Relances 231 Geração Doente Por "Grande Reportagem" de há duas semanas denunciava uma história de terror, dessas que se lêem e não se acredita. Ou melhor, não se quer acreditar. Um jovem - de nome Diogo - quartanista de Arquitectura fora praxado até à morte pelos colegas da Tuna Universitária a que pertencia. O caso a que João Cândido da Silva já se referiu, na sua última crónica, com o sugestivo subtítulo de "Javardos", passou-se em Portugal vai para três anos. Só agora, ultrapassado o doloroso luto, saltou para os jornais, denunciado pela família num justificado alerta contra essa coisa sinistra dos rituais praxistas que continuamos a fingir não ver. Rituais que já começam a invadir o próprio ensino secundário, onde exibem a mesma ou pior violência. Fica assim minada toda a formação da personalidade de gerações inteiras dos nossos miúdos. A reportagem justificava o editorial de Joaquim Vieira "Cultura rasca". Contra ele escreve violentamente, na edição desta semana, uma jovem socióloga de 26 anos a frequentar o mestrado. Lemos e voltamos a não querer acreditar. Em sua defesa, e dos da sua geração, a leitora começa por alertar para o seguinte: "os nossos valores são incutidos pela sociedade que foi por vós constituída". Embora o argumento seja lapalissiano só posso concordar e partilhar a culpa na parte que me toca. OK. Posso até concordar com o argumento seguinte: o que se passou não foi "praxe", foi sobretudo um "crime" que a Justiça com a inoperância habitual, exercida por várias gerações (e não por uma única geração como sustenta a jovem), foi incapaz de castigar. E isso é grave. Gravíssimo. Mas, logo a seguir, a mestranda tenta exibir a sua superioridade moral afirmando o seguinte: "Ao invés do Diogo, optei por me impor (sublinhado meu) e recusei participar nas praxes, sem nunca ser posta de parte. Limitei-me a aparecer nas aulas após o fecho das praxes, alegadamente por estar doente. No harm done diriam os ingleses". Chegámos ao ponto. Posso até admitir que não tinha outra solução senão fugir para não enfrentar o gang acéfalo e maioritário. Nem sempre a fuga é pura cobardia, mas a fuga travestida de colaboracionismo, para gozar dos privilégios inerentes, só pode ter esse nome. Para esta jovem, que se faz porta-voz de uma geração, "impor-se" resume-se à adopção do comportamento desprezível mas corriqueiro de apresentar atestado médico falso. Estamos entendidos! Fica explicada a tendência compulsiva para a doença falsa e fica-se a perceber melhor por que raio a nova geração de professores, em busca de colocação, pode subitamente surgir tão achacada. Enfrentar o "sistema", mesmo o mais injusto, dá, no mínimo, muita chatice. Além disso, corre-se o risco de poder ficar à margem do rebanho, sem direito à festa, à borga, aos copos (lá se ia a companhia para as ponchas da Madeira que a jovem académica diz tanto apreciar). E claro, lá se iria também o traje. Dizer "não", como a minha geração era useira e vezeira, pode sempre trazer problemas ao enfrentar a turba, recusar a humilhação, denunciar, não pactuar com o sistema de abuso abjecto dos mais fracos imposto por uma ordem absurda onde a "antiguidade" é um posto e a burrice assumida premiada na dupla categoria idiota dos "veteranos". Na minha geração os que "optavam" assim tinham um nome: cobardes, como diriam os portugueses. "Cowards" na versão anglo-saxónica... "Jamais vu!" Entre a esquerda libertária e a direita libertina só não digo venha o diabo e escolha porque, por princípio, não gosto de lhe conceder qualquer direito Em comum, elas têm um pensamento intolerante e único em matérias morais (ou imorais) que, no mínimo, começa a tornar-se irritante. Pensar o contrário deixou de ser reprovável e improvável para passar a ser "impossível". Fora das duas correntes e com a agravante de não me identificar nem com a direita liberal, nem com a esquerda clássica, vejo-me entre os "opinion makers" da praça como uma espécie de raridade em vias de extinção. Teria a vantagem de me colocar ao abrigo do risco do "déjà vu", não fosse transformar as minhas humildes opiniões em sérias candidatas à classificação de "jamais vu". Não é que eu posso mesmo, e sem "corar", responder ao repto aqui lançado pelo professor Prado Coelho (a que sempre me habituei a respeitar a óbvia superioridade intelectual), informando-o que nem todos os católicos apostólicos romanos vivem a respectiva religião envergonhadamente e "à la carte". Ou seja, que faço parte daqueles milhões que tenta viver em consonância com o Vaticano, sem que tenhamos de suportar o insulto de ultraconservadores reaccionários. Que fique claro: em Itália nunca votaria no senhor Buttiglione, nem no seu partido, nem no seu Governo. Não partilho muitas das suas ideias sobre a família (que extravasam em muito as posições da Igreja) ou sobre a imigração. No Parlamento Europeu raramente votaria com ele e talvez até votasse frequentemente contra ele mas, porque ambos partilhamos a mesma noção de pecado, fico a saber que, como ele, jamais poderei ser comissária. Paciência, adeus regresso a Bruxelas. E o meu "pecado" incapacitante parece ser o de, como muitos outros, seguirmos a doutrina de João Paulo II, tanto na condenação firme da guerra preventiva (com a consequente oposição à actual política norte-americana), como na opção preferencial pelos pobres (com a defesa acérrima de uma maior justiça social) - dois pontos que regra geral agradam à esquerda e a direita gosta de omitir -, como nas questões morais que vivemos com maior ou menor dificuldade dada a condição de simples pecadores. Mas, enfim, vivemos, pregamos e publicamente defendemos. Coisas tão fora de moda como o apelo à vida casta dos solteiros, ou dos homossexuais e divorciados com anterior casamento católico (porque para os católicos o matrimónio é indissolúvel). Isso não significa perseguir ninguém, nem desrespeitar a sua escolha, ainda que decidam viver pública e assumidamente em situações que a Igreja identifica claramente como situações "de pecado". Não se trata de perseguir os homossexuais, pactuar com a sua discriminação, atentar contra a sua dignidade, privá-los dos seus direitos, como não significa marginalizar os recasados ou criminalizar o adultério. Dá para entender? Pelo contrário, o próprio Cristo impediu a lapidação (era a pena de então, numa sociedade que ironicamente autorizava o divórcio) da mulher adúltera, mandando-a em paz com esta simples advertência: "vai e não voltes a pecar". Bem podia ter-lhe dito: "vai que isso não é mais pecado", segundo a minha nova lei. Não disse. Como não o disse à Samaritana, casada pela quinta vez e a viver em união de facto com um homem casado com outra. Há dois mil anos a vida sentimental não era muito mais tranquila do que a actual. É esse Cristo que Paulo pregou, com escândalo, a uma sociedade onde a homossexualidade era tão ou mais comum do que na actual, que continua a escandalizar-nos com as suas propostas radicais. Um Cristo a exigir loucuras de fé. Intriga-me apenas que quem tem as maiores dúvidas sobre a própria existência de Deus, como Eduardo Prado Coelho, possa ter tão profundas certezas sobre quais os comportamentos que O ofendem ou não (é isso que significa pecado, ofensa a Deus). Eu não tive nenhuma revelação divina. À falta de fonte mais segura, para tentar evitar ofendê-Lo, sigo as instruções do magistério. Todos os meus amigos homossexuais sabem como penso e há mesmo alguns que pensam como eu. Os meus amigos que vivem em adultério (e são muitos mais!), também. Somos todos pecadores de variadíssimos pecados, mas isso não nos deve impedir a todos de ambicionar a santidade. E ela é possível. Hoje celebra-se a sua vitória no Céu e na terra. É porque os Santos existem que hoje é feriado. Sabiam? Não costumo fazer destas crónicas palco de apostolado (deixo a minha catequese para outros "fora"). Aqui não acho próprio. Mas o meu silêncio perante o repto do professor soava a cobardia. E não gosto de cobardes. Graça Franco |
segunda-feira, novembro 01, 2004
sábado, outubro 30, 2004
quinta-feira, outubro 28, 2004
Relance 229
Até Sempre, Padre José Vítor !
|
quarta-feira, outubro 27, 2004
Relance 228 Carta Aberta Exmo. Sr. ou Sr.ª:Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro(Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simplescidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e deopinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser umespaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobreque está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade darespectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço dedois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grandenúmero por outros cidadãos/munícipes.A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota,nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dostemas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dandorazão ao que por lá se escrevia.Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, CâmaraMunicipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o"contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com adirecção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a suaexistência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesavaa relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava destapara legalizar algumas situações pendentes, despediu-me.Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade.Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para oefeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o"blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meioalguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e adirecção/administração da empresa, fui novamente confrontado com odespedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar oudemissão voluntária, optei pela segunda.Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombalneste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmouperante algumas pessoas "já acabámos com o blog".Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. MarceloRebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meufuturo. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa ecarro para pagar. E esposa também desempregada.E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador:"reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhorpresidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero terproblemas com esse senhor".É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma formanojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas nãoexpressem livremente as suas opiniões. Com os melhores cumprimentos Atentamente Orlando Manuel S. Cardoso |
segunda-feira, outubro 25, 2004
| Relance 227
Texto Conheci o Nuno Banza, há mais de 15 anos... estudamos na mesma escola secundária. Actualmente voltamo-nos a encontar na Autarquia Barreirense. Nuno Banza coordena o departamento do Ambiente . Recebi a sua simpatica mensagem que aqui publico hoje . Caro amigo Cláudio, Foi com natural prazer e sem surpresa que visitei o “teu” blogue e constatei o seu cariz de liberdade e debate aberto e sincero de questões do nosso quotidiano. A cada dia que passa, pergunto-me repetidamente mas sem sucesso, porque será tão difícil manter acesa a chama, não da paixão, mas da genuinidade e sinceridade na relação entre os seres humanos em geral. Os valores de humanidade, da sinceridade, do respeito e da seriedade que em jovens nos marcam especialmente – vejo – desaparecem para dar lugar a um conjunto de outros interesses mais particulares e individualistas, com consequências desastrosas. Diariamente a nossa sociedade segrega centenas de milhares de toneladas de géneros alimentícios quando, ao mesmo tempo, crianças e jovens adultos (porque não tendo condições para chegar a idades mais avançadas) MORREM À FOME! Diariamente a nossa sociedade rejeita milhões de litros de água potável em usos como a rega, as lavagens, as simples perdas nas redes de distribuição e em tantos outros lados quando, ao mesmo tempo, pessoas MORREM DE SEDE! Tenho cada vez mais dificuldade em reagir aos estímulos da nossa sociedade, em especial pela futilidade em que caímos, pela superficialidade com que tratamos assuntos importantes, ao mesmo tempo que nos empenhamos arduamente contra pessoas, quando valorizamos coisas completamente insignificantes, gastando toda a nossa energia disponível. Houve já quem dissesse algo que me recuso todos os dias a aceitar – é mais facil unir pessoas para fazer o mal que para fazer o bem! Hitler não uniu os alemães a favor da raça ariana – uniu-os contra os Judeus! Recuso-me todos os dias a dispender a minha energia em causas menores, enquanto a minha consciência me relembrar as grandes causas da humanidade, mesmo quando estão longe do nosso alcance, e é pequena a capacidade de fazermos a diferença. Recuso-me a tratar com leviandade questões que merecem a máxima atenção, e para as quais cada vez é mais difícil trazer adeptos, como são aquelas que se referem a pessoas e em especial quando estão em situações de desvantagem. Recuso-me a faltar ao respeito áqueles que me ensinaram os valores da amizade, da seriedade, da partilha e acima de tudo da sinceridade, porque só sendo sincero com os outros consigo ser sincero comigo. Mas aplaudo com redobrado prazer as pessoas que são capazes de pensar! E ao pensarem, serem capazes de intervir de forma saudável e activa nas questões realmente importantes da vida – as que envolvem pessoas – e lutarem por objectivos nobres sendo capazes de motivar uniões pela positiva. É aqui que vejo este espaço e é neste grupo que coloco o seu autor. A profundidade na abordagem, a postura positiva, a união pelo BEM! Que o tempo te não retire a força e a motivação para, em conjunto, continuares a lutar pelos ideias dos Direitos Humanos e mantenhas uma intervenção permanente na nossa já tão apagada e desinteressada sociedade. Parabéns pelo Blogue! Um abraço amigo, Nuno Banza |
domingo, outubro 24, 2004
sábado, outubro 23, 2004
| Relance 225
Carácter Polítíco “O mal só prospera quando os homens de bem se calam” Edmund Burk Segundo o dicionário de português, a política é uma arte. A arte de governar. Será assim? Ou será que a política é uma disputa de poder em que os que nela intervêm, normalmente, se esquecem do que nos diz o sempre fiel dicionário?Vejamos... Em períodos eleitorais são sempre feitas um rol de promessas para acabarem com os problemas dos eleitores que, na maioria das vezes, durante o mandato, são esquecidos, ou seja, ficam por resolver. Os mesmos períodos são usados até à exaustão, para passar uma mensagem precisa e meticulosamente pensada para uso exclusivo da campanha eleitoral. O objectivo é claro. As informações transmitidas nesse período são para a denominada “caça ao voto”. O alvo é específico. Os analfabetos, os menos esclarecidos, os pobres e dependentes que, por ignorância, não questionam. Como diria Espinosa “A forma mais eficaz de controlar o povo é continuar com a ignorância”. Talvez por isso a aposta na educação e na formação seja tão escassa. Um povo esclarecido não seria mais difícil de controlar? A influência no eleitor é passada através de mensagens curtas e simplistas, nos meios de comunicação social. Principalmente na televisão onde têm direitos de antena, períodos gratuitos para propaganda política.Cada um em dez portugueses não sabe ler ou escrever, sendo um alvo fácil de levar a comprar “gato por lebre”. Assim, o político, pode continuar a manipular aproveitando-se de conhecer os desejos e necessidades do eleitorado para ganhar o precioso voto. Utilizando o ingénuo em prol dos seus interesses e dos grupos económicos que os patrocinam.Oferecem-se bonés, canetas e porta-chaves, sorrisos e promessas. Muitas promessas deste mundo e do outro... O povo deixa-se manipular pelo marketing político, que consegue fazer passar um desgraçado por um herói e vota inconsciente, “anestesiado” pela terra dos sonhos prometida.Razão pela qual se justifica este “milagre”, que me incomoda, de indivíduos débeis e fracos, candidatos a pseudo políticos, continuarem a subir.Assim funciona o aparelho político e talvez por isso, os mais inteligentes e esclarecidos não se metam na política.É uma pena. Este factor leva a que os medíocres e mesquinhos, sem formação ou actividade, encontrem na política um óptimo lugar para chegar e vencer, com o único propósito de obter protagonismo – carreirismo político. São estas as mentes políticas que temos. Assim se justifica o desinteresse do povo pouco informado, como revelam as elevadíssimas taxas de abstenção.A política é uma arte que está a ser constantemente violada. Quem tem poder, garante não só os jobs for the boys, como os grandes grupos económicos que os apoiam. Será esta a arte de servir e bem prestar?Caro leitor, poderá questionar, então, por que estou envolvido no meio político?? Esclareço, primeiro, não tenho qualquer ambição de poder. Segundo, porque presto serviço social, em prol dos mais pobres. Através da política consigo mais apoios. Por último, encontro-me dentro do aparelho político para denunciar situações erróneas, como as que acabo de vos descrever que, apesar das muitas pressões, não temo.Mesmo assim acredito que, no meio da promiscuidade política, ainda existam pessoas Deixo um conselho. Guarde os programas eleitorais, acompanhe de “olhos bem abertos” os mandatos e verifique o que foi cumprido e o que foi “esquecido”. Para a próxima estará mais informado, elucidado, preparado para questionar.Era esta a realidade esperada pós 25 de Abril? Cláudio Anaia |
quinta-feira, outubro 21, 2004
O que é o almoço no Pato Bravo??
Pato Bravo é um restaurante no Lavradio no Concelho do Barreiro. As Quintas Feiras um grupo de amigos dos mais variados quadrantes políticos e sociológicos conversam livremente e sem complexos sobre temas da actualidade, que passam por analises internacionais, nacionais e principalmente locais. Sousa Pereira o principal incentivador e organizador destes almoços e faz hoje uma semana não esteve presente. Mas esteve presente uma psicóloga que achou curioso toda aquela actividade e dinâmica de palavras, por isso ..... fez um texto sobre tudo o que observou e aqui deixa em exclusivo, a sua visão :
ALMOÇO NO PATO BRAVO : POR UM OLHAR FEMINIL
Deixei-me levar pela mão e arrumei-me no parlatório como quem espreita por cima do muro.
A mesa do canto e a Maria já conheciam as conjuras. Eu descobri-as.
Rimaram em redondilha menor (presencial e virtual) + eu. Timidamente eu, envolta na virilidade enérgica de um verbosismo sonante e sem embagues, de homens densos, resolutos, quase intransigentes. Homens convictos, com a propriedade daqueles que se conciliam no empenho do protagonismo de sonhos paralelos, quais Demiurgos do humanismo à escala do burgo.
A cadência semanal da conferência, não só admitiu, como integrou a minha ocasional e singular presença num saudável judo de ideias e ideais, argumentos e tormentos, toleimas, inquietações e julgamentos. Com agrado, sobretudo, porque acredito que progredimos quando nos oferecemos à lucidez com o tempo de prever e temporizar, quando permitimos que cada raciocínio viva como rebate dos silogismo que alimentamos.
Degustada a Aguardente Velha, a beberagem de verbos deixou-me um gosto peréne na memória, um aroma que se solta deste anagrama: Pato Bravo : por um olhar feminil.
Patrícia Boto Machado
terça-feira, outubro 19, 2004
Relance 223 CARTA ABERTA DA MADRE TERESA A UM MÉDICO QUE FAZ ABORTOS(www.vidahumana.org)
Madre Teresa da Calcutá |
segunda-feira, outubro 18, 2004
Relance 222 Portugueses Pouco Preocupados com o Ambiente Por Ana Fernandes - Jornalista do Jornal Público Os portugueses não estão muito preocupados com alguns problemas ambientais na zona onde vivem como o ruído, a qualidade da água canalizada ou o excesso de construção. Mesmo em relação à poluição do ar, são mais os que se encontram descansados com o assunto, do que o contrário. Só o lixo surge como um factor que merece alguma atenção, mas mesmo assim, só metade dos inquiridos é que o apontou como preocupante.
|
sábado, outubro 16, 2004
sexta-feira, outubro 15, 2004
Relance 220 Degradação Humana ?? Sabia que ja se pode divorciar por internet ?? É Verdade . A irresponsabilidade continua numa sociedade onde a familia e seus valores são cada vez mais descartáveis . Se duvidas tem, clique aqui http://http://www.divorcenet.com/ |
quinta-feira, outubro 14, 2004
quarta-feira, outubro 13, 2004
O Telelixo está de volta: a Quinta das celebridades
Andava eu tão contente, depois de ter acabado o “Big Brother”, o “Bar da Tv” e programas afins, quando dou por mim ja novos programas do tipo, andam ai de novo. Falo da “Quinta das celebridades”. Um programa com algumas celebridades, em decadência, que vêem aqui uma forma de voltar à ribalta, ao “Show Off” televisivo.
Um concurso, sem quaisquer escrúpulos, que indigna quem quer continuar sóbrio e a ver televisão sem “morrer intoxicado” com telelixo.
Pois é !... A manipulação de sentimentos, de jovens anónimos, como o Big Brother teve como resultado o que aconteceu ao Zé Maria... Vamos ver, agora, com estas celebridades, como é que isto vai acabar.
Na minha opinião, a Alta Autoridade Para a Comunicação Social (que, por vezes, não sei para que é que serve) já devia ter posto um travão a este tipo de programas. O governo, que deveria zelar pelo interesse público, há muito já deveria ter criado uma lei especifica para acabar com estes ataques à dignidade para acabar com esta degradação.
A televisão existe para dar dinheiro, apenas para o lucro. O que não posso concordar é que, para atingir esse objectivo, se sirvam, de uma forma vergonhosa, do ser humano, expondo-o a impactos e sensacionalismos.
A TV é cada vez mais, uma guerra de audiências, um fenómeno sócio económico, que cada vez é menos “sócio” e mais “económico”. Cada vez pior e com menos qualidade.
Este programa até coloca as ditas “celebridades” a tratar de animais, servindo-se das mesmas como marionetas, colocando os seus rostos permanentemente sob holofotes, vulgarizando os seus gestos, expressões, passos, fazendo-os viver, dia após dia, a representar uma farsa que tem tanto de improvisada, como de medíocre.
Vamos lá ver se vai haver envolvimentos, sexo, violência e todos os mais comportamentos anormais porque, s assim for, melhor ainda. É disso que o povo tanto gosta e a produção também.
Sou um optimista por natureza, mas estou preocupado. A auto-estima e outros valores, como a privacidade, que ainda há bem pouco tempo nem sequer eram postos em causa, foram esquecidos.
O país rendeu-se aos que trocaram, por valores mercantilistas, a sua privacidade . Um ataque à intimidade, formalizado com um contrato e tudo.
Quando será que as pessoas entendem que este tipo de programa não passa de um negócio?
Um contrato em que uns tantos abdicam da sua privacidade, para que outros a possam, tranquilamente, “violentar”, de preferência com o maior número possível de espectadores e de lucro.
Para mim seria provavelmente mais cómodo assistir, calado e resignado, a estes telelixos a que o Bispo de Liverpool apelidou de “Zoo Humano”. No entanto, e apesar de com este meu texto dar alguma importância, a este tipo de programas, faço-o com o objectivo de contribuir para uma consciencialização do balanço negativo, gerado por este tipo de programação, principalmente nas nossas crianças e adolescentes.
Caro leitor, espero que quem pode e quem manda perceba isto um dia.
Cláudio Anaia
terça-feira, outubro 12, 2004
Sabia que ....
Que os portugueses estão entre os que mais pagam pelas chamadas telefónicas na União Europeia?
Que em Portugal uma chamada de dez minutos custa em média 0,96 euros, mais do triplo do valor pago no Luxemburgo (0,31 euros)?
Que o serviço 118 da Portugal Telecom (PT) recebe uma média diária de 100 mil chamadas?
Que em Portugal já se venderam cerca de 10 milhões de cartões de telemóveis pré e pós-pagos?
Que no final de Setembro existiam cerca de 10, 68 milhões de utilizadores registados no Serviço Telefónico Móvel, sendo que 46,74% pertencem à TMN, 32,74% à Vodafone e 20,52% à Optimus?
Que a apresentadora e produtora de televisão Teresa Guilherme e o actor Joaquim Monchique vão estrear-se, respectivamente, como actriz e encenador no espectáculo «A Partilha», cuja estreia está agendada para 2005, no Teatro Tivoli?
Que Mafalda, a personagem do autor argentino Quino que se tornou famosa na banda desenhada (BD) comemora 40 anos de idade esta quarta-feira?
Que quase 10% dos infectados com VIH têm mais de 50 anos?
Que nove milhões visitaram o Oceanário em seis anos?
Que Onze milhões de crianças morreram, em 2002, antes dos cinco anos de idade por causas evitáveis?
Que 48% dos portugueses utiliza o automóvel diariamente?
Que os senhorios que decidam realizar obras de recuperação nos seus edifícios ao abrigo do programa de reabilitação urbana, criado no âmbito da nova Lei das rendas, não poderão vender o seu património durante um período de 10 anos?
Que a Coreia do Norte formou 500 hackers para guerra com EUA?
Que Kerry já arrecadou mais de 80 milhões de dólares através da NET?
sábado, outubro 09, 2004
quinta-feira, outubro 07, 2004
Relances - 1º Aniversário
Faz hoje um ano que foi criado este blog.
Convidei António Jesus de Sousa Pereira, pioneiro do Jornalismo On Line no Barreiro . Sousa Pereira é tambem um associativista , presidente da mais antiga e principal colectividade no Barreiro SFAL (Sociedade Filarmónica Agricola Lavradiense).
Gosto dele por ser um livre pensador, rebelde e grande protagonista ..... aqui fica o seu relato :
Claudio Anaia – “O Bloguista”
Claudio Anaia sei, é, um percursor do “bloguismo” no concelho do Barreiro.
Hoje telefonou-me para recordar que o seu BLOG existe, de forma permanente, há já um ano.
Não sei se foi por acaso, ou por mera coincidência, que ele escolheu esta data para lançar o seu BLOG.
È que, no dia de hoje, em tempos idos, comemorava-se o Feriado Municipal do Barreiro, dia da sua padroeira Nª Srª do Rosário.
É bom sinal, este, de manter, durante um ano, um BLOG.
Tentei a experiência e criei, também, dois blogs : “Fazer Associativismo” e “Com pés de Veludo”.
Ainda não adquiri a prática de os frequentar diariamente e, por vezes, até me esqueço que os criei, por isso, ao Cláudio, os meus parabéns e os sinceros votos de continuidade ...porque é preciso força de vontade e querer para manter vivos estes espaços.
Teu amigo,
Sousa Pereira
quarta-feira, outubro 06, 2004
IMPRESSÕES DIGITAIS
Faz impressão o trabalho que se tem em ser superficial
Faz-me impressão e baralho o vulgar e o intelectual
Sinto depressão conforme perco tempo essencial
Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal
Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital
Tendo para mais louco não sou patológico como um papel vegetal
Faz-me impressão ser seguido imitado por gente banal
Faz-me um favor estou perdido indica-me algo de fundamental
Acho que o que gosto em mim o que me motiva é uma preguiça transcendental
E em ti o que me torna afim que me cativa é esse sorriso vertical como um impressão digital
Sinto-te uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal
Faz-me impressão o trabalho a inércia faz-me mal
Rui Reininho