domingo, março 06, 2005

Relance 271

" Acontece que o Papa não é um poltico nem a igreja é uma multicional. Os critérios de liderança são outros "

Francisco Sarsfield Cabral

quinta-feira, março 03, 2005

Relance 270

A lei é igual para Todos !

Supremo mantém decisão favorável ao Estado português
Interdição ao Barco do Aborto

O Supremo Tribunal Administrativo decidiu não apreciar o recurso das associações pró-aborto sobre o caso do chamado Barco do Aborto. O tribunal mantém a sentença da instância anterior que deu razão ao governo português, que impediu a entrada em águas nacionais da embarcação Borndiep, em Agosto do ano passado.

Com esta decisão do Supremo Tribunal Administrativo, última instância para este tipo de processos, esgotam-se todos os recursos previstos na lei portuguesa. No final de Agosto de 2004, a organização holandesa "Women on Waves", seis cidadãos holandeses e quatro associações portuguesas moveram uma acção contra o Ministério da Defesa Nacional e o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, sob a forma de um processo urgente de intimação para protecção de direitos, liberdades e garantias. Os responsáveis do Borndiep vieram a Portugal para disponibilizar a pílula abortiva e promover o debate em torno da legalização do Aborto.

quarta-feira, março 02, 2005

Relance 269

“ Se um dia descobrisse que Deus era mau ou um Deus de tortura, eu recusaria nesse exacto momento a Adora –lo .”

terça-feira, março 01, 2005

Relance 268

Começa a sentir- se as consequencias da sociedade "louca" em que vivemos

Consumo de antidepressivos aumentou 45 por cento nos últimos cinco anos


O consumo de medicamentos antidepressivos aumentou 45 por cento nos últimos cinco anos: em 2000 foram compradas em Portugal cerca de quatro milhões de embalagens, no ano passado foram quase seis milhões.
É o que revelam dados fornecidos pelo Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed). Os ansiolíticos e tranquilizantes seguem a mesma tendência de subida.
Os antidepressivos estão a ser cada vez mais dispensados pelos médicos portugueses. De 2003 para 2004 a venda total de embalagens de medicamentos em farmácias subiu 2,5 por cento, mas no subgrupo dos antidepressivos o crescimento ascendeu a 11 por cento (mais 627.467 caixas) — de cerca de cinco milhões passou-se para quase seis milhões. As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e o Norte são as recordistas.

domingo, fevereiro 27, 2005

Relance 267

Maturidade

Maturidade é o poder de controlar a raiva e de resolver problemas sem violência e destruição. Maturidade é paciência. É disposição para abrir mão de um prazer imediato com vistas a uma vantagem a longo prazo.
Maturidade é perseverança. É empenhar-se fundo em um trabalho, a despeito da oposição doscontratempos desalentadores.
Maturidade é abnegação. É atender as necessidades alheias. Maturidade é a capacidade de enfrentar o desagradável e a decepção, sem se tornar amargo.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Relance 266

" A inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la "

Ramón Cajal

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Relance 265

Os Velhos

“Quando te tornares senil, não o saberás”
Bill Cosby



Há já algum tempo que visito Lares de idosos, para acompanhar a realidade dos nossos idosos. É com amargura que sou defrontado, regularmente, com muitos casos em que o idoso é abandonado na sua casa pela família, largado à sua própria sorte ou, então, num lar onde espera uma morte vigiada.

Foi numa dessas visitas que conheci o Sr. Joaquim. Olhar cansado, sempre rente ao chão, sentado numa poltrona. Sem qualquer aspiração esperava, sentado, pelo melhor remédio contra a velhice abandonada .

Conversávamos longas horas dos mais variados assuntos, transmitia-me a sua experiência de vida. Para mim, velhice significa conhecimento, por isso, considerava o Sr. Joaquim uma “ biblioteca ambulante.”

Pesavam-lhes os anos e a ingratidão. Acabou sozinho, esquecido pela família. Vivia na expectativa do dia em que o telefone tocasse e fosse uma voz amiga do outro lado da linha ou, quando se atrevia a sonhar mais alto, que a porta se abrisse e recebesse um sorriso conhecido.

Sinto-me feliz e orgulhoso por ter feito parte da sua vida por lhe ter dado o abraço merecido e arrependo-me dos dias que não desfrutei da sua companhia.

Miguel Torga um dia disse: “ A velhice é isto ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez” O Sr. Joaquim lamentava-se mas já não chorava. Sentado no sofá esperava ,um dia atrás do outro, que já não tivesse que abrir os olhos para vislumbrar a sua solidão. E assim foi.

Recentemente ao dirigir-me à instituição onde permanecia, para apreciar mais uma vez um pouco da sua companhia, disseram-me que tinha falecido. Quando perguntei se tinha conseguido contactar os seus familiares a resposta veio baixinho, em tom envergonhado: “quando dei a noticia responderam-me : mas ele ainda estava vivo?!! ”.

Senti-me revoltado, O que levará um filho, um irmão, um neto, a esquecer quem um dia já lhe deu, pão ? Tratar um ser humano como um objecto inútil, sem serventia, porque está desgastado pelo tempo é, para mim, crime perverso. Ou então, quem faz isto, talvez queira fugir do seu próprio destino, a velhice, como diz uma canção de Mafalda Veiga .

Defendo que as famílias, as instituições vocacionadas para a problemática da terceira idade e, sobretudo, cada cidadão, deverá dar o seu contributo para evitar a exclusão do idoso. Pois, na verdade, o envelhecimento é inevitável chegando um dia destes a todos nós .

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Relance 264

Respirar pode matar

Respirar pode ser fatal. De acordo com um estudo realizado pela Comissão Europeia apresentado ontem, em Portugal, perdem a vida, todos os anos, cerca de quatro mil pessoas vítimas da poluição atmosférica.

Valores que colocam o País no meio da tabela, à frente da Finlândia, Dinamarca ou Suécia.Os valores variam consoante os estados-membros da União Europeia (UE), mas no total, as mortes prematuras por ano ascendem aos 300 mil. Números negros, aos quais se juntam ainda os da diminuição da esperança de vida de todos residentes na UE, que cai, em média, nove meses devido à má qualidade do ar que respiramos.

Os especialistas não têm dúvidas em apontar o dedo às partículas inaláveis – que resultam da queima de combustíveis fósseis – e ao ozono ao nível do solo, responsáveis, respectivamente, por 288 mil e 21 400 vidas perdidas antes do tempo.

domingo, fevereiro 20, 2005

Relance 263

PS consegue maioria Absoluta

O Partido Socialista consegue pela primeira vez maioria Absoluta da sua história .

Aqui ficam os resultados :

PS: 45,05% (120 deputados)
PSD: 28,69% (72)
CDU: 7,57% (14)
CDS-PP: 7,26% (12)
BE: 6,38% (8)

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Relance 262

Perigo á Vista ???

430 mil em risco de AVC nos próximos dez anos

40 por cento poderiam ser evitados se terapêutica fosse mais eficiente, revela estudo
Cerca de 430 mil portugueses correm o risco de sofrer acidentes vasculares cerebrais nos próximos dez anos, mas 40 por cento destes poderiam ser evitados se a terapêutica fosse mais eficiente, revela um estudo a apresentar hoje no Algarve.

Os resultados do estudo sobre a probabilidade de risco de ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC) em Portugal nos próximos dez anos vão ser apresentados durante a 2ª Reunião Científica da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, no Hotel Tivoli Almansor, no Algarve.
O estudo incidiu sobre 20.005 utentes do Serviço Nacional de Saúde com idades compreendidas entre os 55 e os 84 anos e envolveu 1.101 médicos e 240 especialistas.

A investigação concluiu que "a probabilidade média de risco de AVC aumenta com a idade, em ambos os sexos, sendo superior nos homens" e que "a situação é particularmente grave em Portugal".

A aplicação dos dados do estudo permite assim estimar que nos próximos dez anos 429.182 portugueses correm o risco de vir a sofrer de AVC.
No entanto, o estudo ressalva que "se a terapêutica fosse mais eficiente, poderiam ser evitados em Portugal 179.069 casos, o que corresponde a 40 por cento das pessoas que correm risco de AVC".

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Relance 261

Ja reparou que se conhece com mais facilidade o nome de um jogador de Futebol da 2ª Divisão do que um escritor que escreveu uma obra literária

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Relance 260

Na Net também estamos em último :(

Somos o país da UE com menos utilizadores.
Bruxelas diz que preços de computadores são elevados
Portugal está na cauda da União Europeia quanto ao número de utilizadores da Internet.
Aliás, pior que nós, só a Turquia, Roménia e Bulgária, países que ainda são candidatos à adesão.
A notícia é avançada esta terça-feira pelo Jornal de Notícias e tem como base um relatório divulgado em Bruxelas, cujas informações são relativas a Junho de 2003.

Segundo Bruxelas na base deste resultado estão os níveis de educação, riqueza e idade. Todavia, a comissão alerta também para preço excessivo dos computadores como um dos obstáculos.
O relatório, produzido pela Comissão Europeia, revela que em Junho de 2003 apenas 21 por cento dos portugueses usava a Internet. Aqui Portugal é logo seguido da Grécia com 22 por cento de utilizadores. Quanto aos novos estados-membros, as percentagens variam entre 25 por cento na Hungria e 44 por cento na Estónia. Sendo que a média da Europa dos Quinze era de 43,6 por cento e a média da Europa dos «25» era de 41,4 por cento.

Segundo do Jornal de Notícias a Comissão alerta, no relatório, para os riscos de exclusão da sociedade e do emprego já que as competências informáticas se tornaram uma exigência comum. Os idosos, as mulheres e as pessoas com baixos rendimentos e poucos estudos são os mais atingidos.

No entanto, entre 2000 e 2003, mulheres e os idosos recuperaram terreno e reduziram a chamada «fractura numérica» no acesso à Sociedade de Informação. Os homens também têm mais conhecimentos na área que as mulheres.

No território nacional a percentagem de utilizadores da Internet divide-se: entre 16,5 por cento na Região Norte e 26,8 por cento no grupo de regiões do Sul e Ilhas (Algarve, Alentejo, Madeira e Açores). As taxas para o Centro e para Lisboa e Vale do Tejo são de 23,3 por cento e 21,7 por cento, respectivamente. À escala nacional, a percentagem de computadores pessoais é de 31,1 e a de formação no sector informático de 20,4 por cento.

Noticia do Jornal On Line : Portugal Díario

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Relance 259

Defendo que conseguimos atingir paz interior pela forma como tratamos o nosso próximo

domingo, fevereiro 13, 2005

Relance 258

Faleceu a Irmã Lúcia

A irmã Lúcia, um dos três pastorinhos que afirmaram ter visto Nossa Senhora em Fátima no ano de 1917, morreu hoje aos 97 anos. Prima de Jacinta e Francisco Marto, os dois outros pastorinhos que viram a Virgem Maria, na Cova da Iria, Lúcia era a única que ainda estava viva.

Nascida a 22 de Março de 1907, em Aljustrel, paróquia de Fátima, Lúcia de Jesus dos Santos, o seu nome de baptismo, dedicou a sua vida à oração e contemplação, como resposta à mensagem de Fátima. Lúcia terá sido a única dos três primos que ouviu as palavras da Virgem.
Em 13 de Outubro de 1930 o então bispo de Leiria torna público, oficialmente, que as aparições eram dignas de crédito.Desde então, o Santuário de Fátima ganhou expressão internacional, uma exposição que não era procurada pela irmã Lúcia.

Em 1921, ingressou no Asilo de Vilar, no Porto, dirigido pelas religiosas de Santa Doroteia. Depois foi para Tuy, em Espanha, onde tomou o hábito, com o nome de Maria Lúcia das Dores.
Fez a profissão religiosa de votos temporários em 3 de Outubro de 1928 e, em 3 de Outubro de 1934, a de votos perpétuos. Em 1946 regressou a Portugal e, dois anos depois, entrou para o Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, onde professou como carmelita a 31 de Maio de 1949 e assumiu o nome de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado.

Escreveu dois volumes com as suas "Memórias" e os "Apelos da Mensagem de Fátima".Em 1991, o Papa visitou Fátima e encontrou-se com irmã Lúcia, com quem esteve reunido cerca de 12 minutos. A 13 de Maio de 2000, João Paulo II beatificou Jacinta e Francisco Marto, em Fátima.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Relance 257

O Sermão da Campanha


O calendário litúrgico garantia que aquele era apenas mais um domingo do chamado "tempo comum", que separa o Natal da caminhada para a Páscoa. Talvez por isso, no domingo passado o calendário litúrgico não conseguiu cativar as atenções do padre Lereno, que viu os seus pensamentos fugirem para um outro calendário mais sedutor o calendário eleitoral.
É preciso compreender a situação, tal como a terá visto o padre do seu púlpito. Aquele era o dia de arranque oficial da campanha para as eleições. A direita, a sua querida direita, parecia estar em apuros e a esquerda, a maldita esquerda, ameaçava regressar ao poder. Uma "esquerda moderna", é certo. Mas isso só podia piorar as coisas se a esquerda lhe causava alergia, a simples palavra "moderna" causava-lhe arrepios. Depois, o microfone estava mesmo ali, mesmo a jeito.
E ainda por cima a missa ia ser transmitida em directo pela rádio. Francamente, "um homem não é feito de ferro!", terá pensado o padre Lereno, com a sabedoria de uma vida inteira a ouvir os pecados dos outros. E se bem o pensou, pior o fez: o padre cedeu à tentação e resolveu transformar a sua (?) missa no comício de abertura da campanha eleitoral.
O caso tem uma importância diminuta para a campanha. Em primeiro lugar, porque se trata de uma voz pouco representativa no interior da Igreja e nada significativa no plano mediático; em segundo lugar, porque os leigos católicos, entre os quais me incluo, estão suficientemente acostumados a homilias menos felizes ou até incompetentes para saberem dar o devido desconto quando tal se torna necessário; em terceiro lugar, porque o tom quase medieval com que foram abordados temas muito complexos da actualidade social e eclesial ("divórcio nunca!", chegou-se a proclamar) traduz uma tão confrangedora incapacidade para perceber o mundo de hoje que só pode suscitar indiferença ou rejeição.
Quem não entende o mundo, dificilmente se fará entender por ele. A verdadeira questão que este sermão coloca é outra e diz respeito às relações da Igreja com a política. E é na qualidade de católico que aqui deixo algumas notas sobre o assunto.Primeiro ponto é perfeitamente legítimo que a Igreja recorde aos cristãos as implicações sociais e políticas (em sentido amplo) do cristianismo. Essas implicações existem e não são poucas, como decorre da vastíssima doutrina social da Igreja (DSI), do Concílio Vaticano II e dos documentos pastorais dos bispos. Neste sentido, tem todo o cabimento não só o apelo ao voto, enquanto cumprimento de um dever cívico de participação política, como a afirmação da relevância dos princípios da doutrina da Igreja para efeitos da determinação do sentido de voto de cada cristão, de acordo com a sua livre consciência individual e tendo em conta que a DSI, no seu conjunto, é compatível com diferentes programas partidários.
Foi isto que fez, com razoabilidade e equilíbrio, a própria Conferência Episcopal, em nota pastoral emitida a propósito destas eleições.Segundo ponto a intervenção do padre Lereno manifestamente não partilha da razoabilidade e do equilíbrio revelados pela Conferência Episcopal. Desde logo, porque se permitiu utilizar uma homilia para, a despropósito das leituras, dar orientações para o voto; depois, porque o fez sem se conformar com a nota pastoral dos bispos (incluindo o seu próprio bispo), facto especialmente grave porque se tratou de uma homilia transmitida pelos meios de comunicação social.
De facto, o padre Lereno pecou, simultaneamente, por excesso e por defeito. Por excesso, porque pretendeu deduzir dos princípios um determinado julgamento de certas propostas políticas concretas apresentadas pelos partidos concorrentes às eleições; por defeito, porque ostensivamente omitiu ou secundarizou outros princípios da mesma doutrina, assim fazendo eclipsar toda a dimensão social, não obstante os bispos a terem expressamente apresentado como igualmente relevante para a determinação do sentido de voto. O resultado deste exercício selectivo foi, como obviamente estava pensado para ser, um sermão manifestamente tendencioso do ponto de vista político-partidário.Terceiro ponto os partidos políticos, de um modo geral, reagiram bem, sem se mostrarem excessivamente incomodados.
Veremos se, quando chegar o tempo oportuno, a Igreja reage bem, sem se mostrar excessivamente comodista.

Pedro Silva Pereira

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Relance 256

Conviccções

No Partido Socialista sou muitas vezes criticado por ser um Socialista Católico Praticante que se empenha na luta contra a legalização do Aborto .
Na igreja Católica alguns secotes criticam me por ser um Católico de esquerda militante do Partido Socialista .
Será que essas pessoas nao percebem que tanto a Doutrina Social da Igreja como Socialismo Democrático têm muito pontos em comum ?

sábado, fevereiro 05, 2005

Relance 255

Católicos dirigem carta aberta aos eleitores


A propósito das legislativas do próximo dia 20, várias personalidades católicas de diferentes quadrantes políticos divulgam uma carta aberta a todos os eleitores.

No início da campanha eleitoral, que arranca este fim-de-semana, a intenção não é dar qualquer indicação de voto, mas sim lembrar políticos e eleitores que o pluralismo não pode ser confundido com relativismo moral. Existem questões básicas da ética cristã que podem estar em causa, por isso, é preciso pensar antes de votar, apela Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica.


quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Relance 254
Debate

Que país é este que num debate entre os dois principais candidatos a Primeiro-Ministero , a primeira pergunta tenha sido a discussão de boatos e isinuações sobre a vida privada dos mesmos ???
Acrescentando que a resposta a esta questão teve a duração de 15 minuntos num debate que durou 90 .

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Relance 253

" Todas as nações têm o governo que merecem "

JOseph de Maistre (1754-1821)


terça-feira, fevereiro 01, 2005

Relance 252

As eleições constituem um acto cívico da maior importância.

Pelo voto exprimimos e afirmamos o que queremos para a vida da sociedade de que devemos ser membros responsáveis. De algum modo, podemos dizer que o voto que colocamos na urna tem o peso e a dignidade da pessoa que somos.

É nesta perspectiva que cada cidadão deve encarar as próximas eleições legislativas. São os nossos votos que determinarão a configuração da Assembleia da República. Depende pois do nosso voto que a Assembleia, amanhã, produza leis mais ou menos boas, que respeitem e promovam os valores e princípios humanos fundamentais, ou, pelo contrário, os desrespeitem.

Daí que não baste falar em necessidade de votar; é necessário insistir no voto responsável.

E o que é o voto responsável? É aquele que precede de uma vontade livre e esclarecida. O cidadão votante necessita, antes de mais, de conhecer os programas dos partidos em que vai votar. Por isso, estes assumem a grave obrigação de divulgar os seus programas e de o fazer em termos perceptíveis; e, por sua vez, os eleitores têm o dever de se inteirarem do seu conteúdo. É um dever cívico. Ora, podemos interrogar-nos: onde se encontram tais programas? Quem os divulga? Quem os conhece?

Estamos nas vésperas da campanha eleitoral. Pelo que se observa, esta parece que tem muito pouco ou nada a ver com conteúdos de programa. Colam-se cartazes; enchem-se páginas de jornais, tempos televisivos e radiofónicos, com slogans, com superficialidades, com ataques pessoais, mas programas têm sido quase tabu.

É preciso responsabilizar os partidos e os candidatos pelo que se apresentam a defender. É preciso saber que sociedade pretendem edificar, em que valores assentarão as suas iniciativas. Defendem a vida e, nesse sentido, opõem-se à liberalização do aborto e a eutanásia; ou colocam-se no lado da cultura da morte? São a favor da defesa e promoção efectiva da família ou equiparam o matrimónio a uniões homossexuais? Defendem uma sociedade livre, também no campo da educação ou querem manter um sistema escolar estatizante, ou seja, um monopólio do Estado onde os pais se vêm privados de escolher a escola que pretendem para os seus filhos? Têm projectos para, a par de um desenvolvimento económico, promover a justiça e diminuir as desigualdades sociais, ou, pelo contrário vão manter-se os poderes dos lobies, os interesses corporativos, a obediência cega a ideologias fracassadas e os padrões de um sistema consumista opressivo?

Mas, se é necessário conhecer os programas partidários para que se possa falar do voto livre e consciente, não é menos importante atender aos protagonistas políticos, à sua credibilidade; conhecer a sua actuação passada, a sua conduta. Pois não basta termos um texto escrito, por melhor que seja. São homens concretos, são partidos concretos que executam ou não executam os programas.

Só por este caminho de limpidez, é possível, no fim da legislatura, avaliar o trabalho dos que forem eleitos e daí tirar as consequências.

Este é o caminho da democracia real e verdadeira.

Os católicos, cidadãos de pleno direito, não devem esquecer a sua responsabilidade, intervindo activamente no acto eleitoral, antepondo a sua consciência livre e esclarecida a qualquer imposição partidária.


D. Maurílio de Gouveia
Arcebispo de Évora