips da MTV a açucarar-nos a vida. (…) Recebemos o conforto que faltou aos nossos pais. Trabalhamos num escritório com ar condicionado e wi-fi, numa rua com dezenas de multibancos. (…) Cruzámos os braços. Não fomos votar no referendo do aborto. Comprámos, por fim, a casa. (…) Em breve, caso a depressão económica nos arrase, deixaremos de ter subsídios de férias e segurança social e ar que se respire. Em breve seremos mais frugais, mais sensatos, obrigatoriamente mais activos. Precisamos muito desta crise.»

Precisamos dela para nos desinstalarmos, para nos virarmos para aqueles que estão muito pior do que nós, para reconhecermos que ter limites para as próprias aspirações não é tabu, e que de facto, até agora, fomos talvez uma geração mimada. Está na altura de nos perguntarmos: qual o meu papel neste tempo novo de reconstrução?

Joana Rigato

domingo, novembro 14, 2010

Simular a terceira dimensão




A terceira dimensão costuma ser uma realidade que exerce um fascínio quase irresistível.

Talvez porque a esta tridimensionalidade possa explicar o que somos: cada um de nós tem uma identidade própria, através do qual nos pomos em relação com os outros ao longo de uma história concreta. Esta história real e mostrada em 3D nem sempre é clara.

Nela, muitas vezes, se confundem a imagem e a imaginação, a realidade e a ficção, a verdade e a representação. Para que não percamos o sentido verdadeiro do real, serão necessários três passos. Recordar o que somos e o que recebemos. Entender e interpretar os acontecimentos da nossa história. E, por fim, a necessária vontade para mudar o que necessita de conversão. É esta visão tridimensional que nos pode fascinar.


Nuno Branco

quarta-feira, novembro 10, 2010

.Ora aqui está o diálogo inteligente do Estado....


Utilizador - Pagador

Contribuinte - Gostava de comprar um carro.
Estado - Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte - Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?
Estado - Sim. De acordo com o valor do carro (IVA)
Contribuinte - Ah. Só isso.
Estado - e uma "coisinha" para o por a circular (selo)
Contribuinte - Ah!
Estado - e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)
Contribuinte - mas sem gasolina eu não circulo.
Estado - Eu sei.
Contribuinte - mas eu já pago para circular.
Estado - claro.
Contribuinte - então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado - também. mas isso é o IVA. o ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte - diferente?
Estado - muito. o ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte - porque existe?
Estado - há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petroleo. e você paga.
Contribuinte - só isso?
Estado - Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte - como assim?
Estado - Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte - para o estacionar?
Estado - Exacto.
Contribuinte - Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado - Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte - Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado - Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte - Novo?
Estado - é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte - Pago para você ver se pode cobrar?
Estado - Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha...
Contribuinte - Mais uma coisinha?
Estado - Para circular em auto-estradas
Contribuinte - mas eu já pago imposto de circulação.
Estado - mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte - Diferente?
Estado - Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte - Só mais isso?
Estado - Sim. Só mais isso.
Contribuinte - E acabou?
Estado - Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte - Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado - Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte - Quais 25 euros?
Estado - Os 25 euros é quanto custa.
Contribuinte - custa o quê?
Estado - Pagar.
Contribuinte - custa pagar?
Estado - sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte - Pagar custa 25 euros?
Estado - Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte - Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado - Imagine que um dia quer...tem que pagar
Contribuinte - tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado - Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte - E se eu não quiser?
Estado - Paga multa.

Rodrigo Moita de Deus

segunda-feira, novembro 08, 2010

ROSTO DA MULHER ATRAVÉS DE 500 ANOS DE ARTE - MAGNIFICO !!




O rosto da mulher através de 500 anos de arte...

Este vídeo é uma verdadeira obra de arte digital.
Foi visto por mais de 5,3 milhões de visitantes no YouTube e deu origem a mais de 10.000 comentários em 2 meses.
Lindo!!!
Preste atenção como o foco do olhar não se perde...incrível!!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Viver ou Juntar dinheiro?


Do Brasil recebi um email do qual transcrevo :


Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários.
Como esta que recebi recentemente.
Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia,
nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária.
É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.


Que tal um Cafezinho ?

quarta-feira, novembro 03, 2010




Quando no início comecei a ver este vídeo não pude deixar de fazer um paralelismo com a parábola do semeador (Mt 13, 1-23). No entanto, à medida que o filme ia avançando fui-me distanciando desta ideia e a razão é simples: a pessoa que aparece no filme não se compara com o Semeador do Evangelho. Ele observa rápida e duramente, sem carinho algum, o resultado de cada semente semeada, ficando-nos até a dúvida se foi ele quem semeou. Não passa de um cientista a testar a semente e as condições perfeitas para o seu crescimento, rotulando o que está mal e concentrando-se apenas naquele vaso de barro com terra fértil que, depois de semeado em determinadas condições, dá bons resultados.

O Semeador do Evangelho não é assim.
Não só temos a certeza que é Ele quem semeia, sendo portanto a semente de excelente qualidade, como também sabemos que apesar de muitas vezes não nos desenvolvermos, crescermos mal, endurecermos, sufocarmos, etc… o Semeador nunca desiste de nós.

Rita Casqueiro

segunda-feira, novembro 01, 2010

Vida. Para sempre.


Com Novembro, aceitamos que chegou, efectivamente, o Outono. Os dias ficam mais pequenos. As cores suavizam-se. Somos convidados a ficar mais em casa. Na nossa. Na dos amigos. Naquela que é o interior de cada um. O nosso de espaço de estar parece mais limitado. Parece haver mais lugar para o silêncio.

No início de Novembro, a igreja convida-nos a visitar este silêncio, a fazer memória daqueles que povoam a nossa vida e o nosso coração. Os que nos precederam e, de alguma forma, marcaram e marcam a nossa identidade. Somos convidados a olhar o ser humano que experimenta a impotência , os seus limites e a sua finitude. Pensar num ser humano, sem pensar na morte, é pensar num ser que não seria humano. Somos seres limitados. E ainda que possamos, por vezes, parecer viver sem experimentar os nossos limites, há sempre um tempo que chega em que eles se fazem sentir. Fazer memória da morte de alguém que nos é querido, que faz parte da nossa vida, é tomar consciência da nossa humanidade, da nossa fragilidade. Fazer memória da morte de alguém é pedirem-me para acolher algo que nunca poderei compreender totalmente. Fica a saudade. Fica a recordação. Mas, principalmente, fica a vida que foi aceite viver. E que fica, para sempre, a fazer parte da minha vida, em comunhão.

Margarida Corsino da Silva

segunda-feira, outubro 25, 2010

" SER FELIZ OU TER RAZÃO? "



Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

MORAL DA HISTÓRIA:

Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais frequência: 'Quero ser feliz ou ter razão?


quarta-feira, outubro 20, 2010

Uma boa homenagem a Michael Jackson




Estes são os dançarinos prisioneiros do Centro de Detenção e Reabilitação daProvíncia de Cebu, na Filipinas. Têm imensas coreografias - que fazem sucesso, muitas noyoutube e que foram uma idéia de Byron Garcia, um consultor de segurança do governo da província de Cebu. Ele afirma que a nova rotina de exercícios melhorou "drasticamente" o comportamento dos presos e dois ex-detidos transformaram-se em dançarinos desde então.

"Usando a música, pode envolver o corpo e a mente. Os prisioneiros têm que contar, memorizar passos e seguir a música", disse Garcia à BBC.
"Os prisioneiros dizem-me: "precisa colocar a sua mente longe da vingança,da loucura ou de planos para escapar da prisão ou juntar-se a uma gangue'",acrescentou Garcia.

A dança é obrigatória para todos os 1,6 mil detidos na prisão de Cebu,excepto para os idosos e doentes.

Deixo o comentário abaixo, tal como o recebi

Já tinha visto outros vídeos da mesma autoria deste, mas não podia deixar de enviar este. Trata-se de mais um vídeo realizado por prisioneiros filipinos,que estão cada vez melhor naquilo que fazem... até já filmam em HD e tudo!

Na minha opinião, o melhor dos vídeos realizados pelos já famososprisioneiros filipinos, e digo isto não só pela coreografia (do filme ThisIs It) mas também pela letra (They don't care about us) e pela mensagem que transmite.

Simplesmente fantástico!!!

quinta-feira, outubro 14, 2010

Nota da Direcção da Ajuda de Berço sobre a situação da Associação


Nota da Direcção da Ajuda de Berço sobre a situação da Associação

(a propósito de um email que circula na net pedindo ajuda para nós)

Lisboa, 7 de Outubro de 2010


Caros amigos

Antes de mais muito obrigada pelo seu/sua pronto interesse. Sensibiliza-nos muito.

De facto a Ajuda de Berço está a atravessar um momento muito difícil, mas “falência” é uma força de expressão que nós não utilizamos porque não somos uma empresa, e “bebés na rua” muito menos, pois o nosso trabalho é precisamente o oposto: acolher bebés em situação de abandono e/ou risco. Dar-lhes casa, colo, segurança, estabilidade e sobretudo muito afecto. Trabalhamos no seu projecto de vida para que encontrem um futuro digno e feliz.

Como qualquer instituição sem fins lucrativos, a nossa sobrevivência é assegurada por um pequeno subsídio do Estado (que cobre apenas um quarto das nossas despesas) e tudo o resto é angariado junto de pessoas singulares e empresas. Pedimos apoios em géneros e dinheiro. Com esta tremenda crise que não abranda, muito pelo contrário, os donativos em dinheiro têm vindo a diminuir drasticamente. E estes dois centros de acolhimento não subsistem só com géneros, também precisam de dinheiro para as múltiplas despesas com que se deparam diariamente.

Por isso é tão importante angariarmos associados e todas as ajudas que forem possíveis. Caso contrário será de facto muito difícil manter esta obra. Mas começámos do zero em 1998 e hoje temos dois centros de acolhimento a funcionar em pleno. Acreditamos que com o empenho e a boa vontade de todos será possível atravessar esta dificuldade e continuar. Muitas campanhas estão a ser feitas, outras agendadas. Até ao Natal acreditamos que vamos dar a volta a esta situação. Estes bebés precisam muito de nós.

Agradecemos mais uma vez todo o interesse e ajuda que nos queiram dar.

A Direcção

Junto enviamos o nosso site para saber como pode ajudar: www.ajudadeberco.pt


terça-feira, outubro 05, 2010

Sevilha, capital da vida





Vai decorrer dia 23 de Outubro(sabádo) um encontro internacional dos comerciantes do Aborto em Sevilha.

Aqui fica o manifesto de quem é contra e irá fazer uma manifestação por causa disso .

Sevilha, capital da vida

Em Sevilha, Espanha, está prestes a ser marcada por uma mancha de sangue: Vai Organizar o IX Congresso Internacional de Profissionais do Aborto

Empresários do aborto de todo o mundo compartilham suas melhores técnicas para matar as crianças com um único objetivo: ficar ainda mais rico às custas do sofrimento de suas mães e acabam impiedosamente com as vidas de milhões de crianças a cada ano.

Os politicos de Sevilha e da Andaluzia em vez de criticar e não aceitar esta data como uma data de angústia, morte e tristeza. Fizeram exactamente o contrário, tanto a câmara Municipal como a Junta da Andaluzia, deram apoio institucional e financeiro a este encontro descrevendo-o como um evento de "Saúde e interesse científico."

Por tudo isto, os espanhóis vão levantar a voz em Sevilha para pedir ao governo, a cidade de Sevilha e Andaluzia:

"Parar imediatamente com o financiamento do nosso dinheiro a favor indústria do aborto."
"Que esse orçamento seja consagrado à promoção integral maternidade e ajuda mulheres com gravidez indesejada."
"Isso não é de Sevilha, com este congresso, marcado com o sinal de morte, como a capital mundial do aborto.

Apelamos e incentivamos a sociedade como um todo Sevilha, Andaluzia e espanhol para ir a 23 de Outubro ao meio dia para Sevilha, a capital do mundo da vida.

Para mais informações ir :

http://sevillavida.derechoavivir.org/

http://socialistasporlavida.org/

sábado, setembro 04, 2010

Yo-Yo Ma toca Bach



Yo-Yo Ma nasceu na França numa família de origem chinesa com forte influência musical. Sua mãe, Marina Lu, era cantora, e seu pai, Hiao-Tsiun Ma, era maestro e compositor. Ma começou estudando violino e depois viola, antes de se interessar pelo violoncelo, instrumento que começou a manipular aos quatro anos de idade, com seu pai. Depois de um primeiro concerto em Paris, aos seis anos de idade, a família de Ma se muda para Nova York.

Ma era uma criança prodígio, tendo aparecido na televisão norte-americanda com oito anos de idade, em um concerto conduzido por Leonard Bernstein. Ele entrou para a Juilliard School (na qual tinha aulas com Leonard Rose), e passou um semestre estudando na Universidade de Columbia antes de se matricular na Universidade de Harvard, mas se questionava sobre se valeria a pena continuar a estudar até que, nos anos 70, o estilo de Pablo Casals o inspirou.

Retorna à França para tocar com a Orquestra Nacional da França e com a Orquestra de Paris, sob a direção de Myung-Whun Chung.

Já desde sua infância e adolescência, Ma possuia uma fama bastante estável e havia tocado com algumas das melhores orquestras do mundo. Suas gravações e interpretações das Suites para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach são particularmente aclamadas.

Não deixe de ouvir !

quarta-feira, setembro 01, 2010

Petição para Acabar com o Tráfico Sexual de Crianças e Jovens.


A empresa The Body Shop e a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima acabam de lançar em Portugal a Petição para Acabar com o Tráfico Sexual de Crianças e Jovens. Esta iniciativa enquadra-se numa campanha global, desenvolvida internacionalmente com a ECPAT (End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purposes), e que tem como parceiro nacional a APAV, que presta apoio especializado a este tipo de vítimas através da UAVIDRE - Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Discriminação Racial ou Étnica.

Estima-se que todos os anos 1,2 milhões de crianças e jovens sejam traficadas, sendo vítimas de exploração e abusos sexuais. O tráfico humano é o terceiro maior crime a nível internacional e, de acordo com o Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime, este é o crime que mais está a crescer em todo o mundo.

Sandra Costa explica o motivo pelo qual The Body Shop está a apoiar esta campanha: “The Body Shop nunca virou as costas a questões e causas controversas, muitas das quais ignoradas por outros. De facto, era um dos desejos da nossa Fundadora Anita Roddick acabar com este “comércio de escravatura moderno” – o tráfico humano. Porque consideramos que pouco ou nada se está a fazer para acabar com este problema, juntamo-nos à APAV e vamos lançar uma petição que será enviada ao governo, instigando-o a reforçar a legislação e as medidas de protecção e, ao fazê-lo, erradicar esta terrível violação dos direitos das crianças”.

The Body Shop e a APAV convidam todos os portugueses a assinar esta petição contra o Tráfico Sexual de Crianças e Jovens, como sinal de tolerância zero. A petição estará disponível nas lojas The Body Shop.

A petição poderá ser assinada online:

http://www.peticaopublica.com/?pi=STOPTSCJ

quarta-feira, agosto 25, 2010

Isto chama-se FORÇA DE VONTANDE




Vinod Thakur é um rapaz indiano, com 21 anos, que nasceu sem pernas, mas isso não é impedimento para dançar breakdance. Thakur concorreu ao India´s Got Talent, um concurso de televisão onde se caçam talentos, e o júri do programa apurou-o para a próxima fase.

Thakur aprendeu a andar com as mãos rapidamente. Começou a praticar a modalidade da dança, já que tinha o sonho de fazer breakdance: ““Ele descia as escadas mais rápido que os seus colegas de escola”, contou Kmata Chopra, a sua professora.


Actualmente é uma estrela no local onde vive, East Delhi, na Índia e está entusiasmado com a próxima fase do concurso: “Estou ansioso pela próxima fase. Tenho tido muito apoio dos meus amigos e família”. “Eles querem sentir-se orgulhosos e vou dar o meu melhor”, acrescentou.


Além disso, na região de East Delhi, não só o apoiam, como pedem que ensine uns passos de dança: “Depois de me verem na televisão, as pessoas mudaram a opinião que tinham sobre mim. Algumas até me pediram para ensinar aos seus filhos”, disse Thakur à imprensa britânica.

domingo, agosto 22, 2010

Passe bem !

Não é certamente possível ter escolas e creches abertas e maternidades a funcionarem, se nascem cada vez menos crianças e Portugal tem uma das mais baixas taxas de natalidade da Europa.

Nos últimos anos, todas as políticas dominantes foram no sentido de atacar a família, de a desestruturar e de dificultar que os casais tenham filhos. Na mesma semana da notícia do fecho das escolas, foi promulgada a lei das uniões de facto. Esta lei vem no seguimento de toda uma legislação concebida para considerar a instituição familiar - ou, como escreveram Marx e Engels, a «família patriarcal-burguesa» - algo de obsoleto.

Senão, vejamos. O aborto passou a ser considerado um direito, o que teve como consequência imediata transformar-se num banal método anticoncepcional. Da legislação que existia em Portugal e que apenas pretendia evitar a prisão das mulheres que, perante um drama que por vezes acontece nas curvas da vida, partiu-se para esse caminho e os resultados estão à vista. Hoje, há jovens mulheres que banalizaram o aborto na sua vida e já realizaram dois ou três abortos legais, desde que a lei foi aprovada, em hospitais públicos, ou em clínicas espanholas. Alguns dos inspiradores da lei já vieram, alarmados, penalizar-se pelos resultados da lei que fizeram e reconhecer que nem conseguem que essas jovens passem, depois de abortar, por uma consulta de planeamento familiar. Voltam apenas, pouco tempo depois, para um novo aborto. Um direito nunca pressupõe culpa e a lei aprovada banalizou o aborto a pedido, sem drama , sem culpa, como se não existisse uma vida interrompida.

Em simultâneo, facilitou-se de tal forma o divórcio sem qualquer salvaguarda da parte mais frágil do casal: os filhos e (quase sempre) a mulher, surgindo dramas terríveis de casamentos desfeitos com um «passa bem». Os filhos vêem-se de repente transformados num fardo que circula de casa em casa, sem quarto, porque o que dá mais jeito é que uma semana «chateiem» um, outra outro e, muitas vezes, ainda rodem pelos vários avós. As crianças deixaram de ser, tantas vezes, o centro do vida familiar para se transformarem em novos nómadas e as mulheres em novos pobres, «despedidas» mais facilmente que qualquer empregado sindicalizado.

Do ponto de vista fiscal, o casamento e os filhos penalizam quem tem a ideia antiquada de casar e imagine-se… ter filhos e ter uma família. As uniões de facto estão de tal forma equiparadas ao casamento que o melhor para quem não deseja nenhum compromisso é mesmo garantir, publicamente, em notário que, apesar de solteiro, viúvo ou divorciado, vive só, assegurando que ninguém entra lá em casa. Homem ou mulher.
O casamento civil foi, assim, equiparado à união de facto, transformado num contrato a (curto) prazo, quando já tinha sido recentemente equiparado o casamento de homossexuais com o de heterossexuais. Com filhos ou sem filhos, o importante é, na ideologia dominante, acabar com a opressão da família burguesa.
Não modernas as teorias que originaram estas leis mas, felizmente, também não corremos ainda os riscos das teses extremistas do fim da família, teorizado por Marx e Engels como um objectivo de luta. Marx escreveu que «a primeira divisão do trabalho é a de homem e mulher para a procriação de filhos». Engels cita-o e acrescenta que «a primeira oposição de classes que aparece na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo de homem e mulher no casamento singular e que a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo masculino» (in A Origem da Família, da Propriedade e do Estado, F. Engels.).

No seguimento desta teoria, nasceram as feministas radicais com a Kolontai e o ataque à família levado a cabo nos países comunistas que foi um dos maiores atentados aos direitos humanos nesses países. Na URSS, os pais não faziam férias com os filhos. Os filhos passavam férias nos Pioneiros, enquanto os pais seguiam para as férias nos sindicatos. Na China de Mao Tse-Tung, além de ser proibido pelo Estado ter mais que um filho e o aborto ser obrigatório, chegou-se ao ponto de proibir as cozinhas nas casas das famílias e de se ter de comer e cozinhar nos refeitórios comunitários. Refeitórios masculinos e femininos.
Com leis que dificultam cada vez mais ter filhos, com modelos dominantes desestruturantes da família, ainda há quem proteste por se fecharem escolas, creches, ATL, maternidades, jardins-escolas? Espantoso é que ainda haja quem seja feliz e acredite no futuro, olhando e vivendo filhos e netos.

Zita Seabra

terça-feira, agosto 10, 2010

Padre skater faz sucesso no Youtube




Se não fosse pecado, muitos skaters teriam inveja da perícia do padre Zonltan Lendvai sobre a tábua. De batina negra até aos pés, o pároco húngaro descobriu neste desporto radical uma forma de atrair mais jovens para a igreja. Na internet já ultrapassou 450 mil visitas. Veja o vídeo.

A pequena cidade húngara de Redics ganhou outra agitação desde que o padre Zoltan Lendvai se transformou numa estrela do YouTube.

Fonte : JN

quinta-feira, agosto 05, 2010

Bill Gates convence 40 milionários a doar 50% da fortuna

Os milionários Bill Gates e Warren Buffet anunciaram hoje que contam com as assinaturas de 40 indivíduos e famílias norte-americanos que se comprometem em doar metade das suas fortunas para a caridade.

O The Giving Pledge ('o compromisso para dar', numa tradução literal) foi um projecto lançado há seis semanas pelo fundador da Microsoft e o famoso investidor.

A ideia é conseguir o compromisso dos mais ricos de que metade da sua fortuna será aplicada em acções de caridade ainda durante a sua vida ou a título póstumo.

Entre os milionários que subscreveram a campanha estão, segundo o site oficial, o mayor de Nova York, Michael Bloomberg, o executivo do sector de entretenimento Barry Diller, o co-fundador da Oracle Larry Ellison, o magnata do sector energético T. Boone Pickens, o magnata dos media Ted Turner, bem como os famosos investidores David Rockefeller e Ronald Perelman.

A organização afirma ainda que muitos dos subscritores se comprometeram a doar mais de metade da sua fortuna, o mínimo pedido.

No entanto, ressalva o The Giving Pledge, este é um 'compromisso moral', sem qualquer valor legal.

Bill Gates, junto com a sua mulher, Melinda, criou a maior fundação do mundo para acções de caridade e ajuda aos povos necessitados. Warren Buffett doou, em 2006, 99 por cento da sua fortuna à Fundação Bill e Melinda Gates.

segunda-feira, agosto 02, 2010

O princípio do fim


Em 2010 já deveria ser tempo de percebermos que o facto de determinada actividade ser uma tradição não deve ser, obrigatoriamente, sinónimo de que esta seja algo de bom, defensável e perpetuável. Simplificando, as boas tradições devem ser preservadas, e as más devem ser lamentadas e reduzidas ao seu lugar na história. Dizem os defensores da tauromaquia que Espanha é "O país da afición", mas a verdade é que a "aficionada" Espanha, ao longo dos últimos anos, e em resposta a várias sondagens que têm vindo a ser feitas nesse país, tem dito que cada vez tem menos interesse nesse tipo de evento. Essa "aficionada" Espanha - dizem os números oficiais - tem cada vez menos público nas praças de touros, e, ainda, é nessa mesma "aficionada" Espanha que cada vez há mais grupos locais, nacionais, e até internacionais, a fazerem campanhas de sensibilização para o horror que é a tauromaquia, levando a que cada vez mais localidades deixem de incluir animais nas suas fiestas. Têm sido estas pequenas grandes vitórias que, somadas à pioneira proibição das touradas nas Canárias (em 1991), têm demonstrado ao mundo aficionado das touradas que Espanha já não é "O país da afición".

A prova acabada de que a indústria da tauromaquia tem os dias contados em Espanha é a recente (do passado dia 30 de Julho) proibição das touradas na região da Catalunha. Depois da apresentação de uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP) que pedia esta proibição, e de muitos meses de trabalho árduo por parte das organizações abolicionistas que trabalham em Espanha, o "sim" ganhou. O "sim" à razão, à civilidade, à cultura, ao respeito, ganhou. E, com ele, ganhou o movimento de defesa dos direitos dos animais, e, mais do que tudo, ganharam os animais que não serão utilizados por essa indústria macabra que os cria somente para os humilhar, ferir e matar, satisfazendo assim a avidez de sangue de um grupo cada vez mais pequeno de pessoas. Esta decisão não é apenas o princípio do fim das touradas naquele país, cremos. Ela representa, na verdade, a primeira peça do dominó, aquela que é empurrada para cima das outras e que as faz a todas tombar, uma a uma. As restantes peças são os restantes oito países (dois deles na Europa) onde a tauromaquia ainda existe, e esta é uma certeza: As touradas estão a começar a acabar!

Grupos de outras regiões espanholas estão já a avançar com as suas próprias ILP, as campanhas pela abolição da tauromaquia estão, e serão, cada vez mais fortes e mais apoiadas por países que, tendo uma noção de civilidade que ainda não temos, estão de olhos postos em nós, e utilizarão todas as formas possíveis para que esta lamentável peça da nossa cultura seja eliminada. Em Portugal, e já não é de agora, a indústria lamenta a falta de público nas praças, e afirma a necessidade de se levarem praças desmontáveis a localidades que não têm qualquer tradição tauromáquica. Estes são sinais de decadência de um negócio que já não é o que era, que cada vez é mais impopular e que não está a saber aceitar que o seu tempo acabou.

A história tem-nos mostrado que os movimentos sociais de defesa de minorias, que em determinada altura são ridicularizados, combatidos e atacados, têm, aos poucos, vencido as batalhas da justiça contra a injustiça, da razão contra a brutalidade, e estamos certos de que o mesmo sucederá com o movimento de defesa dos direitos dos animais não humanos. O respeito por quem partilha o planeta connosco e a capacidade de aceitar essa partilha sem o preconceito especista que impera são objectivos que defendemos e perseguimos com veemência. Pela parte da organização que represento, posso reiterar o compromisso de que continuaremos a desenvolver o mesmo esforço de sempre na defesa dos animais, continuando, claro está, a trabalhar pelo fim da tauromaquia. Assim, e já no início do próxima sessão parlamentar, a ANIMAL conta dar início a uma inédita campanha pela abolição desta actividade em Portugal.

Rita Silva, Presidente da associação ANIMAL