
“Assim que aprender a desistir isso torna-se um hábito”
Vince Lombardi

Os Três Reis Magos são personagens da narrativa cristã que teriam visitado Jesus quando de seu nascimento.
Os reis magos aparecem na tradição popular cristã. Popularmente têm os nomes de Baltazar, Melchior e Gaspar.
Como se pretendia dizer que representavam os reis de todo o mundo, normalmente Gaspar é apresentado como negro, representando a África, mas também como rei da Índia; Melchior, rei da Pérsia; e Baltazar, rei da Arábia. Em hebreu, esses nomes significavam “rei da luz” (melichior), “o branco” (gathaspa) e “senhor dos tesouros” (bithisarea)representano as 3 raças existentes conhecidas.
Fazendo referência à profecia contida no Salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”.
Devemos aos magos a tradição de dar presentes no Natal. No ritual da antigüidade, ouro era o presente para um rei. Incenso, para um religioso representando a espiritualidade. E mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Fonte : Wikipédia









Não é que tive várias surpresas convergentes para um ponto. Foi assim.
Estava a chegar a Londres para uma reunião sobre as estratégias para reduzir os riscos e danos do álcool na União Europeia incluindo Portugal e zás uma série de coincidências convergentes. Ora vejam.
Logo pelos jornais de bordo e do metro a notícia chocante de que George Best, estrela do futebol mundial, estava a morrer na noite de 25/26 Nov 05 e morreu daí a pouco. E a notícia impressionou-me tanto mais quanto me recordou os Jogos da Taça do Mundo em 1966, precisamente quando eu era estudante em Londres e o desempenho da Equipa portuguesa do Eusébio que me empolgou.
E todas as notícias dos jornais, rádio e televisão, continuaram nesses dias com pormenores da morte prematura de Best e da sua causa: o consumo de álcool. Nem transplante do fígado há dois anos o salvou.
E isto ao mesmo tempo que nos mesmos jornais a nova lei inglesa que autoriza agora a abertura de bares e pubs nas 24 horas e que estava nos primeiros dias de ensaio, ocupava largas colunas. E com notícias contraditórias sobre os riscos dessa abertura. Algumas referiam a certeza de ir haver mais violência, mais desordens e mais doentes e feridos nos hospitais. Uma notícia referia a noite desgraçada que os médicos tinham tido na emergência do Hospital Universitário com os casos de excesso de álcool. Desde as 23 horas 98 % das ocorrências tinham sido devidas ao álcool, metade com ofensas aos médicos, 1/3 com suturas, 10% com vómitos, 1/3 com estragos na ambulância que os transportou,
Sobre desordens vinham também os juízes ameaçar noutra notícia que os bares e “pubs” onde se verificassem desordens seriam fechados sem apelo.
Mas não é tudo, um dos jornais vinha com a história que, apesar de Best ser um jogador estrela e ter ganho milhões e feito fortuna, foi assistido nesta última doença num hospital privado, por esmola, pois o álcool levou-o a derreter o fígado e toda a fortuna. E a despesa do hospital não foi nada pouca pois ascendeu a 100 mil libras (150 mil euros).
Para além destas notícias sobre o álcool ainda vinha o aviso em relação às raparigas que agora com o “binge drinking” (seis bebidas numa só ocasião ou beber descontrolado) as violações iam aumentar, pois os violadores sabem que o modo mais fácil de “dominar” as vítimas são as bebidas alcoólicas nos bares e discotecas. E ainda se podem defender e conseguir atenuantes dizendo que houve consentimento da parte delas.
Bem, voltando à reunião que era de organizações não governamentais em que havia cerca de 50 participantes, versou temas correntes e estratégias mais eficientes de prevenção primária em que os profissionais de saúde ainda pouco se comprometem, ao contrário das indústrias que inventam sempre novos truques para levar a beber quanto mais e mais cedo melhor …para os seus lucros.
Apesar de ser reunião de ONGs (não governamentais) associados na EUROCARE, que está com 15 anos de existência e da qual fui fundador por parte da SAAP e ISJD, havia representantes da Comissão Europeia (DG SANCO) e da OMS das quais a EUROCARE é parceiro qualificado para alguns importantes projectos em curso.
Houve ainda uma outra surpresa. Num dos jornais de Londres vinha a notícia de médicos que perante tantas pressões para tratar doentes estavam a pôr-se de acordo para se recusarem a tratar doentes que adoecem por si mesmos, cuja “doença é auto-infligida”. E o artigo referia que num inquérito um em cada cinco médicos(as) admite que já recusou tratamento a doentes desses ou seja que “bebem em excesso, fumam ou são obesos”. Vários justificam a recusa não como castigo mas porque um transplante de fígado a quem continua a beber, uma cirurgia à gangrena de um fumador que não pára, uma artoplastia ao obeso que não reduz o peso são tratamentos custosos e inúteis.
Uma notícia mais animadora para terminar. Em volta da estação Victória e da Catedral Católica de Westminster logo ao lado, notei menos pessoas sem abrigo deitadas nos passeios e nas saídas de calor dos aquecimentos. O Pe. Marco da Residência da Catedral, onde me hospedei naqueles dias, deu-me a razão: a Igreja tinha aberto, ali perto, na praça Sloane, um centro de dia e noite para imigrantes e outros sem abrigo. Centro de uns quarenta lugares em que se acolhe e se trabalha na sua integração.
28.Nov.2005
Aires Gameiro
(em voo de Londres para Lisboa)