terça-feira, fevereiro 01, 2005

Relance 252

As eleições constituem um acto cívico da maior importância.

Pelo voto exprimimos e afirmamos o que queremos para a vida da sociedade de que devemos ser membros responsáveis. De algum modo, podemos dizer que o voto que colocamos na urna tem o peso e a dignidade da pessoa que somos.

É nesta perspectiva que cada cidadão deve encarar as próximas eleições legislativas. São os nossos votos que determinarão a configuração da Assembleia da República. Depende pois do nosso voto que a Assembleia, amanhã, produza leis mais ou menos boas, que respeitem e promovam os valores e princípios humanos fundamentais, ou, pelo contrário, os desrespeitem.

Daí que não baste falar em necessidade de votar; é necessário insistir no voto responsável.

E o que é o voto responsável? É aquele que precede de uma vontade livre e esclarecida. O cidadão votante necessita, antes de mais, de conhecer os programas dos partidos em que vai votar. Por isso, estes assumem a grave obrigação de divulgar os seus programas e de o fazer em termos perceptíveis; e, por sua vez, os eleitores têm o dever de se inteirarem do seu conteúdo. É um dever cívico. Ora, podemos interrogar-nos: onde se encontram tais programas? Quem os divulga? Quem os conhece?

Estamos nas vésperas da campanha eleitoral. Pelo que se observa, esta parece que tem muito pouco ou nada a ver com conteúdos de programa. Colam-se cartazes; enchem-se páginas de jornais, tempos televisivos e radiofónicos, com slogans, com superficialidades, com ataques pessoais, mas programas têm sido quase tabu.

É preciso responsabilizar os partidos e os candidatos pelo que se apresentam a defender. É preciso saber que sociedade pretendem edificar, em que valores assentarão as suas iniciativas. Defendem a vida e, nesse sentido, opõem-se à liberalização do aborto e a eutanásia; ou colocam-se no lado da cultura da morte? São a favor da defesa e promoção efectiva da família ou equiparam o matrimónio a uniões homossexuais? Defendem uma sociedade livre, também no campo da educação ou querem manter um sistema escolar estatizante, ou seja, um monopólio do Estado onde os pais se vêm privados de escolher a escola que pretendem para os seus filhos? Têm projectos para, a par de um desenvolvimento económico, promover a justiça e diminuir as desigualdades sociais, ou, pelo contrário vão manter-se os poderes dos lobies, os interesses corporativos, a obediência cega a ideologias fracassadas e os padrões de um sistema consumista opressivo?

Mas, se é necessário conhecer os programas partidários para que se possa falar do voto livre e consciente, não é menos importante atender aos protagonistas políticos, à sua credibilidade; conhecer a sua actuação passada, a sua conduta. Pois não basta termos um texto escrito, por melhor que seja. São homens concretos, são partidos concretos que executam ou não executam os programas.

Só por este caminho de limpidez, é possível, no fim da legislatura, avaliar o trabalho dos que forem eleitos e daí tirar as consequências.

Este é o caminho da democracia real e verdadeira.

Os católicos, cidadãos de pleno direito, não devem esquecer a sua responsabilidade, intervindo activamente no acto eleitoral, antepondo a sua consciência livre e esclarecida a qualquer imposição partidária.


D. Maurílio de Gouveia
Arcebispo de Évora


sexta-feira, janeiro 28, 2005

Relance 251


EÇA DE QUEIROZ - 1871

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.

Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...)
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (...)
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Eça de Queirós, 1871

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Relance 250

eu voto SIM!

Os portugueses deviam utilizar as próximas eleições como um referendo.

Creio que já é tempo de nós, todos aqueles que achamos que a nossa política é um autêntico teatro, fazermos algo mais do que ir para a praia no dia das eleições. Por exemplo, ir votar SIM. Os seja, nulo.

SIM, quero que isto mude!
SIM, quero que se reveja este sistema que permite que os políticos nunca
sejam responsabilizados pela sua má gestão e pelos seus crimes!
SIM, quero os “boys” vão todos para o desemprego!
SIM, quero gente séria e honesta na política!
SIM, quero que as promessas eleitorais sejam cumpridas!

Este sistema não tem qualquer representatividade! Não nos podemos esquecer que um governo, em Portugal, é eleito com pouco mais de um milhão de votos e que nós, os desiludidos, os que nos abstemos, somos quase 3 milhões. Quase 3 milhões de portugueses cuja opinião os políticos, convenientemente, ignoram.

Ou seja, já que não nos revemos em nenhuma força política, podemos utilizar o nosso voto para exigir a mudança. E para dar um exemplo ao mundo. Se formos em número suficiente, esta é uma realidade que os políticos, as Opus Dei, as Maçonarias e os restantes lobbies não poderão mais ignorar. E a comunicação social também não.

Chega de corrupção, chega de sustentar os “boys” dos partidos (que são já umas larguíssimas dezenas de milhar com “tachos” pagos por todos nós), chega de actores na política.

Isto não é democracia. De que adianta escolher entre este ou aquele partido, se quem realmente manda são os grandes grupos económicos, os empreiteiros, a banca?

Não estamos já cansados disto?

Não é já tempo de o Estado passar a ser uma pessoa de bem ..................

É tempo de os detentores de cargos públicos deixarem de ser os todo-poderosos deste mundo. Eles são os nossos empregados, aqueles a quem pagamos para nos organizarem a sociedade. Se não cumprem, devem ser despedidos. Definitivamente. Chega de ficarmos a pagar reformas principescas a incompetentes.

Por tudo isto, desta vez, vou votar SIM. Acho que é uma boa ideia. Melhor, pelo menos, do que ficar em casa e depois passar mais quatro anos a queixar-me.

Recebi esta mensagem por Emaill

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Relance 249

Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos.

(Anais Nin)

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Relance 248

Cada vez mais tenho a sensação que as pessoas reunem demais e fazem de menos .

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Relance 247

Assim vai o mundo ,,,,,

Mais de mil milhões de pessoas sobrevivem, no Mundo, com um rendimento inferior a um dólar (cerca de 76 cêntimos) por dia. Outros 2700 milhões lutam pela sobrevivência com menos de dois dólares por dia.
Em alguns países extremamente pobres menos de metade das crianças tem acesso à escola primária e menos de 20% acedem ao ensino secundário. No Mundo inteiro, existem 114 milhões de crianças a quem está vedado o ensino básico e há 584 milhões de mulheres que são analfabetas."As consequências desta pobreza extrema - que são as principais causas dos conflitos violentos, da guerra civil e do fracasso dos governos - transcendem largamente as sociedades por ela directamente atingidas", lê-se no Relatório do Projecto do Milénio da ONU ("Investir no Desenvolvimento - Um Plano Prático para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio"), que foi apresentado, ontem, ao Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan.
O Projecto do Milénio das ONU é um organismo consultivo independente a quem o secretário-Geral das Nações Unidas encarregou, em 2002, de elaborar um plano de acção concreto para que o Mundo erradique a pobreza extrema, a fome e a doença que afectam um sexto da população mundial (ler "Recomendações" ao lado).Com base neste trabalho, Kofi Annan deverá apresentar aos membros da ONU, no próximo mês de Março, um relatório contendo as suas recomendações, antes da reunião do G8, em Julho, que precederá a cimeira mundial agendada para Setembro, em Nova Iorque, que irá assinalar o 60.º aniversário das Nações Unidas.
Para os mais de mil milhões de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) representam uma questão de vida ou de morte. Segundo o relatório, a pobreza extrema pode definir-se como "pobreza que mata", uma vez que priva as pessoas dos recursos essenciais para enfrentarem a fome, a doença e os riscos ambientais. Nas regiões onde domina esta forma de pobreza, a esperança média de vida é metade daquela de que usufruem os habitantes do chamado Mundo desenvolvido - 40 anos em vez de 80.
Na Cimeira do Milénio das Nações Unidas, realizada em Setembro de 2000, 189 dirigentes mundiais aprovaram, por unanimidade, a Declaração do Milénio, que levou à formulação de oito objectivos concretos, entre 1990 e 2015.
E que são os seguintes reduzir para metade a pobreza extrema e a fome; alcançar o ensino primário universal; promover a igualdade entre homens e mulheres; reduzir em dois terços a mortalidade infantil; reduzir em três quartos a mortalidade materna; controlar e começar a reduzir a propagação da sida/VIH, a malária e outras doenças graves; garantir a sustentabilidade do meio ambiente; criar uma parceria mundial para o desenvolvimento ."Reduzir a metade a pobreza extrema até 2015 tornou-se muito difícil, devido ao tempo precioso que perdemos nos primeiros dez anos", declarou ontem Mark Malloch Brown, administrador do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e novo chefe de gabinete de Kofi Annan.

segunda-feira, janeiro 17, 2005


Relance 246

A causa do aborto «O aborto é uma prática muito traumatizante para a mulher.»

POR obscuras razões, o aborto tornou-se para muita gente uma bandeira. As mulheres que abortam - e o assumem - são elevadas à condição de heroínas. As declarações dos políticos favoráveis ao aborto têm imenso destaque na comunicação social.
Há uma febre, uma excitação, uma pressão enorme para se liberalizar o aborto.
Ora o caso é tanto mais estranho quanto é sabido que o aborto é uma prática muito traumatizante para a mulher.
Um aborto deixa quase sempre marcas fundas para toda a vida.
ATÉ por isso, a invocação de «razões psicológicas» por parte de muitas mulheres que pretendem abortar não faz nenhum sentido.
Analisando centenas de casos de mulheres que ficaram grávidas sem o desejarem, verifica-se que têm hoje muito mais problemas as que fizeram abortos do que as que decidiram levar a gravidez até ao fim.
As primeiras carregam frequentemente um sentimento de culpa e arrependimento - enquanto as segundas raramente se mostram arrependidas e, pelo contrário, congratulam-se por terem tomado a decisão de ter o filho.
MAS, independentemente das consequências, outras razões aconselham a uma enorme cautela no tratamento do tema do aborto.
Primeiro, porque é uma prática bárbara - que só por equívoco pode ter sido erigida à condição de «sinal de progresso».
Eliminar uma semente de vida (ou mesmo uma vida) não poderá nunca ser um sintoma de civilização.
Depois, porque todos os passos no sentido da despenalização do aborto são sinais errados dados à sociedade.
Sendo o aborto reconhecidamente indesejável, facilitar o aborto, dar-lhe melhores condições, é dizer implicitamente: «Agora já se pode abortar sem risco, portanto ninguém hesite».
A verdade é que em todos os países que despenalizaram o aborto, o número de abortos aumentou.
E com o aumento do número de abortos aumentou também, exponencialmente, o número de mulheres que carregam problemas psicológicos e traumatismos graves pelo facto de terem tomado a decisão de abortar.

Edotorial do Jornal Expresso do dia 15 de Janeiro de 2005

sábado, janeiro 15, 2005

Relance 245

Não entendo e não percebo o mundo que me rodeia.
Hoje assisti na rua a troca agressiva de palavras de duas pessoas que estavam na fila de um banco, No transito dois homens que se "degolavam", pelo o melhor lugar no estacionamento..... e no partido a má língua para se arranjar o melhor lugarzinho nas listas autárquicas .

Por onde caminhamos ....???


quarta-feira, janeiro 12, 2005

Relances 244

" A infancia e a velhice parecem muito distantes, mas estão muito proximas . Num instante parecem eternos e noutro uma pagina na História. Por ser tão breve a vida , deveríamos vivê-la com sabedoria para sermos pais, educadores e professionais cada vez mais inteligentes, jovens mais sabios e amigos mais afectuosos "


segunda-feira, janeiro 10, 2005

Relance 243

" Considero um homem rico unicamente aquele que vive com o que tem, nada deve e esta contente "

S. Home


sábado, janeiro 01, 2005

Relance 242


Oração de São Francisco de Assis

Senhor,Fazei de mim um instrumento de vossa paz !
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz !
Ó Mestre,fazei que eu procure mais.
Consolar, que ser consolado
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna !


quarta-feira, dezembro 01, 2004

Relance 241

Caros Amigos e Leitores,

O facto de estar ausente no Brasil, não me permite que possa manter este espaço actualizado . Desejo um bom natal a todos e um excelente ano de 2005 .
Volto em Janeiro .

segunda-feira, novembro 22, 2004

Relance 240

Vergonha, Vergonha , Vergonha !!


Mais de mil homicidas por ano nas estradas portuguesas

Em 70 por cento dos acidentes mortais, o responsável vai a tribunal. Nos últimos cinco anos, autoridades registaram seis mil crimes de homicídio por negligência em acidentes de viação
Nos últimos cinco anos foram registados quase seis mil crimes de homicídio por negligência em acidentes de viação. Os dados indicam que os acidentes na estrada nem sempre ficam sem culpados. E que há milhares de portugueses que carregam na consciência o peso de uma morte inesperada.
Ao todo, as polícias registaram, até final do ano passado, 5859 casos de homicídio na estrada e, apesar de tudo, de ano para ano o número decresce ligeiramente. Nos mesmos cinco anos registaram-se 7670 mortos em sinistros rodoviários.
Por outro lado, em 69,05 por cento dos acidentes com vítimas mortais, as autoridades encontram o culpado pela morte que resultou do acidente. Veja-se, como exemplo, o caso de 2003. No ano passado foram registados 1051 homicídios e ocorreram 1222 acidentes mortais. Ou seja, em 30,94 por cento dos casos as autoridades não consideram tratar-se de um caso de homicídio por negligêncio ou não foram apuradas as causas do sinistro.
A Direcção Geral de Viação (DGV) tem equipas de peritagem especializadas na investigação de acidentes. «Sempre que há acidentes que envolvem veículos pesados de passageiros, veículos que transportam matérias perigosas ou veículos escolares há sempre peritagens», explica fonte da DGV. Também em casos de acidentes em cadeia são feitas vistorias para determinar as causas e os autores do sinistro.
«Os tribunais também pedem muitas vezes peritagens e normalmente nestes casos as investigações são mais complicadas porque quando o pedido é feito, o acidente já aconteceu há muito tempo e já não há pistas». Casos de acidentes «especialmente brutais ou de fenómenos que registam determinada evolução, como a contramão» também podem ser examinados.
Cada equipa de peritos tem «o equipamento próprio para poder reconstruir o acidente através da análise das marcas deixadas na estrada, da velocidade a que os veículos seguiam, da aderência ao piso, etc». Os peritos podem ainda concluir quais as regras do Código da Estrada que não tenham sido cumpridas.
Em Portugal, a maioria dos mortos em acidentes de viação são os próprios condutores. Ainda assim, no último ano, 274 vítimas mortais eram passageiros e 246 eram peões. O homicídio por negligência é punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos ou com pena de multa.


quarta-feira, novembro 17, 2004

Relance 238

Tabaco


Fumar reduz a vida em dez anos


O fumadores morrem em média dez anos mais cedo do que os não-fumadores, mas deixar de fumar, mesmo aos 50 anos de idade, diminui o risco para metade.
Já quem é fumador com 30 anos, se decidir parar, tem praticamente as mesmas hipóteses que os não-fumadores de não morrer prematuramente.
"Fumar tabaco reduz a expectativa de vida em cerca de dez anos", disse o professor da Universidade de Oxford, de 91 anos de idade, Richard Doll, que descobriu a relação entre o cancro e os cigarros. "É claro que fumar de forma consistente duplica a mortalidade durante a vida adulta, entre pessoas de idade média e avançada. É também claro que deixar de fumar pode eliminar uma grande parte desse perigo," afirmou à agência Reuters.
Richard Doll e Bradford Hill confirmaram a ligação entre fumar e o cancro do pulmão num célebre estudo publicado no "British Medical Journal", em 1954. Meio século depois Doll, juntamente com outro professor de Oxford, Richard Peto, dão conta da evolução desses dados nos últimos 50 anos, no mesmo jornal, com base nos resultados recolhidos por 34.439 médicos britânicos.

As primeiras conclusões do seu segundo estudo confirmaram que fumar causa cancro do pulmão, bem como doenças do coração.


segunda-feira, novembro 15, 2004

Relance 237

"O prazer visita-nos muitas vezes, mas a mágoa agarra-se cruelmente a nós"

.John Keats (1795-1821), poeta inglês.


quarta-feira, novembro 10, 2004

Relance 235


Cidadania, Desenvolvimento Comunitário e Saúde Mental

Dados recentes da Organização Mundial de Saúde assinalam que cerca de 450 milhões pessoas em todo o mundo são portadoras de problemas de ordem comportamental, neurológica ou mental. Mais, apontam para uma crescente incidência deste tipo de patologias, antecipando que a saúde mental será o principal problema de saúde pública do Séc.XXI.
Sendo evidente a urgência de uma abordagem dos seus custos económicos e sociais, poucos países lhe reservam mais do que 1% do total do investimento na área da Saúde. Consequentemente, as políticas de saúde mental, a intervenção legislativa, os recursos comunitários e os cuidados a prestar aos cidadãos portadores de doença mental, não têm merecido a devida prioridade
Abordada como um problema de saúde pública, a promoção da saúde mental deve fazer parte das estratégias de desenvolvimento de qualquer comunidade, e dessa forma, constituir-se como um problema de todos nós.
O ponto de interface entre o desenvolvimento comunitário e a saúde mental remete para o conhecimento dos mecanismos que suportam uma saúde mental positiva, cujos indicadores mais directos são a redução da delinquência juvenil, dos abusos e maus tratos a crianças, da violência doméstica a mulheres e idosos, das toxicodependências, da depressão e de outras doenças mentais.
Concorrem como variáveis fundamentais para a saúde mental de uma dada comunidade, o seu capital social, o nível de participação comunitária, os suportes sociais disponibilizados e a coesão social.
A colaboração entre os agentes comunitários que actuam nas áreas da investigação e da intervenção, tendo como esteio o respeito pela diversidade, equidade e inclusão social, deve estreitar-se.
O envolvimento cívico de todos os cidadãos, na faculdade de uma consciência crítica acerca dos mecanismos de funcionamento e processos de decisão com impacto nas suas vidas, é imperativo como motor dos decursos de mudança. Cabe a cada um de nós a responsabilidade de estar atentos e de intervir na implementação de soluções concretas e alternativas, na análise e gestão das micropolíticas sociais levadas a cabo pelos interlocutores com maior capacidade de intervenção: autarquias, escolas, organizações não governamentais e outras.

Assim se reforça a defesa de causas comuns, e se proporciona um ambiente social onde todos os indivíduos se sentem motivados e capazes de se interrelacionarem e organizarem, com vista à melhoria do seu bem-estar físico e mental.É imperativo que exerçamos a nossa cidadania como “um processo de luta, conquistas e perdas. Exercer cidadania não é uma dádiva, é conquista, é ser íntegro, não se deixar corromper. É o exercício dos direitos e deveres” (Rita Chardelli, 2000).

Patricia Boto Machado

domingo, novembro 07, 2004

Relance 234

É pra rir ou pra chorar......!!??

"Um homem quando assume responsabilidades públicas, deve considerar-se propriedade do público"

Thomas Jefferson (1743-1826)


sábado, novembro 06, 2004

Relance 233

Poder Podre

Incomoda-me ver certas "terreolas" chamadas cidades ,serem comandadas por gente sem capacidade e mediocre que se serve desse "poderzinho" para se mostrarem aos amigos lá do bairro. Mais grave, quando se sabe que tiram dividendos pessoais para eles . De quem falo ? Todos sabem !


quarta-feira, novembro 03, 2004

Relance 232

A censura

“Primeiro eles vieram atrás dos comunistas . E eu não disse nada porque não era comunista.Depois vieram atrás dos judeus E eu não disse nada porque não era judeu.Depois vieram atrás dos sindicalistas . E eu não disse nada porque não era sindicalista.Então vieram atrás de mim .E já não havia mais ninguém para falar por mim."

Martin Niemöeller


segunda-feira, novembro 01, 2004

Relances 231

Geração Doente

Por "Grande Reportagem" de há duas semanas denunciava uma história de terror, dessas que se lêem e não se acredita. Ou melhor, não se quer acreditar. Um jovem - de nome Diogo - quartanista de Arquitectura fora praxado até à morte pelos colegas da Tuna Universitária a que pertencia. O caso a que João Cândido da Silva já se referiu, na sua última crónica, com o sugestivo subtítulo de "Javardos", passou-se em Portugal vai para três anos. Só agora, ultrapassado o doloroso luto, saltou para os jornais, denunciado pela família num justificado alerta contra essa coisa sinistra dos rituais praxistas que continuamos a fingir não ver. Rituais que já começam a invadir o próprio ensino secundário, onde exibem a mesma ou pior violência. Fica assim minada toda a formação da personalidade de gerações inteiras dos nossos miúdos. A reportagem justificava o editorial de Joaquim Vieira "Cultura rasca". Contra ele escreve violentamente, na edição desta semana, uma jovem socióloga de 26 anos a frequentar o mestrado. Lemos e voltamos a não querer acreditar. Em sua defesa, e dos da sua geração, a leitora começa por alertar para o seguinte: "os nossos valores são incutidos pela sociedade que foi por vós constituída". Embora o argumento seja lapalissiano só posso concordar e partilhar a culpa na parte que me toca. OK. Posso até concordar com o argumento seguinte: o que se passou não foi "praxe", foi sobretudo um "crime" que a Justiça com a inoperância habitual, exercida por várias gerações (e não por uma única geração como sustenta a jovem), foi incapaz de castigar. E isso é grave. Gravíssimo. Mas, logo a seguir, a mestranda tenta exibir a sua superioridade moral afirmando o seguinte: "Ao invés do Diogo, optei por me impor (sublinhado meu) e recusei participar nas praxes, sem nunca ser posta de parte. Limitei-me a aparecer nas aulas após o fecho das praxes, alegadamente por estar doente. No harm done diriam os ingleses". Chegámos ao ponto. Posso até admitir que não tinha outra solução senão fugir para não enfrentar o gang acéfalo e maioritário. Nem sempre a fuga é pura cobardia, mas a fuga travestida de colaboracionismo, para gozar dos privilégios inerentes, só pode ter esse nome. Para esta jovem, que se faz porta-voz de uma geração, "impor-se" resume-se à adopção do comportamento desprezível mas corriqueiro de apresentar atestado médico falso. Estamos entendidos! Fica explicada a tendência compulsiva para a doença falsa e fica-se a perceber melhor por que raio a nova geração de professores, em busca de colocação, pode subitamente surgir tão achacada. Enfrentar o "sistema", mesmo o mais injusto, dá, no mínimo, muita chatice. Além disso, corre-se o risco de poder ficar à margem do rebanho, sem direito à festa, à borga, aos copos (lá se ia a companhia para as ponchas da Madeira que a jovem académica diz tanto apreciar). E claro, lá se iria também o traje. Dizer "não", como a minha geração era useira e vezeira, pode sempre trazer problemas ao enfrentar a turba, recusar a humilhação, denunciar, não pactuar com o sistema de abuso abjecto dos mais fracos imposto por uma ordem absurda onde a "antiguidade" é um posto e a burrice assumida premiada na dupla categoria idiota dos "veteranos". Na minha geração os que "optavam" assim tinham um nome: cobardes, como diriam os portugueses. "Cowards" na versão anglo-saxónica... "Jamais vu!" Entre a esquerda libertária e a direita libertina só não digo venha o diabo e escolha porque, por princípio, não gosto de lhe conceder qualquer direito Em comum, elas têm um pensamento intolerante e único em matérias morais (ou imorais) que, no mínimo, começa a tornar-se irritante. Pensar o contrário deixou de ser reprovável e improvável para passar a ser "impossível". Fora das duas correntes e com a agravante de não me identificar nem com a direita liberal, nem com a esquerda clássica, vejo-me entre os "opinion makers" da praça como uma espécie de raridade em vias de extinção. Teria a vantagem de me colocar ao abrigo do risco do "déjà vu", não fosse transformar as minhas humildes opiniões em sérias candidatas à classificação de "jamais vu". Não é que eu posso mesmo, e sem "corar", responder ao repto aqui lançado pelo professor Prado Coelho (a que sempre me habituei a respeitar a óbvia superioridade intelectual), informando-o que nem todos os católicos apostólicos romanos vivem a respectiva religião envergonhadamente e "à la carte". Ou seja, que faço parte daqueles milhões que tenta viver em consonância com o Vaticano, sem que tenhamos de suportar o insulto de ultraconservadores reaccionários. Que fique claro: em Itália nunca votaria no senhor Buttiglione, nem no seu partido, nem no seu Governo. Não partilho muitas das suas ideias sobre a família (que extravasam em muito as posições da Igreja) ou sobre a imigração. No Parlamento Europeu raramente votaria com ele e talvez até votasse frequentemente contra ele mas, porque ambos partilhamos a mesma noção de pecado, fico a saber que, como ele, jamais poderei ser comissária. Paciência, adeus regresso a Bruxelas. E o meu "pecado" incapacitante parece ser o de, como muitos outros, seguirmos a doutrina de João Paulo II, tanto na condenação firme da guerra preventiva (com a consequente oposição à actual política norte-americana), como na opção preferencial pelos pobres (com a defesa acérrima de uma maior justiça social) - dois pontos que regra geral agradam à esquerda e a direita gosta de omitir -, como nas questões morais que vivemos com maior ou menor dificuldade dada a condição de simples pecadores. Mas, enfim, vivemos, pregamos e publicamente defendemos. Coisas tão fora de moda como o apelo à vida casta dos solteiros, ou dos homossexuais e divorciados com anterior casamento católico (porque para os católicos o matrimónio é indissolúvel). Isso não significa perseguir ninguém, nem desrespeitar a sua escolha, ainda que decidam viver pública e assumidamente em situações que a Igreja identifica claramente como situações "de pecado". Não se trata de perseguir os homossexuais, pactuar com a sua discriminação, atentar contra a sua dignidade, privá-los dos seus direitos, como não significa marginalizar os recasados ou criminalizar o adultério. Dá para entender? Pelo contrário, o próprio Cristo impediu a lapidação (era a pena de então, numa sociedade que ironicamente autorizava o divórcio) da mulher adúltera, mandando-a em paz com esta simples advertência: "vai e não voltes a pecar". Bem podia ter-lhe dito: "vai que isso não é mais pecado", segundo a minha nova lei. Não disse. Como não o disse à Samaritana, casada pela quinta vez e a viver em união de facto com um homem casado com outra. Há dois mil anos a vida sentimental não era muito mais tranquila do que a actual. É esse Cristo que Paulo pregou, com escândalo, a uma sociedade onde a homossexualidade era tão ou mais comum do que na actual, que continua a escandalizar-nos com as suas propostas radicais. Um Cristo a exigir loucuras de fé. Intriga-me apenas que quem tem as maiores dúvidas sobre a própria existência de Deus, como Eduardo Prado Coelho, possa ter tão profundas certezas sobre quais os comportamentos que O ofendem ou não (é isso que significa pecado, ofensa a Deus). Eu não tive nenhuma revelação divina. À falta de fonte mais segura, para tentar evitar ofendê-Lo, sigo as instruções do magistério. Todos os meus amigos homossexuais sabem como penso e há mesmo alguns que pensam como eu. Os meus amigos que vivem em adultério (e são muitos mais!), também. Somos todos pecadores de variadíssimos pecados, mas isso não nos deve impedir a todos de ambicionar a santidade. E ela é possível. Hoje celebra-se a sua vitória no Céu e na terra. É porque os Santos existem que hoje é feriado. Sabiam? Não costumo fazer destas crónicas palco de apostolado (deixo a minha catequese para outros "fora"). Aqui não acho próprio. Mas o meu silêncio perante o repto do professor soava a cobardia. E não gosto de cobardes.

Graça Franco