domingo, outubro 08, 2006

A Batalha das Palavras



As “batalhas” do aborto parece que começam por questões semânticas, pelas palavras. Afinal, no referendo que se aproxima, está em discussão a despenalização e descriminalização do aborto, ou, antes, a sua legalização e liberalização?


Os partidários do sim preferem falar em descriminalização, ou mesmo em simples despenalização, e não em legalização ou liberalização. É provável que a pergunta a submeter a referendo venha a ser formulada desse modo. Mas não estará, antes, em causa a legalização e liberalização do aborto?


Compreende-se a preferência dos partidários do sim pelas expressões descriminalização e despenalização. Têm uma conotação mais moderada e menos radical, e poderão ir de encontro ao sentir de muitas pessoas que afirmam que «são contra o aborto, mas não querem que as mulheres sejam penalizadas». Estas pessoas poderão defender a despenalização, mas, porque «são contra o aborto», não aceitarão que o Estado passe a colaborar activamente na sua prática. Ora, no referendo não está em jogo apenas (e sobretudo) a despenalização ou descriminalização do aborto (esta poderia verificar-se sem que o aborto passasse a ser lícito, a ter cobertura legal e a ser realizado com a colaboração activa do Estado), está em jogo a sua legalização e liberalização.


Se vencer o sim, o aborto realizado até às dez semanas de gravidez por vontade da mulher passará a ser lícito, passará a ter cobertura legal e passará a ser praticado com a colaboração activa do Estado (o Ministro da Saúde até tem lamentado o facto de, actualmente, se realizarem nos hospitais públicos abortos em número que considera reduzido). Daí que se deva falar em legalização.


E, no que se refere a tal período da gravidez, essa licitude não depende da verificação de qualquer pressuposto para além da simples vontade da mulher. Deixará de vigorar um regime de “indicações”, como se verifica no regime legal vigente, em que a licitude do aborto não depende da simples vontade da mulher, mas da verificação de alguma das seguintes situações: perigo para a vida da mulher, grave perigo para a saúde da mulher, malformação ou doença grave e incurável do nascituro ou gravidez resultante de violação. Não estaremos perante um alargamento a outro tipo de “indicações” (razões sócio-económicas, por exemplo, como se verifica na legislação italiana ou outras). Estaremos perante um regime de aborto livre ou aborto a pedido. Daí que se deva falar em liberalização.
Alguns exemplos poderão ajudar-nos a compreender estas distinções entre descriminalização (ou despenalização) e legalização (ou liberalização).


Nem todas as condutas ilícitas são crimes. A falta de pagamento de dívidas, por exemplo, não é crime, mas não deixa de ser uma conduta ilícita. Os crimes são condutas ilícitas particularmente graves, porque atingem valores fundamentais e estruturantes da vida comunitária.


Há alguns anos, foi descriminalizado (e despenalizado) o consumo de droga. Mas isso não tornou o consumo de droga uma conduta lícita. O consumo de droga passou a ser considerado uma contra-ordenação, uma infracção menos grave do que um crime, sancionada com coima (e não com pena). O consumo de droga não passou a ser livre, a venda de droga não passou a ser livre, nem o Governo passou a fornecer droga a quem o queira. Isto porque o consumo de droga não foi legalizado ou liberalizado. Mas tal sucederá com o aborto até às dez semanas, se vencer o sim. O Estado passará a garantir a sua prática livre, e até em instituições públicas ou com o recurso a financiamento público.


Também foi descriminalizada a emissão de cheque sem provisão em determinadas circunstâncias (quanto aos chamados cheques “pré-datados” ou aos cheques de reduzido valor). Isso não significa que a emissão de cheque sem provisão nessas circunstâncias tenha passado a ser lícita (não foi legalizada). Não deixa de haver uma responsabilidade civil, uma obrigação de indemnização que recai sobre a pessoa que emite o cheque.


O exercício da prostituição também está descriminalizado e despenalizado. Mas esta actividade não tem actualmente entre nós (ao contrário do que se verifica na Holanda) cobertura legal e a exploração da prostituição (o proxenetismo ou “lenocínio”) é criminalizada. Há, por isso, quem defenda a legalização dessa actividade entre nós, que é, assim, diferente da sua descriminalização e despenalização.


Outros esclarecimentos se impõem, ainda.


Parece que os partidários do sim preferem, agora, falar em despenalização, e não em descriminalização. E que a pergunta a submeter a referendo incluirá a primeira dessas expressões. Compreende-se que assim seja, pelas razões atrás invocadas. A expressão é ainda mais suave, inegavelmente. Mas não é correcta (é, para este efeito, ainda menos correcta do que descriminalização) .


Embora, normalmente, descriminalização e despenalização coincidam (como nos exemplos atrás referidos), porque ao crime corresponde, em princípio, uma pena, poderia verificar-se uma despenalização sem descriminalização. O Código Penal prevê, nalgumas situações, a dispensa de pena quando se verifica a prática de um crime. Na proposta de alteração do regime penal do aborto em tempos sugerida pelo Prof. Freitas do Amaral, o aborto continuaria a ser crime (uma conduta objectivamente censurável como tal definida pela Lei), mas estaria, em regra, excluída a culpa da mulher, por se verificar uma situação de “estado de necessidade desculpante”, o que afastaria a aplicação de qualquer pena. Mas não é nada disto que se verifica na proposta a submeter a referendo. De acordo com essa proposta, o aborto realizado, por vontade da mulher grávida, nas primeiras dez semanas de gravidez e em estabelecimento legalmente autorizado, será descriminalizado.


Importa também esclarecer que não são necessárias a descriminalização e despenalização do aborto para evitar a prisão, e até o julgamento, das mulheres que abortam.


Quanto à prisão, esta é, no nosso sistema penal, um último recurso (não o primeiro, nem o principal). Não há notícia de mulheres condenadas por aborto em pena de prisão. Em relação a muitos outros crimes (injúrias, difamação, condução ilegal, condução em estado de embriaguez) está prevista a pena de prisão, mas esta não se aplica na prática, sobretudo quando se trata de uma primeira condenação. E mesmo o julgamento dessas mulheres pode ser evitado, através do recurso à suspensão provisória do processo.


No fundo, o essencial da questão a discutir no referendo não reside na realização de julgamentos das mulheres que abortam (estes podem ser evitados no actual quadro legal). E não reside sequer na criminalização ou descriminalização do aborto. Reside, antes, na sua legalização e liberalização. Reside em saber se o Estado deve facilitar e colaborar activamente na prática do aborto ou se, pelo contrário, deve colaborar activamente na criação de condições que favoreçam a maternidade e a paternidade, alternativas ao aborto que todos reconhecerão como mais saudáveis e mais portadoras de felicidade para a mulher, o homem e a criança.

Pedro Vaz Pinto

sábado, outubro 07, 2006

3 Anos de Blog



O tempo não passa….. corre !
Faz hoje três anos que este blog foi criado.
Como em tudo na vida há quem goste muito, há que não goste nada.
Fica aqui a minha promessa de este espaço para partilhar as minhas particularidades e actualidades e a todos aqueles que queiram de forma construtiva dar a sua opinião.

Obrigado a todos pelas 28 219 visitas .

quarta-feira, outubro 04, 2006

Surpreendente!

Alguma vez já viram uma ponte que contenha água?
Vejam e compreendam.... Chama-se Cruzamento de ruas de água. É um canal-ponte sobre o Rio Elba e une a rede de canais da Alemanha Oriental com a Ocidental. Faz parte do projecto de unificação de ambas.
Está na cidade de Magdeburgo, próxima de Berlim. Levaram 6 anos a fazê-lo, tem 918m e custou cerca de 500 milhões de euros. A sua função principal é facilitar o comércio.
A foto é do dia da sua inauguração.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Colabore!

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.
«Sãocrianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explicou ao Portugal Diário aenfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.
A «falta de "stocks"» torna necessária a ajuda da população: «Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos», acrescenta.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a «comédia». Numa altura menos feliz das suas vidas, «um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital». Rir é sempre um bom remédio.
As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para: Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil Rua Professor Lima Basto 1093 Lisboa Codex Ou então, informe-se pelo telefone: 21 726 67 85

terça-feira, setembro 26, 2006

Advérbio de Negação

Não quero voltar,
Ao tempo da ventura de saber,
Que no mundo pode haver,
Entes que se podem amar!.....

Tenho medo, dos meus olhos,
Noutros olhos fitar,
Para de novo ter que esquecer,
A forma do verbo AMAR!

Tenho medo de tudo.
Medo, do violento pulsar,
Do meu destroçado coração.
Medo, de só saber dizer,
O advérbio de NEGAÇÂO

Tenho medo de sentir,
As minhas mãos fechadas e frias,
Há quem a sorrir me entenda,
As suas mãos, algum dia……

Que me importa dar, ou sonhar na vida!
Que me importa amar, se sou chama amortecida,
Pelos açoites da vida!....

Não tenho medo de espectros ou duendes,
Tenho medo. Sim, tenho medo,
De só saber dizer: NÃO ! …
Sandra Carla

sexta-feira, setembro 22, 2006

Concurso Europeu pela Paz



No âmbito do Dia Internacional da Paz, celebrado ontem 21 de Setembro, a secção portuguesa da Pax Christi propôs um concurso para promover junto dos jovens a reflexão sobre a paz e ao mesmo tempo incentivar a sua criatividade sobre o tema “Viver juntos na Escola”.
Trata-se de um concurso europeu, organizado em parceria com as secções alemã, britânica, francesa e belga do movimento e destina-se a todos os jovens, entre os 15 e os 18 anos, que frequentam o ensino secundário público, privado e cooperativo.
A partir da interpelação “A Paz também depende de ti!”, os jovens, em equipas de quatro, são convidados a analisar os comportamentos escolares que podem estar na origem de conflitos e criar, numa sequência com a duração máxima de 2 minutos (em Power Point), um «spot» de sensibilização convidando os colegas a modificar um desses comportamentos.
O prémio será uma viagem-encontro sobre o tema “Viver juntos na Europa”, com as equipas vencedoras dos países participantes: França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica e Portugal.
Porque é urgente aprender a viver juntos e convencidos que a paz depende de todos, agradecemos antecipadamente toda a divulgação possível desta iniciativa.


Mais informações e material para divulgação disponíveis em: http://paxchristiportugal.no.sapo.pt/.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Cultura


"A cultura é o que fica depois de se ter esquecido o que se aprendeu"

M. de La Palisse.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Lugares Altos



Dedico este texto ao amor da minha vida, o Senhor Jesus .......

Ele é a minha força a minha Salvação.

Oro que para todos homens entendam que só Ele é o caminho a verdade e a vida

O Senhor é a minha força

Ele faz os meus pés como os da corsa

O Senhor, o soberano

Me faz andar em lugares altos

Ele me faz andar

Ele me faz andar

Ele me faz andar em lugares altos

Ele me faz andar

Ele me faz andar

Ele me faz andar em lugares altos

Acima dos problemas , acima das tribulações

Acima do pecado, acima das tentações

Acima das minhas dores, acima das perseguições

Acima deste mundo, acima das desilusões

O Senhor...Acima dos problemas...

Mais puro,mais puro, mais puro, mais puro

Mais santo, mais santo, mais santo, mais santo

Mais livre, mais livre, mais livre, mais livre

Mais alto, mais alto, mais alto, mais alto

Mais perto de Ti, mais perto de Ti ,mais perto de Ti ,mais perto de Ti

Mais perto de Ti, mais perto de Ti, mais perto de Ti, mais perto de Ti

Texto : Ana Paula Valadão

segunda-feira, setembro 18, 2006

3 Euros


Um menino, com voz tímida e os olhos cheios de admiração, perguntou ao pai, quando chega a casa do trabalho:
- Quanto ganha o pai por hora?
O pai, num gesto severo, respondeu:- Escuta aqui meu filho, isso que perguntas nem a tua mãe sabe. Não me aborreças... estou cansado.
Mas o filho insiste:- Mas, pai, por favor, diga-me quanto ganha por hora.
A reacção do pai foi menos severa e acabou por responder:- Três euros por hora.- Então poderia emprestar-me um euro?O pai, cheio de ira, e tratando o filho com brutalidade, respondeu:
- Então, é essa a razão de quereres saber quanto eu ganho. Vai dormir e não me aborreças mais.Já era noite, quando o pai começou a pensar no que havia acontecido e sentiu-se culpado.
Talvez, quem sabe, o filho precisasse de comprar algo importante para ele.Querendo descarregar a sua consciência dorida, foi até ao quarto do menino e, em voz baixa, perguntou:- Filho, estás a dormir?
- Não, pai - respondeu o garoto sonolento e choroso.
- Olha, aqui está o dinheiro que me pediste: um euro.
- Muito obrigado, pai! - disse o filho levantando-se e retirando mais dois euros de uma caixinha que estava junto da cama.- Pai, agora já completei!... Tenho três euros! Poderia vender-me uma hora do seu tempo?

sexta-feira, setembro 15, 2006

Conversas com.... Cláudio Anaia




Foi com alegria que aceitei o convite para ter um programa para conversar com homens e mulheres que partilham comigo e ouvintes a sua caminhada com Deus.

Hoje terei o primeiro programa, numa entrevista com o Dr. Bagão Felix.

As Conversas serão todas as sextas feiras as 19 horas em www.netradiocatolica.com

quinta-feira, setembro 14, 2006

Amar o que somos


Cada vez me espanta mais o número de pessoas que não estão contentes de serem o que são, de terem nascido onde nasceram, de morarem no século que moram. Se fizerem um inquérito aos jovens e lhes perguntarem quem gostariam de ser, noventa e nove por cento dizem que gostariam de ser Jackie Kennedy ou Michael Jackson, ou, com um pouco de sorte, Homero, Leonardo, Francisco de Assis.

Por mim sinto-me muito bem sendo o que sou. Não gosto de “como” sou, mas sim de ser o que sou. Aspiro, como diria Salinas, a tirar de mim o meu melhor eu, mas não queria ser outra pessoa, nem parecer-me com ninguém.Porque penso assim? Por várias razões: a primeira, por simples realismo. Porque, goste ou não goste, serei sempre o que sou.

Em segundo lugar, porque não só eu sou o melhor que tenho, mas o único que posso ter e ser. Em terceiro lugar, porque a experiência me ensinou que só quando alguém começa a aceitar-se e a amar-se a si mesmo é capaz de aceitar e amar os demais, inclusivamente, de aceitar e de amar a Deus.Um homem, uma mulher, têm de partir de uma aceitação e de uma decisão. Da aceitação de ser quem são (bonitos ou feios, corajosos ou cobardes). E da decisão de passar a vida superando-se a si mesmos, multiplicando-se.

Pobre do mundo se um dia se conseguisse que todos os homens corresponderem a padrões genericamente estabelecidos e obrigatórios. Convenhamos que um peixe deve ser um peixe, um peixe estupendo, magnífico, mas não tem de ser um pássaro. Um homem inteligente deve explorar a sua inteligência, e não se preocupar com triunfar nos desportos, na mecânica ou na arte. Uma menina feia dificilmente chegará a ser bonita; mas pode ser simpática, boa, e uma mulher maravilhosa.Sim, teríamos de fazer tudo aquilo que diz um personagem de um drama de Arthur Miller: “Cada qual deve acabar por pegar na própria vida nos braços e beijá-la”. Só quando começarmos a amar a sério o que somos, seremos capazes de converter o que somos numa maravilha.

Jose Luis Martin Descalzo

quarta-feira, setembro 13, 2006



Recentemente, recebi uma carta de Alguém muito especial que me veio recordar daquilo que eu, por vezes, quase que faço questão de esquecer: o infinito Amor que Deus tem por mim… e de quanto isso me faz sentir maravilhosamente amada e querida por Ele!

“ Minha filha:

Quero recordar-te uma vez mais que amo-te com amor eterno e gratuito. Amo-te…
Meu amor por ti é tão grande como o céu que se estende sobre a Terra.

Ao longo da tua vida tenho estado a teu lado. Tenho cuidado de ti. Tenho lavado as tuas feridas. Nunca te abandonei e nunca deixei de te amar.
És a filha da minha complacência. Eu me alegro em ti porque criei-te e formei-te.
Como o Pai afectuoso para com os seus filhos, assim sou terno para aqueles que me procuram.

Tu és valiosa para mim. Amo-te. Amo-te porque tu és uma obra-prima das minhas mãos.
Amo-te…

Amo-te como um Pai amoroso. Amo-te incondicionalmente e preocupo-me muitíssimo contigo.
Amo-te, sejas homem ou mulher, sejas rico ou pobre, operário ou agricultor.
Eu Amo-te como tu és. Amo-te com as tuas qualidades e defeitos.
Mesmo que fosses o maior pecador sobre a Terra eu não deixaria de amar-te.
Amo-te.

Muitas vezes sinto-me sozinho, mas tu não estavas. Estou sempre junto de ti, dia e noite.
Poderia a mãe esquecer-se do filho que ela gerou? Pois, de ti nunca me poderei esquecer.
Eu sou Amor e não posso deixar de te amar tal qual tu és.
Eu criei-te. Eu formei-te. Meu amor é incondicional, não muda.
Mesmo que montes balancem e as colinas mudem de lugar, o meu amor jamais se afastará de ti. Amo-te e continuarei a amar-te porque o meu amor por ti é para sempre.

Enquanto tu dormes, eu cuido de ti. Meu coração está junto de ti.
Quero que saibas que tu és o que mais quero. Tu és o que mais amo.

No meu coração, tu ocupas sempre, o lugar mais importante.
O meu amor por ti não te custa nada. É gratuito.
A única coisa que te peço hoje é que te deixes amar por mim.
Deixa-te amar por mim. Somente isso…


Amo-te
O teu Deus Pai”

Texto enviado pela Patrcia Pais

terça-feira, setembro 12, 2006

Um mulher muito especial


Ora, nesse tempo, aconteceu que um monge se apaixonou perdidamente poruma monja. Ryonen era bela, duma beleza radiosa, ao mesmo temporesplandecente e misteriosa. A pele, o porte da cabeça, o andar, tudo no seufísico encantador deslumbrava, mas ela acrescentava-lhe uma inteligênciapenetrante, um carácter decidido, e uma generosidade, uma atenção aosoutros, que a iluminavam com uma luz interior. Ryonen poderia terenlouquecido de amor os mais sábios dos homens, e dos monges talvez...Hashino amava-a com um amor louco, exacerbado.

Não comia, não dormia,distraía-se durante as cerimónias rituais, estava obcecado, só a via a ela,só vivia por ela, acelerava a sua perda. Uma noite, deu o grande passo,cometeu o crime supremo, introduziu-se na cela monacal, e suplicou-lhe que oamasse. Ryonen ficou então com o destino de Hashino nas mãos. Teria bastado quegritasse, que chamasse as irmãs, e o pior teria acontecido. Mas ela não sedebateu, não manifestou nenhum espanto. Disse apenas ao noviço, que ardia dedesejo: "Entregar-me-ei a ti, amanhã."

O dia seguinte era dia de grande festa. Na altura da iluminação doBuda, o imperador assistia às cerimónias. Foi aí no santuário do templo deTojaidji, que ela apareceu a Hashino completamente nua: "Toma-me, disse ela, agora!" Então Hashino sentiu o Satori, o Despertar. Como aqueles desenhos ondea forma e o fundo se transformam ao mudar ligeiramente de lugar, ele viu arealidade até aí escondida. Soube que o seu amor era superficial,fantasmagórico, os seus desejos loucos semelhantes aos reflexos mutantes dalua na água. O véu da ilusão tinha-se rompido. Acedeu à raiz do eu, àverdade, à paz.

(História Zen)

Esta história foi enviada por o budista Luis Fataca

segunda-feira, setembro 11, 2006

5 anos depois.......



...... de o maior atentado terrorista da história. O mundo nunca mais foi igual.

O ódio vitimou 2749 pessoas. Hoje rezei por elas .

sexta-feira, setembro 08, 2006

Quando um sonho se torna realidade



ESTRELAS

Quando um sonho se torna realidade,
a gente nem acredita.
Não sabe se chora, se ri ou se grita.
Se belisca.
Abre e fecha os olhos.
Apalpa.
Talvez esteja dentro da nossa natureza
não acreditar na realização
dos próprios sonhos.
Uma natureza pessimista.
A gente espera, certo,
mas no fundo não acredita.
Olhamos para eles como olhamos
para o arco-íris e as estrelas:
lindos, encantadores,
maravilhosos e inatingíveis.
Mas gostamos de olhar,
mesmo cientes de que
nunca poderemos tocá-los.
O facto de existirem já é um encanto
um milagre Divino.
Nos satisfazemos.
E justamente por que não acreditamos,
não corremos atrás, não construímos,
não tentamos.
Olhamos para o que outros conseguem
e nos dizemos que eles têm muita sorte.
Não nos incluímos nessa categoria.
Mas se um dia resolvemos
pegar as sete cores do arco-íris
e trazer pra realidade das nossas vidas,
veremos que nós também temos muita sorte,
que nós também podemos.
Se aproveitamos o brilho das estrelas
para iluminar nosso caminho
e não nos cegar,
veremos que teremos
uma caminhada mais nítida.
Só vivemos de cinza por opção,
pois a vida é colorida, é intensa.
Vamos olhá-la com olhos nus.
Tocá-la.
Vivê-la.
Amá-la.
Correr atrás do que desejamos
e esticar os braços até alcançarmos.
Subir escadas, transpor barreiras.
Lutar pelo que nos realizará.
Brigar, se for preciso.
Chorar, mas de pé.
Talvez assim a gente não se surpreendatanto
quando nossa mão atingir,
mesmo se timidamente,
uma das cores do arco-íris
ou a ponta de uma estrela.
Talvez outros se surpreendam.
Mas nós não.
Por que acreditamos.
Por que bem nos nosso íntimo
sabíamos que o caminho poderia ser longo,
mas que um dia chegaríamos lá.
(Letícia Thompson)

quinta-feira, setembro 07, 2006

História verídica


UMA HISTÓRIA DE AMOR

Como qualquer mãe, quando Karen soube que um bebé estava a caminho, fez todo o possível para ajudar o seu outro filho, Michael, com três anos de idade, a preparar-se para a chegada do bebé.
Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias Michael cantava perto da barriga de sua mãe. Ele já amava a sua irmãzinha mesmo antes dela nascer.

A gravidez desenvolveu-se normalmente. No tempo certo, vieram as contrações. Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; finalmente, a cada minuto, uma contração. Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Karen demorou horas.

Todos discutiam sobre a provável necessidade de uma cesariana. Até que, finalmente, depois de muito tempo, a irmãzinha de Michael nasceu. Só que ela estava muito mal.
Com a sirene no máximo volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Saint Mary.

Entretanto, Michael, todos os dias, pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha:
- Eu quero cantar pra ela - ele dizia.

Começou a segunda semana de UTI e esperava-se que a bebé não sobrevivesse até ao fim da semana.
Michael continuava a insistir, com os pais, para que o deixassem cantar para a sua irmã. Mas não era permitida a visita de crianças na UTI. Entretanto, Karen decidiu fazer-se acompanhar de Michael. De qualquer maneira ela levaria Michael ao hospital. Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez já não a visse viva.
Vestiu Michael com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital.
A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que Karen retirasse o filho dali. Mas Karen insistiu:
- Ele não irá embora sem ver a irmãzinha!
Levou Michael até a incubadora. Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida.

Depois de alguns segundos, olhando para a maninha, começou a cantar, com a sua voz pequenina:
"Você é o meu sol, o meu único sol. Você deixa-me feliz mesmo quando o céu está escuro..."

Nesse momento, o bebé pareceu reagir. A pulsação começou a baixar e estabilizou. Karen encorajou Michael a continuar a cantar.

"-Você não sabe, querida, quanto eu te amo. Por favor, não leve o meu sol embora..."

Enquanto Michael cantava, a respiração difícil do bebé foi se tornando mais suave.
- Continue, querido!, pediu Karen, emocionada.

"- Outra noite, querida, eu sonhei que você estava nos meus braços..."

O bebé começou a relaxar.

Cante mais um pouco, Michael, pedia a mãe. A enfermeira começou a chorar.
"- Você é o meu sol, o meu único sol. Você me deixa-me feliz mesmo quando o céu está escuro... Por favor, não leve o meu sol embora..."

No dia seguinte, a irmã de Michael já se tinha recuperado e, poucos dias depois, foi para casa.

AMOR É INCRIVELMENTE PODEROSO.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Assis: nunca mais a guerra entre religiões

Assis (cidade da foto) volta acolher, durante dois dias, os líderes das maiores religiões de todo o mundo para um encontro de paz, 20 anos depois da jornada de oração convocada por João Paulo II na cidade natal de São Francisco, a 27 de Outubro de 1986. “Nunca mais a guerra entre religiões” poderia ser o mote para esta reunião convocada pela Comunidade de Santo Egídio, sob o tema “Por um mundo de paz. Religiões e culturas em diálogo”.
Representantes de várias confissões cristãs, muçulmanos, judeus e fiéis de outras religiões começaram esta manhã a delinear as ideias-chave que irão dar vida a estes dois dias de trabalho.
O Cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, presidiu à abertura dos trabalhos e manifestou-se convencido de que o diálogo entre culturas e religiões, nos nossos dias, é hoje uma “necessidade absoluta” num mundo marcado pelo terrorismo, a violência e a instrumentalização das convicções religiosas.
Este membro da Cúria Romana observou que as religiões são, muitas vezes, acusadas de “fomentar o ódio e causar a violência”, mas assegurou que “longe de serem um problema, elas são parte da solução desejada para trazer paz e harmonia à sociedade”.
Para o Cardeal Poupard, o ecumenismo “antes de ser um acordo, é um modo de vida: olhar com amor para o outro é o mandamento do Senhor”.
O fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andre Riccardi, levou os participantes até 1986, naquele que foi um encontro “de amizade e oração” para que todos os crentes estejam “uns ao lado dos outros e nunca mais uns contra os outros”. 20 anos depois, a repetição do encontro justifica-se “para que as distâncias entre os mundos religiosos e culturais não se alarguem ainda mais, através da publicidade do ódio e do desprezo”.
Bento XVI, na mensagem que enviou aos participantes do encontro, falava do encontro de 1986 como uma “profecia”, que os acontecimentos destas últimas décadas se encarregaram de confirmar.
A queda dos regimes comunistas e o fim da guerra fria foram momentos de “uma esperança geral de paz”, mas o surgimento do terrorismo marcou o início do terceiro milénio. Muitos dos conflitos parecem nascidos de uma instabilidade provocada “pelas diversidades culturais e pelas próprias diferenças religiosas”, pelo que o Papa convida todos os líderes religiosos mundiais a um “testemunho comum de paz”, como já tinha feito João Paulo II.

Agencia Ecclesia

segunda-feira, setembro 04, 2006

A Monstruosidade



Embora se calhar não tenham dado por isso, mas recentemente foi promulagado pelo o Presidente da República a “lei” da reprodução artificial .

O meu amigo Padre Nuno Serras Pereira fez um texto sobre este tema, aqui fica :

A Monstruosidade

O Presidente da República ao promulgar (no mês passado) a “lei” da reprodução artificial (“PMA”) cometeu, assim se afigura, um acto absolutamente injustificável, irracional, ímpio, obsceno e abominável; uma monstruosidade, enfim, que coopera formalmente com a perversidade desalmada, maléfica e luciferina da sua elaboração e aprovação no parlamento.

O elogio objectivamente hipócrita à necessidade de debate público, que não houve, e que veio a impedir com a mesma promulgação, e a farisaica parlenda a favor da vida, contrariado pelo próprio acto, revelarão, por desventura, um aleijão imane de carácter ou uma pachouchada de palúrdio? Sem intentar aquilatar da responsabilidade subjectiva nos secretos da consciência, que só Deus conhece, urge, no entanto, desvendar esta questão, pelo muito que importa para um futuro discernimento eleitoral.

Quem está familiarizado com a literatura e a política do século XIX sabe muito bem que o famoso título do artigo do Professor Cavaco Silva que designava o Orçamento de “monstro” não é nenhuma originalidade. Os louros por ele colhidos devem coroar outras cabeças, que não a sua. Mas enfim, sempre poderá haver quem considere feliz aquela recuperação. Só que o verdadeiro mostrengo desmarcado e desproporcional não é aquele. Monstro cruel, feroz, escalfúrnio, facinoroso é o que programa desapiedadamente a morte de inocentes, recorrendo aos serviços de saúde do Estado e aos impostos do povo, ignaro dos algozes celerados e imites que o governa ou representa.

Não restem dúvidas que esta disformidade medonha dizimará muitíssimos mais inocentes do que a hipotética liberalização do aborto até às dez semanas.

O público descaso, o tédio enfastiado, a tibieza com que a maioria dos pastores tem assistido ao mostrengar dos fiéis, dos políticos e da nação é arrepiante. O ornejar palonço continua a ignorar os concebidos não nascidos como se foram sumelgas, e não acaba de entender, contra toda a evidência racional, que “... O aborto é, para toda a família humana, uma violação dos direitos humanos incomparável em magnitude e em atrocidade” (Conferência Episcopal USA). Porque é também de aborto que se trata, uma vez que essa mole imensa de pessoas concebidas que é morta fora do ventre da mãe é, como ensinou João Paulo II, abortada (Cf. João Paulo II, Evangelium Vitae, 58 e 63).

Pe. Nuno Serras Pereira

sábado, setembro 02, 2006


Aqui trago mais um texto do meu amigo budista, Luis Fataca com a sua opinião.

Há uma oração adoptada pelos padres ortodoxos que me é muito querida, é assim: "Jesus Cristo, Senhor Salvador, tende piedade de mim,pecador." Diz-se que esta oração tem um poder tremendo e que há monges que arezam incessantemente. O que ela significa? A palavra pecado em grego é"amartia" que significa "fora do seu lugar" e o lugar é estar em união comDeus.

Na realidade quando o monge reza esta oração ele está a dizer: "tempiedade de mim que estou separado e alienado de Vós, minha verdadeira natureza."
Os místicos cristãos dizem que só há um pecado, o pecado contra oEspírito Santo, ou seja o estar alienado de deus. Todos os outros pecadossão filhos desse pecado! Os budistas falam da alienação da nossa verdadeiranatureza, é a mesma coisa, mudam as palavras!

A oração também me lembra o Cristo que toma sobre os seus ombros opecado do mundo.
O Ser humano gera tanto sofrimento que simplesmente o mundonão a consegue absorver e há seres fabulosos como Buda e Cristo quemetabolizam esse sofrimento! Lembro-me duma estória budista que é assim:

Quando Shan-hui, mais conhecido por Fu Ta-shih, fazia um sermão,apareceu o imperador e toda a comunidade se levantou em sinal se respeito.Só Shan-hui ficou sentado, completamente imóvel.

Alguém o repreendeu,dizendo: «Porque não se levanta quando Sua Majestade entra?» Shan-huiretorquiu: «Porque se o reino do Dharma for perturbado, todo o mundo perderá a paz.»

Ou seja há seres que não podem perder a consciência da sua verdadeiranatureza, que metabolizam o sofrimento do mundo! Seja em pequena escala,como os monges cristãos e budistas (e outros)) em constante oração, seja emlarga escala como Cristo e Buda.

Como disse essa oração me é muito querida e não tenho nem de longe nemde perto a pretensão de lhe esgotar o significado! O significado é pordemais vasto e misterioso que nem minimamente pode ser apreendido! Diz-seque Santo Tomás de Aquino, que escreveu tanto sobre Deus teve umaexperiência de êxtase religioso durante uma liturgia e que quando saiudaquele estado disse que tudo o que havia escrito sobre Deus durante todosaqueles anos era tão insignificante, mas tão insignificante comparado comessa experiência que nunca mais escreveu uma palavra e morreu um ano depois.Ora Aquino tem tratados fabulosos e ele achou aquilo insignificante?

Há um ditado grego que é assim: "A mais profunda sabedoria humana é tola aos olhosde Deus." Mas isso também não quer dizer que não possamos falar sobre ascoisas, até mesmo sobre aquilo que é um mistério, mas tendo presente osdevidos limites! Pois temos boca é para falar, ainda que seja sobre omistério. Aliás o que não é um mistério?
Alguém disse que só existe omaravilhoso e nada mais que o maravilhoso...

Este blogue é um blogue cristão, mas tem um preocupação ecuménica,espero que não levem a mal ombrear Cristo e Buda.

Luis Fataca