domingo, julho 25, 2010

Pedalar pelo Gaiato



Luís Monteiro de Aguiar, sobrinho-neto do fundador da Casa do Gaiato vai pedalar 365 km para angariar donativos e sensibilizar os portugueses para as causas sociais. Ao invés de ir de férias de carro, escolheu percorrer os 365km em duas rodas .

Não tenho tempo para perder tempo» era o lema do Padre Américo, fundador da Casa do Gaiato. Quem também agora não pode perder tempo para sensibilizar os portugueses para as necessidades crescentes das instituições que recebem cada vez mais pedidos de ajuda é Luís Monteiro de Aguiar, sobrinho-neto do Padre Américo.

Economista e administrador de empresas, Luís de Aguiar explicou ao SOL como surgiu esta ideia: «Vivi muitos anos em Inglaterra, onde as corridas desportivas por causas sociais são muito comuns». O gosto pelo ciclismo levou, entretanto, o economista a pensar num transporte alternativo para se deslocar durante as férias. «Vou de férias para o Norte e em vez de ir de carro, vou de bicicleta», conta o desportista sem grandes preocupações: «Nas últimas cinco semanas pedalei cerca de 600 km a subir e a descer a Serra de Sintra, portanto estou mais do que preparado para percorrer 365km».

A viagem tem início em Setúbal, a 27 de Julho. A primeira escala será em Miranda do Corvo e termina em Paço de Sousa, Penafiel, a 31 de Julho, com um pic-nic com o objectivo de reunir fundos para a causa. Quando chegar à Casa do Gaiato de Paço de Sousa o sobrinho-neto do Padre Américo entregará aos representantes da Obra da Rua a totalidade dos donativos que durante o percurso conseguir angariar aos quais se juntam os que se esperam conseguir com o pic-nic.

O ciclista afirma que «não queremos nada para nós, mas aceitamos aquilo que quiserem dar à Obra da Rua, seja sob a forma de apoios financeiros pontuais ou duradouros, seja sob a forma de outros apoios materiais, para a Obra da Rua (materiais escolares, de construção e bens alimentares».

Quem estiver interessado em apoiar esta iniciativa pode também fazer o seu donativo directamente para a conta da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo (NIB 003504680000557733018 na Caixa Geral de Depósitos, indicando a referência 365kgaiato).

Obra de Rua da Casa do Gaiato

A Obra de Rua ou Obra do Padre Américo, também conhecida como ‘Gaiato’, é uma IPSS que nasceu da necessidade sentida pelo Padre Américo Monteiro de Aguiar em apoiar crianças e jovens carenciados. A finalidade das três Casas do Gaiato existentes em Portugal é acolher, educar e integrar na sociedade crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados de meio familiar normal A população média de cada Casa do Gaiato é de 150 rapazes distribuídos pelas diferentes idades desde o nascimento até cerca dos 25 anos.

Fonte : Sol

quinta-feira, julho 22, 2010

Filme da semana : Contraluz




Uma agradável surpresa este filme de Fernando Fragata , o primeiro filme realizado por um português em Hollywood.

Num bom argumento que conta a história de várias pessoas, sem ligação entre si, que se encontram em situações complicadas das suas vidas -entretanto algo inesperado acontece que irá mudar o rumo das suas vidas. Cada um terá nas suas mãos a oportunidade de mudar o seu destino de modo a reencontrar a felicidade.

Mas há destinos que só se alcançam depois de alterar o dos outros.

Bons pormenores de realização e musica oficial do filme da banda portuguesa, Santos e Pecadores

Em tempos de crise de valores, aqui está um filme a não perder.

Veja o 3 trillers em http://www.fernandofragata.com/contraluz

Cláudio Anaia


segunda-feira, julho 19, 2010

A doença do Século e as novas ditaduras



Em plena época de crise, somos autenticamente bombardeados pela imprensa que informa sobre as dificuldades dos países em manter as suas economias e mostrar as diferenças cada vez maiores entre os ricos e os pobres. Muito se fala sobre tudo isto, mas poucos dizem que isto é resultado da doença do século: O consumismo e as suas consequências que tem como resultado novas ditaduras.

Hoje irei falar de três delas:

1-A ditadura da beleza onde as mulheres são transformadas em objectos que desfilam em roupa que ninguém vê ou compra e tentam servir de modelo (modelo que na realidade não o é, porque não vejo na rua ninguém parecido com essas pessoas). São milhões de pessoas que, mais tarde ou mais cedo, ficam reféns por não serem iguais (só se passarem fome e tiverem bons patrocinadores) e amordaçam a sua liberdade, matam o seu bem-estar e destroem a sua auto-estima por não se aceitarem tal como são.
Cada vez me convenço mais de que em nome do lixo que anda por aí em alguma comunicação social as pessoas trocam a sua felicidade pelo esforço de tentarem ser “belas exteriormente”, não percebendo que devemos amarmo-nos tal como somos.

2 - A ditadura Ligth é mais uma palavra maldita, hoje em dia politicamente correcta, utilizada com a intenção de vender produtos de menor valor energético e que tem como objectivo atingir uma boa linha. Esses produtos estão por todo o lado: nas colas, nas manteigas, nos queijos, no café sem cafeína ou até na cerveja sem álcool.
Hoje em dia o Homem é um ser transfigurado, que procura cada vez mais mostrar o ter e nem sequer se preocupa com o ser…sim, tal como os produtos LIGHT!
Para o homem que se deixa conduzir pelo consumismo e pela publicidade massiva (que cria na maior parte das vezes falsas necessidades) o que importa é mostrar aos outros que se tem um estatuto, mas na verdade, na maior parte dos casos, interiormente evidencia-se uma debilidade, uma fraqueza e uma carência extremas, bem como a existência de um grande vazio moral, mesmo que materialmente possam ter quase tudo.


3- A ditadura do Relativismo Absoluto, como muitas vezes criticada pelo Papa Bento XVI. Vemos um homem permissivo onde não há proibições nem limitações. Tudo é válido, tudo é permitido desde que traga satisfação. Qualquer análise que se faça é positiva e negativa, pode ser boa ou má, dependendo do seu ponto de vista. Desta intolerância interminável nasce a indiferença pura. A verdade deste tipo de pessoa é imposta pelo politicamente correcto em comportamentos onde não há princípios sólidos e nem referências, onde as fronteiras entre o bem e o mal, o positivo e o negativo foram apagadas.

Com certeza, tal como o amigo leitor, eu também tenho amigos com estas “doenças” e sempre que saio com alguns deles é lamentável assistir a comportamentos em que tudo é plástico: as compras, a beleza e as marcas, num autêntico esbanjamento para dar a ideia do triunfador, do 'heroizinho' que tem êxito, prestigio social e, sobretudo, dinheiro… muito dinheiro.

Estará tudo perdido?

Quero acreditar que não. Tem que se começar por dar primazia às pessoas e àquilo que elas são. Dar dignidade, viver liberto daquilo que materialmente temos e deixarmo-nos de preocupar com o que os outros pensam.
Perceber definidamente que a aposta tem que ser no interior e que não vale a pena ser como aqueles bolos todos bonitos por fora e que à primeira dentada notamos logo que não tem creme nenhum.

A vida é simples. Todos somos seres humanos especiais e únicos e temos um lugar insubstituível neste mundo, que tem que ser mais solidário, fraterno, menos consumista e principalmente mais humilde. Se assim for, estas novas prisões como estas novas ditaduras poderão acabar, já que na verdade as pessoas valem por aquilo que são e não por aquilo que aparentam ser ou possuir.


Cláudio Anaia
claudioanaia@hotmail.com

sábado, julho 10, 2010

Perfeito




Quando se aproxima o tempo do descanso, perguntamos e procuramos fazer aquilo que nos enche de merecido repouso. Criamos, imaginamos e sonhamos lugares perfeitos. Desejamos sair do tempo para transformar lugares desgastados e desabitados em momentos de vida e cheios de humanidade. Não é fácil saber como fazê-lo. Queremos e merecemos o tempo, e fazemos dele lugar nosso. Unicamente para nós. Mas, que esta criação, embora seja merecida, não nos feche e não nos prenda porque quanto mais centrados nas nossas ocupações e projectos, maior é o desgaste e com isso, a eterna e contínua ausência de descanso.

Nuno Branco

domingo, julho 04, 2010

Relances associa-se ao documentário “ Blood Money”



Já sabemos que de uma forma geral comunicação social portuguesa não vai falar e muito menos comentar este documentário que esta a causar grande polémica nos Estados Unidos.

Por isso peço-lhe que divulgue em todos os seus contactos este vídeo e quem sabe se possível trazer este trabalho até Portugal.

Este é um novo filme independente que retrata a indústria do aborto com o nome “Blood Money” e que têm como objectivo expor a corrupção da Planned Parenthood.

Os produtores fazem deste trabalho um apelo mundial contra o Aborto e por isso apelam todos a ir a :

http://www.bloodmoneyfilm.com/

quinta-feira, julho 01, 2010

Kaká apoia campanha contra prostituição




Kaká deu seu apoio a uma campanha de Ashton Kutcher contra a prostituição, através de seu Twitter, nesta terça-feira, 29.

O jogador, que tem fama de bom rapaz, fez um post com uma foto onde aparece com a camisa da Selecção Brasileira virada para aparecer seu nome e um cartaz com o nome da campanha na mão: "Real Men Don't Buy Girls", que quer dizer "Homens de verdade não compram mulheres".

segunda-feira, junho 28, 2010

Presidente do Conselho de Ética defende revisão da lei do aborto



Este médico foi um dos grandes apoiantes dos grupos pró-liberalização do Aborto. Agora diz que se está a cair num abuso. Aquilo que nós, Pró-Vida já sabíamos e que avisámos com muito tempo de antecedência está a acontecer ....

" Tenho outra inquietação. O número de abortos está a subir. De 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009." -afirma

Ver toda a entrevista, clica aqui

sexta-feira, junho 25, 2010

Campeonato do Mundo?

Como qualquer pessoa - ou, se quiserem, como qualquer pessoa da minha idade - perco horas por semana a ver os jogos do Campeonato do Mundo de Futebol, o que tem sido, como sabem, um sacrifício inexplicável e, ainda por cima, inútil. Não falo de Portugal (que passou depressa). Falo de toda a gente com a evidente excepção da Argentina e do Brasil. Mas, no meio da sonolência e da irritação com a monotonia e a mediocridade do que tenho visto, comecei pouco a pouco a perceber a explicação daquele desastre: o Campeonato do Mundo de Futebol não é, de facto, o Campeonato do Mundo de Futebol, é campeonato dos jogadores da Europa (e aqui incluo na Europa, embora em pequena medida, a Rússia europeia) e da Turquia, arbitrariamente divididos por nacionalidade de origem.

Verdade que se tocam hinos e se mostram bandeiras e que uns milhares de entusiastas pintam a cara e agitam bandeiras. Mas seria informativo e didáctico indicar a que clube está neste momento ligado cada jogador e fornecer um pequeno sumário da sua carreira. Isto, porque a maioria foi educada na Europa e continua na Europa. Normalmente, nos países mais ricos: na Alemanha, em Inglaterra, em Espanha, em Itália, em França, na Holanda ou na Bélgica. Mas também na Grécia, na Turquia e até, em certa medida, em Portugal. Por isso, quase sem excepção, jogam como se joga na Europa. A "nacionalidade" futebolística, como existia há 20 anos, desapareceu. Já não há surpresas. Há uma rotina de anos, que se reproduz num cenário novo e com um aparato diferente.

A fraqueza de equipas como a Inglaterra ou França vem precisamente desta uniformidade geral. A Europa compra o talento da África, da América do Sul e mesmo da Ásia. Quando um clube europeu precisa de um atacante ou de um médio ou um defesa, não o procura em casa, compra no mercado universal, mais prometedor e barato. Não admira que a seguir às selecções verdadeiramente nacionais faltem jogadores de qualidade para lugares decisivos (como, por exemplo, falta à Inglaterra um guarda-redes). Pior ainda: as secções juvenis dos grandes clubes não hesitam em importar adolescentes do Mali ou do Chile, para os desenvolver e treinar para seu benefício (ou os mandar embora sem educação e sem destino, se falharem). O Campeonato do Mundo acabou por se tornar uma falsificação. É um negócio e uma bolsa de jogadores. Pouco mais.

Vasco Pulido Valente

quarta-feira, junho 23, 2010

UMA HISTORIA BONITA



É a história de um casal, filho de uma amiga minha muito querida. Têm 4 filhos, o mais novo dos quais com 1 ano. Têm uma vida organizada e trabalham os dois duro para levar a familia para a frente. E... Espantem-se...!!!! Resolveram adoptar mais um filho... uma menina de 6 meses. NÃO É UMA MARAVILHA? UM EXEMPLO DE GENEROSIDADE ENORME QUE NOS DÁ VONTADE DE VIVER A CANTAR, A DANÇAR, A AGRADECER, E A LOUVAR AO SABER DE CASOS DESTES?

MAS... a história, LINDA, não acaba aqui. A criança que adoptaram e que chegou "a casa" esta semana, é portadora de Trissomia 21 (para quem não sabe o que quer dizer, o bebezinho é mongolóide - ou seja, é uma criança "diferente"), o que levou os pais - a mãe - a não a quererem...

Estamos em crise? Que crise nos pode vencer com gestos destes? Estamos em crise? Sim, estamos em crise - uma crise que está no coração das pessoas, nos valores em que vivem, para que vivem, com que vivem...

É OU NÃO UMA HISTÓRIA LINDA?


Para a completar, vou explicar o que é a "Trissomia 21" através de uma carta escrita por uma jovem mãe que há 2 meses deu à luz (ou nos deu luz) um bébé com Trissomia 21. Também filha de uma grande amiga minha, ela própria me é muito querida. Escreve assim, em nome da filha:

Olá, eu sou a Carminho e tenho Trissomia 21… mas não sou doente! Até sou bastante saudável!!! Sei que é complicado os pais dos meus primos e dos meus amigos explicarem aos filhos o que é a T21 por isso resolvi deixar aqui umas dicas! Sabem uma coisa? Sou um bebé igual aos outros: gosto de dormir, de comer e de tomar banho. Choro quando tenho fome, grito quando a minha mãe me limpa o nariz e fico muito excitada quando os meus irmãos chegam a casa e me enchem de beijos! Gosto que peguem em mim ao colo e que me tratem como tratam qualquer outro bebé! E quando crescer vou para a escola e vou aprender a ler e a escrever! Também vou ser teimosa mas parece-me que nem chegarei aos calcanhares do meu irmão!!! É certo que cada uma das minhas células tem 47 cromossomas em vez de 46. Mas tenho mais e não menos, repararam? Serei um pouco diferente, talvez muito pouco diferente, mas não somos todos diferentes? Por ter T21 tenho algumas particularidades como o formato dos olhos e da boca, ou seja, basta olharem para mim para verem que sou um bebé 21. Quando os vossos filhos começarem a fazer perguntas sobre mim devem explicar que eu tenho T21, mas não que tenho uma doença. Também quando virem outro “trissómico” não devem dizer que tem a mesma doença que eu, podem dizer que tem T21 como eu! Por isso já perceberam que não sou doente mas diferente!
Muitos bjs para todos

Carminho

terça-feira, junho 22, 2010

A saúde mental dos Portugueses

Recentemente ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária.

Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque nos últimos quinze anos o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da segurança social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante estes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
In jornal Público

domingo, junho 20, 2010

Man as Industrial Palace



O ano era 1927 quando Fritz Kahn escreveu o Body Machines.

Um livro que retratava o corpo humano como uma enorme fábrica. O resultado é uma forma surpreendentemente fácil de demonstrar e entender o funcionamento do nosso corpo. Ele reproduziu nosso sistema nervoso como um sistema complexo de sinais eletrônicos, com botões, quadros de energia e diversos trabalhadores da fábrica trabalhando em equipe e muito ocupados.

Ele explorou cada região usando metáforas da vida industrial moderna.

Um vídeo a não perder !

sexta-feira, junho 18, 2010

Qual Crise ?





No primeiro trimestre de 2010 venderam-se quase 14 mil telemóveis por dia, o que totaliza 1,24 milhões de equipamentos vendidos neste período.

Fonte DN


Segundo a Wikipedia a diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário para sobrevivência. Já no consumismo a pessoa gasta tudo aquilo que tem em produtos supérfluos...

terça-feira, junho 15, 2010

CARTA ABERTA AOS PADRES DE PORTUGAL

Caras (os) Amigas (os),

Não sei se repararam na Página 42 do primeiro caderno do EXPRESSO desta semana (em anexo onde pode ser lido na sua íntegra) , uma Carta aberta aos padres de Portugal em que fala :

"Obrigado pelo vosso sim, repetido todos os dias, que resplandece como sinal de contradição no mundo sedento de verdade.

Obrigado pela vossa adesão livre e comprometida à vontade do Pai, que nos leva a procurar a paz que liberta e acende em nós o fogo do Amor de Deus.

Obrigado pela vossa união a Cristo e à Igreja por Ele fundada, que nos ajuda a reconhecer a grande graça de pertencermos à Igreja e de nos ancorarmos sobre a rocha da verdade de Cristo, quaisquer que sejam as tempestades.

Obrigado pelo vosso celibato vivido na alegria e no amor do Deus de ternura, que nos inspira a nos darmos uns aos outros na generosidade do dom total.

Obrigado pela vossa devoção à Santa Missa, milagre de eternidade que todos os dias ilumina e transforma as nossas limitações e nos permite fazer do Senhor eucarístico o princípio e o fim do nosso viver.

Obrigado por nos acompanharem nos momentos mais importantes da nossa vida: baptizando-nos, dando-nos o Senhor Jesus, ouvindo cheios de compaixão as nossas confissões, entusiasmando-nos a receber o Espírito Santo, juntando as nossas mãos no dia do nosso casamento, e preparando-nos para ir ao encontro de Deus. "

E a forma escolhida para agradecer a estes homens de Deus a sua entrega é simples :

Basta enviar um email para catolicosdeportugal@gmail.com ou deixando mensagem/sms no número 915 618 318, com o seu nome, Paróquia e/ou Diocese a que pertence.

No final de Junho, o original desta carta com os nomes recebidos, será entregue a cada um dos Bispos de Portugal.

domingo, junho 13, 2010

SALVAR O DOMINGO

Está em discussão pública, desde Março e durante seis meses, uma directiva da União Europeia sobre a duração do tempo de trabalho e nessa discussão se inclui a questão da salvaguarda da regra do domingo como dia de repouso.

Representantes da Igreja Católica e de outras denominações cristãs mobilizam-se em prol da protecção do sentido tradicional do domingo, no que se unem a sindicatos e deputados europeus de várias tendências. Um simpósio com este objectivo decorreu em Bruxelas a 24 de Março. Está em causa uma norma europeia que garanta uma protecção mínima, que poderá coexistir com legislações nacionais mais restritivas, como são actualmente as da França e da Alemanha, por exemplo. Mas a questão também se discute no plano da legislação interna destes países. Em França, um documento da Conferência Episcopal a tal relativo, Le Dimanche au Risque de la Vie Actuelle, foi publicado em 2008.

Que o domingo se torne um dia igual aos outros – é o que poderá suceder se prosseguir uma tendência que hoje se faz sentir e que poderá reflectir-se na directiva que venha a ser aprovada. São, sobretudo, as vantagens para o funcionamento da economia que daí poderiam advir que são invocadas pelos representantes dessa tendência. Diz-se que bastaria que as pessoas pudessem optar por um qualquer dia de repouso, à sua escolha.

Importa, porém, considerar que diante de vantagens económicas há «valores mais altos que se levantam», porque «nem só de pão vive o Homem».

Está em causa – é certo – o significado religioso do domingo, dia em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus. Ainda que sejam minoritários no conjunto da população os que cumprem o preceito do culto dominical, o respeito pela liberdade religiosa não pode deixar de os considerar. Razões históricas, culturais e sociológicas explicam que nos países europeus de tradição cristã seja o domingo, e não o sábado ou a sexta-feira, o dia de repouso comum. Mas até na Índia, onde os cristãos são uma pequena minoria, é o domingo esse dia de repouso comum. Isso não é incompatível com o respeito pelos direitos das minorias, como os adventistas do sétimo dia, que guardam o sábado com grande zelo.

Mas o domingo tem também um significado humano. Porque é um dia dedicado a Deus, é também um dia dedicado ao Homem, cujo significado, neste aspecto, também diz respeito aos não cristãos. Na Antiguidade, como na Revolução Industrial, por exemplo, o respeito pelo domingo sempre representou um obstáculo à desumanização do trabalho. Garante um espaço de liberdade, gratuidade e convivialidade que rompe o ritmo (massacrante, se for exclusivo) da produção e do consumo. É uma exigência daquilo a que João Paulo II, e agora Bento XVI, chamam a “ecologia humana”.

Dir-se-á que para isso basta a salvaguarda de um qualquer dia de repouso, não necessariamente o domingo. Este raciocínio reflecte uma perspectiva individualista, que ignora a dimensão comunitária da realização da pessoa humana. A “ecologia humana” não se basta com um repouso isolado e solitário. Requer ritmos colectivos de repouso, antes de mais como uma exigência da vida familiar, porque o dia de descanso deve ser o mesmo para todos os membros da família, quem trabalhe e quem estude. E também como uma exigência da vida associativa em domínios tão variados como o religioso, o cultural, o político ou o desportivo. Se o domingo fosse um dia de trabalho como outro qualquer, muitas actividades nesses âmbitos não poderiam realizar-se, com o consequente empobrecimento da vitalidade da sociedade civil.

E não se diga que se trata de respeitar a opção individual do trabalhador por outro dia de repouso, pois este está normalmente numa situação de dependência que o leva a aceitar condições de trabalho que não escolhe, por não ter alternativas de emprego.

É uma questão de alcance civilizacional a que está em causa. Proteger o sentido tradicional do domingo é uma questão de fidelidade às raízes cristãs da cultura europeia (por aqui se vê que o reconhecimento jurídico deste facto histórico pode ter consequências). E também de fidelidade aos princípios em que assenta o chamado “modelo social europeu”, princípios que também alguma relação têm com essas raízes.

Pedro Vaz Patto

sexta-feira, junho 04, 2010

Arranca hoje o 26º FESTROIA


De hoje a 13 de Junho e contará com 190 filmes, oriundos de cerca de 40 países, números representativos da diversidade que caracteriza o único festival português incluído no prestigiado calendário anual da FIAPF (Federação Internacional de Associações de Produtores de Filmes).
Este ano o festival contará com duas salas em Setúbal – o Auditório da Anunciada e o Auditório Municipal Charlot, recentemente integrado na rede Europa Cinemas devido à qualidade da sua programação ao longo do ano – e extensões no Fórum Romeu Correia (Almada) e no Largo José Afonso (Setúbal).

Em termos de programação, o festival deste ano conta com as secções competitivas habituais – Secção Oficial, Primeiras Obras, Independentes Americanos e O Homem e a Natureza – e com diversas mostras não competitivas, entre as quais a Homenagem à Eslováquia e o ciclo de Histórias da Resistência, composto por filmes sobre homens e mulheres que, por toda a Europa, serviram de exemplo ao lutarem, de forma determinada, contra os mais variados tipos de opressão.De realçar ainda a pequena mostra de Grandes Realizadores Europeus, que exibirá filmes do português Manoel de Oliveira, do grego Theo Angelopoulos, do finlandês Mika Kaurismaki e do holandês Jos Stelling, o qual estará presente no Festroia para desempenhar as funções de presidente do Júri Oficial.
Para mais informações ir a www.festroia.pt

terça-feira, junho 01, 2010

Qual é o teu retrato


Este mês que começa oferece-nos vários retratos possíveis da realidade, vários modos de encarar os acontecimentos e o mundo que nos rodeia. Uma primeira atitude possível é olhar à nossa volta através dos “óculos” da crise e do aumento dos impostos, deixarmo-nos afundar no estudo e nos livros, ou realisticamente considerar as fracas possibilidades da nossa selecção no mundial de futebol.
Mas também podemos, com simplicidade, atrever-nos a agradecer e a saborear o sol e o calor, mesmo que seja apenas nos intervalos do estudo, aproveitar o final de ano para tomar decisões e construir o futuro, ou, porque não, sonhar com vitórias na África do Sul. O que separa estas duas perspectivas? Qual destas duas histórias vai ou está a ser escrita? Podemos com certeza esperar para ver, cruzar os braços e deixar os prognósticos para o fim do jogo. Ou então, porque não sermos nós a decidir, escolher o rumo e fazer a história acontecer? Sem gestos espectaculares, sem grandes revoluções nem actos heróicos, “as coisas dentro de nós”, nas palavras do poema desta edição, transformam o nosso olhar. Ao parar para avaliar os passos dados, procurando tomar consciência daquilo que nos move e do caminho a percorrer, ganhamos uma consistência interior que nos convida a encarar o futuro com esperança.
Num mundo e numa sociedade de fronteiras, que muitas vezes se tornam obstáculos, somos chamados a permanecer abertos ao encontro e à novidade. É amando este tempo que nos é dado a viver que encontramos, e recebemos, as forças para caminhar e a fidelidade aos ideais que nos animam. Assim tudo fica diferente e o futuro está (em grande medida) nas nossas mãos.
Bem vindos a Junho!
António Ary

sexta-feira, maio 28, 2010

Os jogadores amam a Selecção por 800€/dia




Jogadores da Selecção ganham dois ordenados mínimos por dia durante toda a campanha do Mundial. Os pobres jogadores não prescindiram dos 800€ de pernoita.

Compreendo perfeitamente a decisão do grupo de "heróis nacionais"de não abdicar da pernoita. Afinal de contas como iriam sustentar-se sem os 800€ por dia da selecção? Iam andar a correr atrás de uma bola só para representarem um país querem ver... e a seguir íamos pedir-lhes o quê? Que soubessem cantar o hino? Andamos muito exigentes.


Todos sabemos das dificuldades que esta malta do futebol passa. Há dias vi um deles na praia a molhar os pés com as chuteiras calçadas. Tive pena, confesso. Apeteceu-me dar-lhe um abraço e chorar ombro a ombro como o Mourinho fez com o Materazzi, aquele moço defesa central que é um poço de ternura e carinho. Uma cena maravilhosa. Quando vi Mourinho a chorar voltei a acreditar na humanidade. Depois adormeci e passou-me.


Há quem tenha visto jogadores da Selecção a passear no Colombo cheios de remelas nos olhos e com aspecto algo subnutrido. Se os virem por lá ofereçam-lhes um bolo. Pode ser uma pata de veado. Ou os heróis ainda nos morrem de fominha nas escadas rolantes. Em tempos de crise há que ser solidário. Ninguém quer que os jogadores acabem por aí a arrumar carros.
Contas feitas são 19 mil euros por dia e um total de 720 mil euros em pernoitas no final da festa que a Federação vai gastar com os prodígios. E tudo por amor ao país. Agora imaginem se fosse por dinheiro.
Sem contar com os prémios que cada um recebe caso ganhem alguma coisa para além obviamente dos 800€ dia para a bica, bollycao e meter uma moeda naquelas máquinas que têm um macaco lá dentro a abanar-se. Depois se sair um peluche bonito mandam-no à esposa, provavelmente em executiva ou num jacto privado.


Numa altura em que se pedem sacrifícios de toda a ordem e feitio aos portugueses, apertos de cinto constantes com reflexo no pescoço de milhares de pessoas, famílias à beira da bancarrota, completamente asfixiadas e sem esperança, os jogadores ricos da selecção de um pobre país não abdicam dos seus 800€ diários para irem passear à África do Sul. Sim, eu repito: passear. E ainda por cima com tudo pago em regime de luxo. Ninguém os obriga a ir. Vão antes com os miúdos à Eurodisney.


Alguns deviam pagar para vestir aquela camisola e não o contrário. A selecção não é um clube de futebol. Isto revolta-me um bocadinho, provavelmente não será só a mim, mas não faz mal: se estiverem como eu soprem na Vuvuzela que isso passa.